Estratégia

Entraves da Suzano para brilhar na petroquímica

Valor Econômico
07/03/2005 00:00
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A Suzano Petroquímica, a holding que carrega as participações petroquímicas da família Feffer, está disposta a brigar por um lugar ao sol. A empresa decidiu que sua vocação é ficar entre as duas ou três grandes companhias privadas no processo de consolidação do setor.
A empresa admite que uma vaga já foi preenchida. "A Braskem já se consolidou como um dos players no Nordeste e no Sul", afirmou o diretor de finanças e relações com investidores da Suzano Petroquímica, João Nogueira Batista. "No Sudeste, somos o principal player da região e não há consolidação que não passe pela Suzano", disse o executivo, em conferência telefônica à jornalistas, na sexta-feira.
Há críticos que não acreditam nas pretensões do grupo Suzano. Sugerem que os executivos lustram seus ativos para vendê-los futuramente com preços mais altos, quando forem exigidos recursos vultosos para seu negócio principal - papel e celulose.
A visão da Suzano é focar seus negócios em duas resinas termoplástica - polipropileno e polietileno. Seu interesse passa por aquisições ou fusões no Sudeste. Nogueira Batista descarta quaisquer interesses em ativos do grupo Ipiranga, concentrados no Sul, ou do grupo Ultra, que não atua hoje mais em resinas.
No curto prazo, a Suzano comemora. Seus resultados foram recordes - lucro líquido de R$ 109 milhões em 2004 ante um ganho de pouco mais de R$ 2 milhões em 2003. A entrada em operação da Rio Polímeros (Riopol), prevista para o segundo trimestre, além do crescimento de outras operações, deve fazer com que a geração de caixa da Suzano suba de R$ 241 milhões para R$ 375 milhões em 2005 e a margem cresça de 15% para 18%.
Até 2008, a Suzano diz que tem condições de crescer a produção de suas coligadas em 70% com investimentos tidos como "marginais". A Riopol exigiu investimentos superiores a US$ 1 bilhão para começar produzindo 540 mil toneladas. Para o salto seguinte, que prevê chegar a 700 mil toneladas, o investimento é de US$ 100 milhões. A Polibrasil, para dar um pulo de mais 250 mil toneladas de polipropileno, precisará de US$ 70 milhões - uma fábrica do zero nesta escala não custa menos de US$ 200 milhões.
No entanto, a Suzano ainda é diminuta em relação a sua principal rival, a Braskem. Sua receita líquida em 2004 foi de R$ 1,6 bilhão, comparado à receita de R$ 11 bilhões da empresa controlada pela Odebrecht.
Os ativos da Suzano estão dispersos. Depois de quase um década, a Petroflex, que produz borracha sintética, passou a colaborar hoje no resultado, mas não faz parte do foco de negócios da companhia. A Politeno, que produz polietileno, está na Bahia e sua capacidade está limitada ao fornecimento da central de matérias-primas controlada pela Braskem, também sócia da Politeno. Nogueira Batista diz que não há conflitos no momento, mas que o futuro da participação da Suzano na Politeno dependerá deste fornecimento, embora a holding não descarte a venda de sua fatia na empresa. Ele não quis revelar quanto ela valeria.
A Polibrasil, que tem a Basell como sócia da Suzano, é a principal geradora de caixa do grupo. A Suzano já disse publicamente que desejaria comprar a parte da sócia (que está sendo colocada à venda no exterior pelos controladores Shell e Basf). Mas a Basell refutou qualquer oferta de venda isolada de suas empresas.
Para piorar, a Petrobras firmou acordo para construir com a Braskem uma unidade de polipropileno em Paulínia (SP), permitindo o ingresso da rival no Sudeste até meados de 2007.
Analistas avaliam que o grupo teria de dar um passo mais ousado para transformar sua holding de participações em uma companhia operacional, aproveitando a integração de uma central de matérias-primas à suas unidades de produção de resinas.
Com a Riopol, parte da estratégia de integração da primeira com a segunda geração será cumprida. Mas caso a Petrobras exerça sua opção, que vence em abril, para equivaler seu capital na mesma proporção das ações da Odebrecht na Braskem, a estatal seria obrigada a deixar o capital da Riopol e outras centrais de matérias-primas. "Não interessa a ela (Petrobras) desfazer de suas participações", disse Nogueira Batista, que acrescentou que a Suzano compraria a parte da estatal na Riopol caso haja o exercício da opção.
Talvez, o grande pulo do gato da Suzano fosse uma integração ou compra dos ativos do grupo Unipar, sócio na Riopol e controlador da Petroquímica União, a central de matérias-primas de São Paulo. "Temos uma relação amigável com eles e examinaríamos uma proposta, mas até onde está colocado a Unipar não está à venda", disse Nogueira Batista. Segundo avaliações de executivos, a Unipar valeria cerca de US$ 700 milhões.
Enquanto as pedras deste xadrez não se movimentam, a Suzano faz sua parte no mercado de capitais, onde se reorganiza para dar mais liquidez às suas ações para uma futura tacada no futuro.

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