Gás natural

Distribuidoras retomam investimento

Valor Econômico
02/05/2005 00:00
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As principais distribuidoras de gás canalizado retomaram o fôlego e preparam para os próximos cinco anos um volume recorde de investimentos, que supera R$ 2,3 bilhões. Somente a Comgás, maior empresa do setor no país e que atua na região metropolitana de São Paulo, pretende aplicar R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos, dos quais R$ 400 milhões só em 2005. "Este será o ano das obras", afirma André Lopes de Araújo, diretor de marketing industrial da Comgás.
Boa parte dos investimentos das distribuidoras de gás ficou congelada nos últimos anos com o fracasso do programa de energia termoelétrica. Essas usinas prometiam ser as "âncoras" que viabilizariam a construção dos gasodutos.
Mas, agora, as empresas mudaram suas estratégias e passaram a apostar no consumo industrial e veicular. As concessionárias estão otimistas com a popularidade que o combustível vem ganhando junto às indústrias, comércio e, principalmente, no setor automotivo. Nos últimos anos, o crescimento do consumo de gás vem batendo recordes. Para manter esse ritmo de crescimento, as distribuidoras precisam construir as redes para levar o insumo até os seus clientes.
A Ceg e a Ceg-Rio, distribuidoras do Rio de Janeiro e interior do Estado, investirão R$ 818,7 milhões até 2007, sendo R$ 340 milhões em 2005. O projeto prevê levar o gás aos 37 municípios mais importantes do Rio, que representam 90% da população, até 2008. Hoje, 27 cidades são abastecidas.
A maior parte dos investimentos de 2005 será destinada à Ceg, que atende a capital e terá direito a R$ 260 milhões do total de R$ 340 milhões. A empresa aplicará 22% dos recursos no consumo residencial, 9,6% na recuperação de redes antigas e os quase 70% restantes na expansão da malha. A Ceg fechou 2004 com 668 mil clientes, e a meta para 2007 é de 858 mil.
A principal obra da concessionária neste ano será a conclusão do gasoduto São Gonçalo-Niterói, orçado em R$ 100 milhões, com 220 quilômetros de extensão, que suprirá a cidade de Niterói.
Já a Ceg-Rio receberá investimentos de R$ 80 milhões, volume muito maior que os R$ 51,6 milhões aplicados em 2004. A maior parte será destinada ao aumento da rede de distribuição.
A Gas Natural São Paulo Sul, empresa responsável pela distribuição de gás na região sul do Estado de São Paulo, encerrou 2004 com a superação de metas e prevê um crescimento ainda mais significativo para 2005. Em documento enviado pela empresa à Comissão de Serviços Públicos de Energia (CSPE), órgão regulador da área energética no Estado de São Paulo, ela comprometeu-se a investir R$ 227 milhões no aumento de sua rede de distribuição nos próximos cinco anos. O plano de negócios prevê para 2005 investimentos de mais de R$ 100 milhões na ampliação de ramais existentes e na construção de um novo ramal com 102 km de extensão que passará pelas cidades de Porto Feliz, Boituva, Tietê, Cerquilho, Jumirim, Laranjal Paulista, Avaré e Cesário Lange. A empresa cresceu no último ano 229,1% em consumo no mercado residencial, 107% no comercial, 153% no industrial e 50,2% no consumo veicular.
Outra distribuidora de gás do Estado de São Paulo, a Gas Brasiliano - posta à venda pela sua controladora Eni, da Itália - também pretende retomar os investimentos neste ano, depois de ter enfrentado vários problemas. A empresa quer aplicar R$ 280 milhões até 2009 em novas malhas de gasodutos, e a atual rede, de 168 km, deverá ter o acréscimo de outros 525 km de dutos até lá.
Nos últimos cinco anos os investimentos feitos pela Gas Brasiliano somaram apenas R$ 55 milhões, e a empresa não conseguia as licenças ambientais para a construção dos seus gasodutos. A concessionária também viu os seus planos de fornecimento para termelétricas frustrados. Mas o crescimento do consumo verificado recentemente no país animou a empresa.

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