Infraestrutura

Brasil precisa atrair investimento chinês para infraestrutura, diz diretor da CNI

Carlos Abijaodi afirma que desafio do governo brasileiro é direcionar os recursos da China para as concessões. Atualmente, o país investe em setores intensivos em recursos naturais e em aquisições.

Agência CNI de Notícias/Redação
30/08/2016 10:06
Visualizações: 1143

O investimento chinês é importante para a economia brasileira, no entanto, a China ainda está mais focada nos setores intensivos em recursos naturais e em aquisições de empresas. Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, o Brasil precisa saber direcionar os investimentos chineses para onde há mais carência no país, como as concessões de infraestrutura. “A agenda da indústria para a China tem três pontos: aumentar o acesso dos produtos brasileiros no mercado chinês, fomentar os investimentos de empresas chinesas em projetos estratégicos no Brasil e manter os instrumentos de defesa comercial”, afirmou Abijaodi. Ele participou nesta segunda-feira (29) do Fórum Indústria Latino-Americana: Qual é o Papel da China?, na Bolsa de Valores de Buenos Aires. O evento foi promovido pelo Centro Adrienne Arsht para a América Latina, do Instituto Atlantic Council.

Segundo o diretor da CNI, a expansão das exportações da China no mundo é um fato sem precedentes, com impactos diretos na economia brasileira. Atualmente, um em cada cinco produtos manufaturados importados é chinês. Em 2015, o Brasil comprou US$ 30 bilhões em bens acabados daquele país. A forte presença chinesa impactou, principalmente, os setores eletrônicos, máquinas e equipamentos, calçados, vestuário e têxtil. Abijaodi explicou que, nos eletrônicos, o coeficiente de importação do Brasil para a China aumentou de 3,4% para 17,6% entre 2012 e 2015. Para o setor vestuário, subiu de 1,1% para 7,5%. O coeficiente de importação mede a participação do insumo importado na produção.

Essa presença intensa explica a postura defensiva da indústria brasileira em relação à China. O Brasil se tornou um dos maiores aplicadores de antidumping do mundo e 40% das medidas aplicadas têm a China como alvo, especialmente em químicos, máquinas e equipamentos, têxteis e calçados. “Entretanto, ainda que timidamente, há setores que enxergam o potencial do mercado chinês para aumentar suas exportações e até seus investimentos no exterior”, disse.

BARREIRAS – A CNI mapeou 11 segmentos de produtos que o Brasil possui vantagem competitiva para exportar, da indústria e da agroindústria, e que sofrem com barreiras para entrar na China. São eles: carne de aves, carne bovina, carne suína, café torrado, suco de laranja, soja (grão e óleo), vinhos, couros e peles, celulose e papel, produtos químicos, máquinas e equipamentos médico e hospitalares.

As barreiras chinesas são, em geral, sanitárias e técnicas. Para o suco de laranja, por exemplo, as tarifas de importação são diferentes conforme a temperatura do suco. O imposto de importação é de 7,5% para suco a -18°C e 30% para sucos importados acima desta temperatura. Essa diferença de tarifa desestimula o uso do sistema a granel e obriga as empresas a transportar por tambores. O setor químico tem dificuldade para certificar e aprovar novas substâncias a serem comercializadas na China por falta de transparência. As empresas alegam não ter acesso a uma lista com mais de 3 mil substâncias consideradas confidenciais pelos chineses. Além disso, a maior parte dos documentos está em chinês, com dificuldade de interpretação.

“A China não é mais uma economia centralizada e também não é uma economia de mercado, existindo ainda controle de preços de insumos importantes, como aço, ou petroquímico e distorções no mercado de crédito do país, com empréstimos em condições mais facilitadas. Essas medidas desleais devem ser combatidas com medidas antidumping ou antissubsídios”, completou Abijaodi.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Apoio Marítimo
Wilson Sons lança novo rebocador para operar no Porto de...
14/05/26
Hidrogênio
ANP e OCDE realizam wokshop sobre gerenciamento de risco...
14/05/26
Pré-Sal
Campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, recebe tec...
13/05/26
Resultado
No primeiro trimestre de 2026 Petrobras registra lucro l...
13/05/26
Biometano
CNPE fixa meta inicial de 0,5% para biometano no gás nat...
13/05/26
Mão de Obra
Setor de Óleo & Gás enfrenta apagão de talentos diante d...
13/05/26
Evento
"Mato Grosso vai se tornar a Califórnia brasileira", diz...
13/05/26
Evento
Tauil & Chequer Advogados associado a Mayer Brown realiz...
13/05/26
Combustíveis
ANP fará consulta e audiência públicas sobre serviço de ...
12/05/26
Evento
IBP promove evento em São Paulo para debater futuro da e...
12/05/26
Internacional
Nos Estados Unidos, Firjan participa do Brasil-U.S. Indu...
12/05/26
Pessoas
MODEC anuncia Yosuke Kosugi como novo CEO no Brasil
11/05/26
BOGE 2026
John Crane oferece manutenção preditiva por meio de solu...
11/05/26
Gás Natural
Compass realiza IPO na B3
11/05/26
Crise
Estreito de Ormuz, sustentabilidade e arbitragem serão d...
11/05/26
Indústria Naval
Ghenova lidera engenharia dos navios gaseiros da Ecovix ...
11/05/26
Fenasucro
Fenasucro & Agrocana abre credenciamento de visitantes p...
11/05/26
Refino
Com 385 mil m³, RNEST bate recorde de produção de diesel...
11/05/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em baixa e amplia pressão sobre o ...
11/05/26
Energia Elétrica
Neoenergia renova mais três concessões e anuncia investi...
08/05/26
Sustentabilidade
Prêmio Firjan de Sustentabilidade: inscrições abertas at...
08/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23