Jornal do Commercio - PE
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou crédito de R$ 542 milhões para a expansão do Estaleiro Atlântico Sul, no Complexo de Suape. O sinal verde da instituição financeira foi dado na última segunda-feira, durante reunião com executivos do empreendimento no Rio de Janeiro. O encontro era para discutir outro financiamento (o dos navios), mas o crédito para a ampliação acabou entrando na pauta. No domingo passado, o Jornal do Commercio publicou matéria mostrando que o EAS estava atrasando o pagamento de seus fornecedores por conta do atraso na liberação dos recursos.
Durante o lançamento da 15ª edição da Feira Mecânica Nordeste - Fimmepe 2009, na noite da quinta-feira, na Arcádia Boa Viagem, o presidente do Atlântico Sul, Ângelo Belellis, comentou que, com a aprovação do financiamento, a expectativa do estaleiro é regularizar o pagamento dos fornecedores em junho. “Postergamos os desembolsos enquanto os recursos não chegam. Até o final deste mês esperamos a liberação de R$ 290 milhões. Se sair, começamos a saldar as dívidas”, afirma o executivo, lembrando que falta preparar a minuta do contrato e apresentar ao setor jurídico. No ano passado, o BNDES já tinha aprovado um financiamento de R$ 513 milhões para a implantação do estaleiro. Hoje, o investimento no EAS está calculado em R$ 1,4 bilhão.
O BNDES é o repassador dos recursos do Fundo de Marinha Mercante (FMM), principal financiador da retomada da indústria naval no Brasil. De acordo com a assessoria de comunicação do banco, na segunda-feira também foi aprovado para o EAS um financiamento de R$ 541 milhões, que será aplicado na construção de cinco navios do tipo aframax, que o Atântico Sul vai construir para a Transpetro. O EAS ganhou o novo pacote de embarcações, depois que o Estaleiro Rio Naval (RJ) não teve condições de manter a encomenda, por falta de infraestrutura na sua planta naval.
“Estamos felizes porque a diretoria do BNDES aprovou os recursos. O atraso do pagamento aos fornecedores poderia atrasar o cronograma da obra. Hoje temos o ‘doce problema’ de ao mesmo tempo erguer a parte física do estaleiro, ir construindo os navios paralelamente às obras e treinar a mão de obra”, destaca Belellis. De acordo com o executivo, que apresentou um vídeo institucional sobre o estaleiro e fez palestra detalhando o empreendimento durante o lançamento da Fimmepe, a obra está 60% concluída. A previsão é concluir a construção até dezembro deste ano e entregar o primeiro dos dez navios petroleiros (suezmax) da encomenda da Transpetro em abril de 2010. O EAS conta com cerca de 100 fornecedores na obra e outros 300 na montagem dos navios.
O projeto do EAS foi ampliado de uma capacidade de processamento de aço de 100 mil para 160 mil toneladas. Quando estiver funcionando a pleno vapor, em 2010, a unidade vai gerar 5 mil empregos diretos e outros 25 mil indiretos. Uma das corridas da empresa é para ampliar a cadeia de fornecedores brasileiros para os navios, na tentativa de atender às exigências do Promef 1, que estabelece um índice de nacionalização de 65%, enquanto o do Promef 2 será de 70%. A Fimmepe será uma oportunidade de apresentar as necessidades do estaleiro aos empresários. Algumas empresas pernambucanas a exemplo da T&A, Galvaniza e Máquinas Piratininga já aparecem no rol das companhias que conseguiram se inserir. Outras, estão buscando associações com parceiros com expertise para se lançarem como candidatas.
Belellis diz que até 2015 o estaleiro já tem uma carteira de encomendas de 22 navios. Apesar do gordo pacote, a diretoria do EAS teme a concorrência com uma segunda planta naval que deverá aportar em Suape. “Temos acompanhado pela imprensa a chegada desse segundo estaleiro e nos preocupa porque desbravamos esse negócio aqui em Pernambuco. Começamos um processo do zero, treinamos mão de obra, desenvolvemos um programa ambiental e agora o concorrente vai chegar com tudo pronto”, argumenta o executivo. O governo de Pernambuco adianta que está negociando com três grupos nacionais que podem tentar associações com parceiros estrangeiros dos Estados Unidos, China e Coréia do Sul. O consórcio entre a coreana Sungdong e a Galvão Engenharia, além de Odebrecht e Andrade Gutierrez são algumas apostas do mercado para o estaleiro número dois.
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