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EMPREENDER DEMANDA RELAÇÕES DE CONFIANÇA - Entrevista com Luiz Mandarino, diretor executivo de Empreendedorismo, Startups e Novos Negócios do Energy Summit Global e do Energy Center da MIT Technology Review Brasil

Redação TN Petróleo/Assessoria FEPE
06/03/2026 17:34
EMPREENDER DEMANDA RELAÇÕES DE CONFIANÇA - Entrevista com Luiz Mandarino, diretor executivo de Empreendedorismo, Startups e Novos Negócios do Energy Summit Global e do Energy Center da MIT Technology Review Brasil Imagem: Divulgação Visualizações: 130

E para isso é essencial que haja um espaço no qual todos os atores possam se encontrar e discutir quais os melhores caminhos. Estabelecer esse espaço é a proposta do FEPE – Fórum de Educação, Pesquisa e Empreendedorismo, que vai se realizar na próxima semana, entre 10 e 13 de março, no CENPES/Petrobras, no Rio de Janeiro.

“Grandes oportunidades raramente surgem apenas de um pitch ou de um e-mail frio. Elas nascem de relações de confiança construídas dentro do ecossistema”, afirma Luiz Mandarino (foto), diretor executivo de Empreendedorismo, Startups e Novos Negócios do Energy Summit Global e do Energy Center da MIT Technology Review Brasil

“O FEPE tem um enorme potencial para se tornar exatamente esse tipo de “plataforma’ de articulação estratégica, conectando educação, pesquisa e empreendedorismo no setor de energia”, diz Mandarino, que é do comitê gestor do FEPE no pilar de Empreendedorismo. 
Como transformar pesquisadores e engenheiros em líderes de inovação e fundadores de empresas é uma das questões que estão na pauta desse debate.

“Muitas ideias promissoras ainda ficam restritas ao ambiente acadêmico ou a protótipos iniciais, sem conseguir avançar para aplicações industriais ou escalabilidade de mercado”, observa Mandarino. 

O FEPE conta com o apoio institucional da Petrobras, da  ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, do IBP – Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, do CEPETRO – Centro de Estudos de Energia e Petróleo, do ALFA Research Group, da Universidade Estadual de Campinas e tem a TN Petróleo como mídia institucional.

Quais são hoje as maiores oportunidades de empreendedorismo no setor de energia no Brasil?
Luiz Mandarino – O setor de energia no Brasil e no mundo atravessa uma transformação profunda. Essa mudança é impulsionada por grandes vetores estruturais — digitalização, descarbonização, descentralização, democratização e diversificação da matriz energética. Esses drivers estão redesenhando a forma como produzimos, distribuímos e consumimos energia, abrindo uma janela histórica de oportunidades para o empreendedorismo tecnológico.

No entanto, hoje enfrentamos dois grandes desafios no ecossistema de inovação em energia. O primeiro e a densidade: precisamos aumentar o número de startups atuando no setor energético. O segundo é maturidade, sendo necessário acelerar o grau de prontidão tecnológica e comercial dessas soluções.
Muitas ideias promissoras ainda ficam restritas ao ambiente acadêmico ou a protótipos iniciais, sem conseguir avançar para aplicações industriais ou escalabilidade de mercado.

Nesse contexto, quais as brechas que possibilitariam ao empreendedorismo avançar no setor energético brasileiro?
Vejo cinco grandes frentes:  
1. Inteligência artificial, dados e blockchain aplicados à energia – soluções para previsão de geração e demanda, otimização de ativos, manutenção preditiva, trading energético e eficiência operacional.
2. Abertura e digitalização do mercado de energia – a expansão do mercado livre cria espaço para novos modelos de negócio, plataformas digitais de comercialização, agregadores e serviços energéticos.
3. Flexibilidade do sistema elétrico – com maior penetração de renováveis, cresce a demanda por tecnologias como armazenamento distribuído, mobilidade elétrica, resposta à demanda, usinas virtuais e novos modelos tarifários.
4. Biocombustíveis avançados – o Brasil tem enorme vantagem competitiva em SAF, HVO, biometano e bioenergia, que serão essenciais para descarbonizar setores como aviação, transporte pesado e indústria.
5. Soluções para Net Zero – inclui tecnologias de captura, uso e armazenamento de carbono (CCUS), petróleo de baixo carbono, hidrogênio e mercados de crédito de carbono.

Como eventos como o FEPE ajudam a transformá-las em negócios escaláveis?
Eventos como o FEPE são fundamentais porque criam um ambiente estruturado para conectar os cinco atores essenciais do ecossistema de inovação: empreendedores, corporações, universidades,  governo e capital de risco. Ao reunir esses atores em torno dos três pilares centrais — educação, pesquisa e empreendedorismo — o fórum permite alinhar agendas, identificar desafios reais do setor e estruturar iniciativas capazes de transformar soluções tecnológicas em negócios escaláveis e aplicáveis à indústria de energia.

Você lembra algum exemplo de startup que avançou graças a conexões feitas em eventos setoriais, e que lição empreendedora esse case pode trazer para quem participa do FEPE?
Eventos setoriais cumprem um papel extremamente importante: além do conteúdo técnico e estratégico, eles criam um ambiente de networking qualificado e engajamento entre os principais atores do ecossistema. Um exemplo interessante vem do Energy Summit Global, no qual vimos na prática como conexões feitas no evento podem evoluir para parcerias estratégicas.

