Infraestrutura

Atraso em obras deixa geradoras de energia eólica paralisadas no NE

Parques ociosos têm 622 MW de potência instalada.

Folha de São Paulo
14/01/2013 10:51
Visualizações: 909

 

Problemas de estrutura e atrasos em obras federais estão impedindo a operação de usinas eólicas, afetando investimentos e onerando os custos do setor no Brasil.
Hoje, por exemplo, há 26 parques eólicos prontos no Rio Grande do Norte e na Bahia, mas todos estão fora de operação porque o governo federal ainda não instalou linhas de transmissão para levar a energia produzida ao consumidor. Esses parques ociosos têm um total de 622 MW de potência instalada.
Se esses parques estivessem em operação, a energia deles (289 MW na BA e 333 MW no RN) seria capaz de iluminar o Rio Grande do Norte inteiro ou Salvador (BA), terceira maior cidade do país.
Outro exemplo: essa quantidade de energia ociosa equivale à potência da termelétrica de Uruguaiana (RS), que produz pouco mais de 600 MW com uma energia mais poluente e mais cara.
Prejuízo
Além do desperdício de energia, a paralisia custa caro. A cada mês, desde julho, o governo federal é obrigado a repassar R$ 33,6 milhões para compensar o prejuízo das empresas que colocaram R$ 1,2 bilhão naquele que seria o maior complexo eólico da América Latina, na região de Caetité (BA).
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que o ônus da ociosidade para a população alcançará os R$ 440 milhões até setembro, quando os parques devem, enfim, conseguir operar.
A responsabilidade pelas linhas de transmissão, para conectar as eólicas ao sistema nacional, é da estatal Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), do grupo Eletrobras.
Os atrasos chegam a um ano e meio.
"Não podemos dizer que os problemas de hoje são normais, mas não são irreversíveis. E todo setor que cresce de forma acelerada enfrenta gargalos de infraestrutura", diz Elbia Melo, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).
O cenário só não é pior porque seis parques no Ceará (186 MW), com conclusão prevista para 2012, atrasaram as obras. Caso estivessem prontos, elevariam as despesas do governo com compensações aos investidores.
Custo subestimado
Uma das críticas ao governo federal é que, nos leilões a partir de 2009, vencidos pela Chesf, o Ministério de Minas e Energia subestimou o custo da construção das linhas de transmissão em locais de difícil acesso.
Procurado por três dias, o ministério não respondeu à reportagem.
Já a Chesf aponta entraves de licenciamento ambiental e do patrimônio histórico (os trajetos das linhas cruzam sítios arqueológicos).
A empresa, porém, entrou com o pedido de licenciamento em Caetité poucos meses da entrega dos parques.
A seção baiana do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente negam dificuldades.

Problemas de estrutura e atrasos em obras federais estão impedindo a operação de usinas eólicas, afetando investimentos e onerando os custos do setor no Brasil.


Hoje, por exemplo, há 26 parques eólicos prontos no Rio Grande do Norte e na Bahia, mas todos estão fora de operação porque o governo federal ainda não instalou linhas de transmissão para levar a energia produzida ao consumidor. Esses parques ociosos têm um total de 622 MW de potência instalada.


Se esses parques estivessem em operação, a energia deles (289 MW na BA e 333 MW no RN) seria capaz de iluminar o Rio Grande do Norte inteiro ou Salvador (BA), terceira maior cidade do país.


Outro exemplo: essa quantidade de energia ociosa equivale à potência da termelétrica de Uruguaiana (RS), que produz pouco mais de 600 MW com uma energia mais poluente e mais cara.



Prejuízo


Além do desperdício de energia, a paralisia custa caro. A cada mês, desde julho, o governo federal é obrigado a repassar R$ 33,6 milhões para compensar o prejuízo das empresas que colocaram R$ 1,2 bilhão naquele que seria o maior complexo eólico da América Latina, na região de Caetité (BA).


A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que o ônus da ociosidade para a população alcançará os R$ 440 milhões até setembro, quando os parques devem, enfim, conseguir operar.


A responsabilidade pelas linhas de transmissão, para conectar as eólicas ao sistema nacional, é da estatal Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), do grupo Eletrobras.


Os atrasos chegam a um ano e meio.


"Não podemos dizer que os problemas de hoje são normais, mas não são irreversíveis. E todo setor que cresce de forma acelerada enfrenta gargalos de infraestrutura", diz Elbia Melo, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica).


O cenário só não é pior porque seis parques no Ceará (186 MW), com conclusão prevista para 2012, atrasaram as obras. Caso estivessem prontos, elevariam as despesas do governo com compensações aos investidores.



Custo subestimado


Uma das críticas ao governo federal é que, nos leilões a partir de 2009, vencidos pela Chesf, o Ministério de Minas e Energia subestimou o custo da construção das linhas de transmissão em locais de difícil acesso.


Procurado por três dias, o ministério não respondeu à reportagem.


Já a Chesf aponta entraves de licenciamento ambiental e do patrimônio histórico (os trajetos das linhas cruzam sítios arqueológicos).


A empresa, porém, entrou com o pedido de licenciamento em Caetité poucos meses da entrega dos parques.


A seção baiana do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente negam dificuldades.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ROG.e 2026
Shell destaca papel da capacitação para aproximar jovens...
25/09/26
Terminais
Ultracargo é reconhecida pelo quarto ano consecutivo com...
25/09/26
GNL
Edge e Governo do Rio Grande do Sul assinam Memorando de...
25/09/26
E&P
ANP contrata B3 para assessoria técnica às licitações de E&P
25/09/26
ROG.e 2026
Porto do Açu e Perenco Brasil assinam acordo para primei...
25/09/26
Brandend Content
Brasil Aços amplia estoque de tubos de aço carbono NACE...
24/09/26
ROG.e 2026
Lideranças apontam o Brasil como pilar de segurança ener...
24/09/26
ROG.e 2026
Firjan SENAI e Sebrae Rio conectam MPEs a grandes empres...
24/09/26
ROG.e 2026
Estudo da PPSA identifica boas práticas para apoiar deci...
24/09/26
ROG.e 2026
EAS participa da ROG.e 2026
24/09/26
ROG.e 2026
ROG.e 2026 reforça agenda de DE&I no setor de energia co...
24/09/26
ROG.e 2026
Programa Offshore do Futuro deve chegar a Sergipe para f...
24/09/26
ROG.e 2026
Shell Energy Brasil destaca oportunidade de ampliar inte...
24/09/26
PPSA
A parcela de petróleo da União foi de 328 mil barris por...
24/09/26
Apoio Offshore
Afretado pela Petrobras, o PSV Starnav Elektra é batizad...
24/09/26
ROG.e 2026
SONDA aposta em IA e Drones para operações críticas no s...
24/09/26
ROG.e 2026
O papel da Lumina e o impacto da ROG.e 2026 para a indús...
23/09/26
Negócios
Avanço acompanha expansão da cadeia de petróleo e gás e ...
23/09/26
ROG.e 2026
A energia inteligente no poço
23/09/26
ROG.e 2026
Como o profissional de Química impulsiona a inovação e a...
23/09/26
ROG.e 2026
IBP lança caderno de Projetos e Iniciativas de Responsab...
23/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25