Logística

Argentina Andreani amplia presença no Brasil e prepara a oitava unidade

Unidade será em Embu das Artes, em São Paulo.

Valor Econômico
11/03/2014 10:05
Visualizações: 1308

 

No mundo dos negócios, é comum comentar que momentos de crise abrem portas a novas oportunidades. O profundo colapso econômico que atingiu a Argentina em 2001 freou a expansão da atividade de muitas empresas. No grupo logístico Andreani percebeu-se que havia chegado o momento de direcionar os investimentos para o outro lado da fronteira. Foi, então, aberta uma filial em São Paulo em 2002 e poucos anos depois, a rede de representação cobria todo o Sul e Sudeste. A expansão continua. No próximo mês, Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, receberá a oitava unidade brasileira.
Andreani é uma empresa familiar, que nasceu em 1945 na pequena Cacilda, cidade da província de Santa Fé, que hoje soma 35 mil habitantes. Jorge López, fundador e pai do atual presidente, dedicava-se, à época, ao transporte de produtos que abasteciam a área rural, num trajeto único, que ia de Cacilda a Rosário.
A atividade expandiu-se e hoje, com sede em Buenos Aires, Andreani lidera os serviços de logística de alto valor agregado no país. Trata-se de um segmento específico, voltado principalmente às indústrias de tecnologia, telefonia, farmacêutica e serviços financeiros. "Não concorremos com os grandes; que dominam, por exemplo, o transporte de grãos", diz o diretor de negócios internacionais, Carlos Cirimelo. "Trabalhamos com empresas que dependem da alta confiabilidade na embalagem e transporte de produtos delicados ou de alta tecnologia."
A estratégia de investir em nichos de mercado foi adotada também no Brasil. Laboratórios da indústria farmacêutica, como Abbott, representam a maior parte da carteira de clientes no país. A unidade que será inaugurada em Embu foi, inclusive, projetada por estar próxima de empresas desse setor.
O armazenamento e transporte de outros produtos delicados, como os instrumentos de precisão da Mitutoyo, também estão no foco da Andreani no Brasil. "Nos especializamos em atender os fabricantes de produtos pequenos, mas de alto valor agregado", diz Cirimelo. Na Argentina, a empresa cuida até do transporte de vinhos para enotecas e também atende à fabricante de cosméticos brasileira Natura.
Mas o cliente que estimulou a entrada da Andreani no mercado brasileiro foi a empresa de telecomunicações Nextel. Como a crise da época limitava a possibilidade de expansão na Argentina, o grupo logístico decidiu acompanhar a Nextel, que também naquele momento inaugurava operação no mercado brasileiro.
São Paulo foi o primeiro passo. Três anos depois, foi aberta uma unidade no Rio. Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba vieram na sequência. A de Embu será a quarta em São Paulo. Com 500 empregados diretos, dos quais somente dois são argentinos, a operação brasileira, única fora da Argentina, é ainda pequena. Representa 12% de uma receita de US$ 225 milhões em 2013.
A estratégia até hoje não tem sido buscar uma expansão acelerada, diz Cirimelo, que deixou o mercado financeiro há quatro anos quando a família Andreani decidiu contratar um profissional para dedicar-se integralmente ao comando da sua atividade no Brasil.
Ainda que os volumes sejam tímidos, o ritmo dos investimentos no Brasil vai, no entanto, dar um salto este ano. Passará dos R$ 3,5 milhões em 2013 para R$ 12 milhões. A maior parte dos recursos será destinada a infraestrutura e sistemas. E mesmo num ambiente de crise econômica, o grupo também espera expansão na Argentina, onde sua receita cresceu 30% em 2013.
Cirimelo, que costuma ir ao Brasil com frequência, ainda não teve a chance de apreciar o artesanato, quadros e móveis que se espalham no centro histórico de Embu nos fins de semana. Diz, no entanto, que sabe por que a cidade onde vai inaugurar a próxima unidade chama-se "das Artes". Mas com a vocação de dedicar-se à logística para itens que exigem cuidado específico, é bem provável que o diretor argentino perceba oportunidade de negócios em algum atelier da cidade.

