Gás natural

Comercializadora de energia da CPFL mira contratos financeiros e gás em 2017

Reuters, 22/02/2017
22/02/2017 08:35
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A comercializadora de eletricidade do grupo CPFL Energia pretende aproveitar este ano para entrar em novos segmentos de negócio, como os mercados de gás natural e de contratos financeiros de energia elétrica, disse à Reuters o presidente da unidade.

O engenheiro eletricista Daniel Marrocos, que chefiava a empresa interinamente desde meados de 2015, foi confirmado nesta terça-feira como diretor presidente da CPFL Brasil, uma das comercializadoras líderes no mercado livre de eletricidade, no qual grandes consumidores podem negociar contratos de energia ao invés de serem atendidos pelas distribuidoras.

Ele disse que a CPFL Brasil deverá realizar neste ano suas primeiras operações com contratos puramente financeiros de eletricidade, que são registrados na BM&FBovespa ou na Cetip, bem como obter as autorizações necessárias para atuar na comercialização de gás natural.

"São duas linhas de negócio que a gente entende que vão crescer e ganhar muita relevância no futuro", afirmou.

O governo federal lançou no ano passado um programa para desenvolver o setor de gás natural, o chamado "Gás para Crescer", e já há comercializadoras que negociam contratos puramente financeiros de energia no Brasil, mas ambos os mercados ainda são bastante incipientes no Brasil.

No setor de gás, o problema foi por um longo tempo a concentração de todas atividades nas mãos das Petrobras, o que deverá mudar gradualmente de acordo com o avanço do plano de desinvestimentos da estatal --que junto com o desenvolvimento da regulação deve abrir espaço para um mercado mais dinâmico no segmento.

"A gente entende que tem uma discussão que não vai ser tão rápida, é um mercado mais de médio prazo. Em três a quatro anos esse negócio deve evoluir para começar a de fato ganhar corpo", apontou Marrocos.

O executivo também aposta em eventuais compras de gás da Bolívia, especialmente após o fim do contrato da Petrobras para importação de gás boliviano, em 2019. Isso deve abrir espaço para que novos agentes comprem e revendam esse gás no Brasil, como as comercializadoras.

Além disso, a Bolívia já está tentando vender o excedente do gás, que não está sendo demandando pela Petrobras dentro do contrato, para outros clientes no Brasil, disse recentemente o ministro de Hidrocarbonetos do país andino, Luis Alberto Sánchez Fernández.

Futuro

Já os contratos financeiros de eletricidade são vistos pela CPFL Brasil como um meio de aumentar a liquidez do mercado livre de energia e ainda atrair novos investidores para transações no setor, como bancos e corretoras.

"O futuro... é que boa parte da energia que uma comercializadora vai operar será financeira, sem entrega física. Estamos nos preparando. Nossa ideia é ao longo de 2017 negociar alguns contratos nesse modelo... e ajustar o estatuto da companhia para poder operar nesse mercado", disse.

Ele também comentou que a CPFL Brasil está otimista quanto a seu desempenho no mercado livre de energia neste ano, uma vez que tarifas elevadas cobradas pelas distribuidoras devem seguir facilitando a busca das comercializadoras por mais clientes livres.

A expectativa da empresa é fechar o ano com expansão de 50 por cento no volume de eletricidade negociada com sua carteira de clientes.

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