Etanol

Demanda interna deve guiar produção de etanol no Brasil

Agência Estado
15/01/2008 03:30
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A demanda internacional por etanol do Brasil deve crescer, mas o mercado interno será o principal motor da produção no maior exportador mundial do biocombustível, disse um importante analista na segunda-feira.

Impulsionada pelas crescentes vendas de carros flex-fuel, a demanda por etanol foi recorde no país em 2007 e deve crescer novamente em 2008, com a indústria automobilística repetindo o desempenho, disse o presidente da Datagro, Plínio Nastari.

"Para os próximos sete anos, o mercado mais importante será o doméstico. Exportações de etanol crescerão, mas de maneira modesta", disse Nastari em São Paulo, durante o Summit Global da Reuters de Agricultura e Biocombustíveis.

Depois de permanecer estagnado por duas décadas, o consumo de etanol no Brasil cresceu 3,7 bilhões de litros para um volume recorde de 16,7 bilhões de litros em 2007. Neste ano, deve ter um aumento da ordem de 2,9 bilhões de litros, seguindo um aumento nas vendas de carros, disse o consultor.

O crescimento mais rápido da economia e a queda das taxas de juros no Brasil estimularam as vendas de veículos a crescer 28 por cento em 2007. O setor prevê crescimento de 18 por cento neste ano. As vendas de veículos flex respondem por 86 por cento do total no país.

Os preços competitivos do etanol em 2007 nos postos também influenciaram nas vendas de veículos, disse Nastari.

Mas a demanda mundial tem tido pouca importância nas expectativas da maior parte dos produtores e traders brasileiros em 2007. Uma alta acentuada da produção dos EUA, barreiras comerciais e alguma hesitação por parte dos governos em introduzir índices obrigatórios para a mistura do etanol à gasolina têm frustrado as previsões otimistas.

Depois de aumentarem em 2006, as exportações brasileiras de etanol caíram em 2007 para 3,8 bilhões de litros e devem cair novamente neste ano, para 3,4 bilhões de litros, segundo Nastari.

Nastari afirmou que a expansão do mercado local de etanol está causando uma "virada estrutural" na centenária indústria açucareira do Brasil, com as usinas priorizando mais a produção do combustível em relação ao açúcar.

A Datagro prevê que a demanda de etanol no país chegará a 32 bilhões de litros em 2014, quando o etanol responderá por 53 por cento do combustível utilizado por veículos leves, devido ao aumento da frota flex-fuel.

As exportações, porém, não devem ultrapassar 7 bilhões de litros até lá.

Naquele ano, as usinas estarão transformando cerca de 62 por cento da produção de cana do país em etanol, contra uma destinação de 55 por cento na safra 2007/08 do Centro-Sul.

A lei de energia dos EUA, que foi assinada em dezembro, pode, no entanto, sinalizar uma oportunidade para o combustível brasileiro até 2015. Mas isso não necessariamente ocorrerá, segundo o analista.

A lei sinaliza um teto para a produção de etanol à base de milho e estipula metas ambiciosas para o uso de outros tipos de matérias-primas para o etanol, como celulose, até 2015.

Essas metas, no entanto, podem ser facilmente mudadas no futuro para proteger a indústria dos EUA, segundo Nastari.

"O mercado mais promissor para o etanol são os Estados Unidos... (Mas) eu acredito que eles permanecerão com sua tarifa de importação (de 54 centavos de dólar por galão) e criarão uma cota, e administrarão essa cota de acordo com critérios geopolíticos", disse ele.

Apesar da tarifa, eventuais exportações diretas podem acontecer dependendo dos preços no Brasil e nos EUA.

Com o crescimento da demanda por etanol no mercado norte-americano no ano passado, os estoques do combustível diminuíram e os preços atingiram um nível em dezembro último (de 2,45 dólares por galão) que tornou temporariamente possível a exportação direta do Brasil, disse ele.
 
Fonte: Agência Estado

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