No mundo dos negócios, é comum comentar que momentos de crise abrem portas a novas oportunidades. O profundo colapso econômico que atingiu a Argentina em 2001 freou a expansão da atividade de muitas empresas. No grupo logístico Andreani percebeu-se que havia chegado o momento de direcionar os investimentos para o outro lado da fronteira. Foi, então, aberta uma filial em São Paulo em 2002 e poucos anos depois, a rede de representação cobria todo o Sul e Sudeste. A expansão continua. No próximo mês, Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo, receberá a oitava unidade brasileira.

Andreani é uma empresa familiar, que nasceu em 1945 na pequena Cacilda, cidade da província de Santa Fé, que hoje soma 35 mil habitantes. Jorge López, fundador e pai do atual presidente, dedicava-se, à época, ao transporte de produtos que abasteciam a área rural, num trajeto único, que ia de Cacilda a Rosário.

A atividade expandiu-se e hoje, com sede em Buenos Aires, Andreani lidera os serviços de logística de alto valor agregado no país. Trata-se de um segmento específico, voltado principalmente às indústrias de tecnologia, telefonia, farmacêutica e serviços financeiros. "Não concorremos com os grandes; que dominam, por exemplo, o transporte de grãos", diz o diretor de negócios internacionais, Carlos Cirimelo. "Trabalhamos com empresas que dependem da alta confiabilidade na embalagem e transporte de produtos delicados ou de alta tecnologia."

A estratégia de investir em nichos de mercado foi adotada também no Brasil. Laboratórios da indústria farmacêutica, como Abbott, representam a maior parte da carteira de clientes no país. A unidade que será inaugurada em Embu foi, inclusive, projetada por estar próxima de empresas desse setor.

O armazenamento e transporte de outros produtos delicados, como os instrumentos de precisão da Mitutoyo, também estão no foco da Andreani no Brasil. "Nos especializamos em atender os fabricantes de produtos pequenos, mas de alto valor agregado", diz Cirimelo. Na Argentina, a empresa cuida até do transporte de vinhos para enotecas e também atende à fabricante de cosméticos brasileira Natura.
Mas o cliente que estimulou a entrada da Andreani no mercado brasileiro foi a empresa de telecomunicações Nextel. Como a crise da época limitava a possibilidade de expansão na Argentina, o grupo logístico decidiu acompanhar a Nextel, que também naquele momento inaugurava operação no mercado brasileiro.

São Paulo foi o primeiro passo. Três anos depois, foi aberta uma unidade no Rio. Porto Alegre, Belo Horizonte e Curitiba vieram na sequência. A de Embu será a quarta em São Paulo. Com 500 empregados diretos, dos quais somente dois são argentinos, a operação brasileira, única fora da Argentina, é ainda pequena. Representa 12% de uma receita de US$ 225 milhões em 2013.

A estratégia até hoje não tem sido buscar uma expansão acelerada, diz Cirimelo, que deixou o mercado financeiro há quatro anos quando a família Andreani decidiu contratar um profissional para dedicar-se integralmente ao comando da sua atividade no Brasil.

Ainda que os volumes sejam tímidos, o ritmo dos investimentos no Brasil vai, no entanto, dar um salto este ano. Passará dos R$ 3,5 milhões em 2013 para R$ 12 milhões. A maior parte dos recursos será destinada a infraestrutura e sistemas. E mesmo num ambiente de crise econômica, o grupo também espera expansão na Argentina, onde sua receita cresceu 30% em 2013.

Cirimelo, que costuma ir ao Brasil com frequência, ainda não teve a chance de apreciar o artesanato, quadros e móveis que se espalham no centro histórico de Embu nos fins de semana. Diz, no entanto, que sabe por que a cidade onde vai inaugurar a próxima unidade chama-se "das Artes". Mas com a vocação de dedicar-se à logística para itens que exigem cuidado específico, é bem provável que o diretor argentino perceba oportunidade de negócios em algum atelier da cidade.

 

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