Em 2024, por exemplo, o evento foi o ponto de partida para uma colaboração entre Pix Force e Volters criaram soluções baseadas em Inteligência Artificial para a leitura automática de faturas energéticas, otimizando a eficiência e segurança operacional.
Já em 2025, implementamos uma área nova dedicada a networking e matchmaking de inovação, que gerou aproximadamente 1.000 reuniões agendadas entre startups, corporações e investidores. Muitas dessas conversas evoluíram posteriormente para provas de conceito, pilotos e parcerias comerciais.

O que tudo isso quer dizer?
A principal lição empreendedora é clara: grandes oportunidades raramente surgem apenas de um pitch ou de um e-mail frio. Elas nascem de relações de confiança construídas dentro do ecossistema. Assim, acredito que eventos como o FEPE funcionam justamente como plataformas de conexão estratégica, onde empreendedores podem validar ideias, entender melhor as dores reais da indústria e iniciar relações que, no médio prazo, podem se transformar em contratos, investimentos ou projetos conjuntos.

Quais são os principais desafios que founders enfrentam ao buscar parcerias com corporações e investidores, e que conselho prático você daria a quem vai ao FEPE para maximizar essas oportunidades?
Hoje existem dois grandes desafios estruturais para startups que atuam no setor de energia. O primeiro está na relação entre startups e grandes corporações. O setor energético é altamente regulado e intensivo em capital, e muitas empresas possuem processos de contratação muito complexos, com exigências técnicas, jurídicas e financeiras que acabam favorecendo fornecedores tradicionais.

Apesar de existirem hoje muitos programas robustos de inovação aberta, o grande desafio ainda é transformar pilotos e provas de conceito em contratos de longo prazo com escala industrial. O segundo desafio está relacionado ao capital de risco. Muitas soluções energéticas são deep tech ou hard tech, o que significa ciclos de desenvolvimento mais longos e necessidade de capital paciente. Nem todos os fundos estão preparados para esse tipo de investimento.

Mais uma vez, como é possível avançar? 
Vejo duas grandes oportunidades de avanço. Primeiro, tendo modelos de contratação mais ágeis para inovação, com mecanismos como fast tracks, sandboxes regulatórios e critérios diferenciados para soluções tecnológicas emergentes. Segundo, com a criação de novos veículos de investimento, mono ou multicorporativos, que possam canalizar recursos para inovação energética — inclusive aproveitando mecanismos existentes como os recursos obrigatórios de P&D da ANEEL e da ANP.

Para quem vai participar do FEPE, meu conselho prático é simples: não vá ao evento apenas para apresentar sua solução — vá para entender profundamente o problema que a indústria precisa resolver. Startups que conseguem traduzir tecnologia em impacto operacional, redução de custos ou aumento de eficiência têm muito mais chance de construir parcerias duradouras.

Como você enxerga o papel de hubs, venture builders e programas como MIT REAP na formação de ecossistemas locais de empreendedorismo — e que papel o FEPE pode desempenhar nessa cadeia?
Ecossistemas de inovação não surgem espontaneamente — eles precisam ser orquestrados. Experiências internacionais mostram que ambientes inovadores bem-sucedidos possuem estruturas que atuam como plataformas de articulação entre ciência, mercado e capital. Nesse contexto, hubs de inovação, venture builders e programas de desenvolvimento de ecossistemas desempenham papéis complementares. Hubs de inovação criam espaços de conexão e colaboração entre startups, universidades e corporações.

Venture builders ajudam a transformar conhecimento científico ou tecnológico em empresas estruturadas, oferecendo suporte estratégico, acesso a mercado e capital.

Programas como o MIT REAP (Regional Entrepreneurship Acceleration Program), do qual tive a oportunidade de participar, trazem uma abordagem sistêmica: eles trabalham com os chamados “cinco stakeholders do ecossistema” — governo, universidades, corporações, empreendedores e investidores.

O FEPE também pode ter um papel similar?
O FEPE tem um enorme potencial para se tornar exatamente esse tipo de “plataforma’ de articulação estratégica, conectando educação, pesquisa e empreendedorismo no setor de energia. Mais do que um evento, ele pode funcionar como um espaço de construção de agendas comuns, onde universidades entendem melhor as demandas da indústria, empresas acessam inovação tecnológica e empreendedores encontram caminhos para escalar suas soluções.

Se pudesse deixar um desafio ou chamada à ação para os empreendedores que assistirão ao seu painel no FEPE, qual seria e como eles podem começar a agir já hoje?
Algo simples, mas poderoso: não criem apenas startups — criem soluções capazes de transformar sistemas inteiros. A transformação energética é provavelmente uma das maiores oportunidades empreendedoras da história. Estamos falando de trilhões de dólares em investimentos globais nas próximas décadas.

Mas para capturar essa oportunidade é preciso ir além da tecnologia. Empreendedores precisam desenvolver três capacidades fundamentais:
1. Entender profundamente os problemas da indústria - Conversar com operadores, engenheiros e gestores do setor energético.
2. Construir soluções com base em ciência e tecnologia robusta - o setor de energia exige confiabilidade, segurança e desempenho.
3. Pensar desde o início em escalabilidade e impacto sistêmico - ou seja, como aquela solução pode transformar cadeias inteiras de valor. O FEPE é um excelente ponto de partida para isso.

O que você recomendaria a quem vem ao FEPE?
Minha recomendação é que cada empreendedor que participe do evento saia de lá com três coisas: gere três conexões de valor para formatar uma nova parceria estratégica; faça pelo menos uma contribuição de ação estruturante aos pilares do FEPE - Educação, Pesquisa e Empreendedorismo e saia com um próximo passo claro para escalar seu projeto. Se conseguirmos fazer isso acontecer, o FEPE terá cumprido um papel fundamental na construção do futuro do empreendedorismo energético no Brasil.


 

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