Gás

Clandestinidade de GLP chega a 40%

Folha de Pernambuco (PE)
20/08/2010 10:11
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O combate à revenda irregular de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) permeou as discussões no 1° Encontro Nacional do Setor de Gás LP, que teve início na última quarta-feira e se estende até hoje. De acordo com o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello, a área mais “desafiadora” nessa questão é a Região Nordeste, com destaque para a capital pernambucana. “O Recife tinha praticamente extirpado a informalidade, chegando a 80% na eliminação desta prática. Mas houve um descuido e andamos para trás, com a volta de 20% desse comércio”, revelou. Ou seja, 40% do mercado continua na informalidade.

A negligência a que se refere o presidente diz respeito ao próprio Sindigás, mas também a autoridades locais. Em outubro de 2009, através de uma campanha de incentivo à compra de gás nas revendedoras legalizadas do Recife, com um projeto que já durava um ano, chegou-se ao resultado de redução em 80%. Foram mais de 300 denúncias sobre a clandestinidade no segmento. Porém, apenas em três meses do primeiro semestre deste ano, a falta de fiscalização devolveu uma fatia de 20% ao mercado. Em todo o Estado são vendidos mensalmente 1,5 milhão de botijões de GLP.

Com base em uma pesquisa inédita feita em dezembro de 2009 pela consultoria Copernicus, ficou revelado que 57% dos consumidores adquirem formalmente o gás liquefeito de petróleo, sendo que esse percentual se “mistura” com o número de clientes que procuram o meio clandestino de venda, estando em 47%. Ou seja, não há uma fidelização nesse sentido, haja vista que 52% optam por fazer trocas dentro desse comércio. “Não dá para a gente querer acabar com a ilegalidade, deixando a impressão de que estamos tirando um benefício”, frisou Mello, alertando para a importância de atender às principais reivindicações pela população.

Nesse sentido, a Copernicus mostra que a agilidade na entrega do produto é fator primordial para os entrevistados, enquanto que o preço mais baixo figura na 5ª posição. O tempo médio de espera aceitável é de 17 minutos. O máximo que se pode esperar é de 30 minutos. “Depois disso, é melhor nem entregar o gás”, brincou o presidente da consultoria, Alberto Cerqueira. Em 2012, espera-se alcançar a autossuficiência quanto ao uso do gás. O setor vem crescendo a um índice de 2,5% ao ano, mas há a perspectiva de que até 2020, com a adoção de medidas como a substituição da lenha em certas localidades, a produção ganhe um acréscimo de dois milhões de toneladas. Hoje, são produzidas anualmente 7 milhões de toneladas do GLP.

Em números absolutos, existem 70 mil revendas ilegais e 30 mil legais no Brasil. Com isso, 30% do resultado financeiro das empresas ficam comprometidos e são perdidos R$ 50 milhões por mês somente com a perda do Imposto de Renda (IR), sem contar que 60 mil empregos formais deixam de ser gerados. Os riscos para o consumidor são a ausência da nota fiscal para eventuais reclamações no caso de adulteração do conteúdo e até de um vazamento de gás. O GLP está sendo comercializado a uma média de R$ 38. Informalmente, está sendo vendido por um valor médio de R$ 37.
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