Gás natural

Bahiagás investirá no aumento da distribuição

Valor Econômico
15/02/2005 00:00
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A Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás) tem planos de investir até R$ 90 milhões este ano para ajustar e ampliar sua malha de distribuição no Estado. Dos quase 4 milhões de metros cúbicos de gás comercializados por dia, 93% vão para a indústria - em especial para o pólo petroquímico de Camaçari e o centro industrial de Aratu -, mas a empresa prevê o crescimento do consumo em residências e em automóveis.
Segundo o presidente da Bahiagás, Petrônio Lerche Vieira, o número de postos de combustíveis que revendem o gás natural passará de 28 para 38 neste ano. Já o de condomínios que passariam a usar produto deverá subir dos atuais dez para 70. Ainda que de forma embrionária, a empresa, que concentra sua atuação na região metropolitana de Salvador, quer estender seu serviço para o interior do Estado. Feira de Santana, a 110 quilômetros da capital, será a primeira beneficiada.
A Bahiagás é controlada pelo governo baiano, que tem 51% de participação do capital. O restante está dividido em partes iguais de 24,5% entre Gaspetro , subsidiária da Petrobras, e Gaspart, consórcio privado de sete distribuidoras de gás no país.
Os investimentos da concessionária projetados para 2005 são uma prévia com vistas ao no próximo ano, quando começar a produção do campo de gás de Manati, em São Francisco do Conde, a 60 quilômetros de Salvador. "Todas as grandes vendas de gás são para 2006", diz Vieira.
A Bahiagás faturou cerca de R$ 620 milhões no ano passado. A expectativa é alcançar valor similar em 2005, na proporção do reajuste esperado para o preço do gás - de 5% a 7%. Para o ano que vem, com a produção em Manati, a empresa projeta salto de pelo menos 50% na receita.
A produção diária atual de gás na Bahia é de 6 milhões de metros cúbicos, volume que deverá dobrar com o início de operação de Manati. Hoje, 2 milhões de metros cúbicos são consumidos pela Fafen, subsidiária da Petrobras que faz uréia e amônia (insumos para fertilizantes e ração animal).
A Bahiagás vende os 4 milhões restantes. Segundo Vieira, poderia comercializar muito mais se houvesse mais gás para distribuir. "O ano de 2005 será de aperto para a gente", diz, com previsão de demanda por gás bem maior que a oferta.
A exploração do campo de Manati, prevista para janeiro de 2006, poderá viabilizar maior utilização por em residências e automóveis - embora esse não seja o principal objetivo da Bahiagás. "Estamos mais no mercado atacadista, vendendo para a indústria, mas partir para o varejo é também um desafio", afirma o executivo. Existe, por exemplo, a idéia de utilizar o gás natural nos "ferry-boats" que ligam Salvador à Ilha de Itaparica. Vieira aponta outra vantagem em ampliar a oferta do gás: atrair novas empresas para o Estado.

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