Gás Natural

China contorna a Rússia e garante gás da Ásia Central

Valor Econômico
15/12/2009 09:33
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Um importante gasoduto que liga a Ásia Central à China começou a bombear gás natural ontem, na mais nova vitória do governo chinês em sua busca por novas fontes de energia para alimentar o crescimento de sua economia.

 

O novo duto é a primeira grande rota de exportação de gás da Ásia Central a contornar completamente a Rússia e será para tirar as ex-repúblicas soviéticas da região da esfera de influência econômica exclusiva de Moscou.

 

Concluído em pouco mais de dois anos, o primeiro estágio do duto Turcomenistão-China foi terminado antes mesmo do início das obras de projetos russos e ocidentais visando acesso aos países ricos em gás da Ásia Central.

 

A rota, ao longo de 1,8 mil quilômetros a partir do Turcomenistão, passa pelo Uzbequistão, até a fronteira do Cazaquistão com a China. Dentro da China, ele se extende por mais 4,5 mil quilômetros.

 

As entregas de gás do Turcomenistão para a China, por meio do duto, deverão atingir cerca de 6 bilhões de metros cúbicos no ano que vem, e esse fornecimento vai aumentar de forma crescente a cada ano, até alcançar 40 bilhões de metros cúbicos em 2015.

 

O gasoduto - que foi construído por mais de 8 mil trabalhadores ao longo dos últimos 27 meses - é o mais recente sucesso da China em uma vigorosa campanha para aproveitar o maior número possível de ativos energéticos através da Ásia Central.

 

"A China dá a mais alta prioridade à cooperação entre nossos vizinhos e esse gasoduto é testemunha da cooperação ininterrupta que continua florescendo entre nossas nações", disse o presidente chinês, Hu Jintao.

 

Somente neste ano, a China prometeu empréstimos de muitos bilhões de dólares para o Turcomenistão e o Cazaquistão, como parte de seu esforço para garantir ativos energéticos e direitos de exploração nos dois países.

 

Em uma cerimônia realizada por volta do meio dia de ontem em um campo remoto do nordeste do Turcomenistão, os líderes de China, Cazaquistão, Turcomenistão e Uzbequistão, usando luvas, giraram juntos uma torneira do duto, sob aplausos das pessoas presentes, dando início à primeira partida de gás.

 

"A passagem do duto por nossos países vai reviver a antiga Rota da seda, outrora um canal de troca intensa de produtos entre a Ásia e a Europa", disse o presidente do Turcomenistão, Gurbanguli Berdimukhamedov.

 

Visando o futuro, a China já está de olho no enorme campo de gás natural perto da fronteira afegã. Uma auditoria independente feita por uma companhia britânica no ano passado disse que o campo pode ser um dos cinco maiores do mundo.

 

O começo do bombeamento de gás do Turcomenistão para a China acontece com a ex-nação soviética envolvida em uma disputa com a Rússia. Até recentemente, o Turcomenistão vendia 50 bilhões de metros cúbicos de gás para a Rússia anualmente. No entanto, o bombeamento foi suspenso depois de uma explosão no duto em abril, cuja culpa o Turcomenistão atribuiu à Gazprom, o monopólio estatal do gás da Rússia. A Gazprom nega ter qualquer responsabilidade na explosão.

 

O duto foi reparado, mas o bombeamento não foi retomado, em meio a discussões sobre preços, uma vez que a demanda por gás entre os clientes europeus da Rússia caiu.

 

Todavia, analistas observam que a Rússia poderá vir a se arrepender da decisão de economizar no longo prazo. "O perigo para a Rússia é que, com a China aumentando seu comprometimento financeiro com a região e o governo russo envolvido em disputas como a entre a Gazprom e o Turcomenistão, sua outrora posição dominante poderá ser ainda mais abalada pela China", disse em uma nota a investidores Chris Weafer, estrategista do banco de investimento UralSib, de Moscou. Ele alerta que, se no futuro a Gazprom quiser ajudar o Turcomenistão a atender à demanda crescente da Europa, correrá o risco de ver o gás do Turcomenistão já vendido para a China.

 

A União Europeia está depositando suas esperanças re reclamar uma parcela do gás da Ásia Central no planejado duto de Nabucco que deverá custar US$ 11,7 bilhões - que também é apoiado pelos EUA - e percorrerá 3,3 mil quilômetros da Turquia até a Áustria, passando por Bulgária, Romênia, Hungria, e contornando a Rússia.

 

O Turcomenistão aparentemente já se comprometeu em fornecer gás por essa rota, mas até agora não houve muitos progressos concretos. Do mesmo modo, um duto de gás natural bancado pelo governo russo, ao longo do Mar Cáspio e que poderia dobrar o volume de gás russo comprado pela Ásia Central, ainda não saiu do papel.

 

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