O Estaleiro Atlântico Sul (EAS) importou duas vezes enormes pedaços dos navios que foram contratados pela Transpetro. Hoje, em Suape, segundo a administração do porto, atracam 11,5 mil toneladas de casco, que já apresenta claros contornos de uma embarcação. A estrutura corresponde a 49,2% do peso de um Suezmax - o João Cândido e o Zumbi dos Palmares, por exemplo, têm 23,3 mil toneladas cada. E será rebocada até o chamado dique seco do EAS amanhã. Lá será complementada pelos operários de farda cinza para assim dar forma ao quarto petroleiro encomendado dentro da primeira versão do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef I).
O Dragão do Mar, terceira encomenda, que já está no mar recebendo as obras de acabamento, também teve parte de sua estrutura importada. O que tira o brilho da redução no índice de retrabalho para 3% (no João Cândido foi de 40%), celebrado pelo EAS. Tecnicamente, foi montado a partir de um maior número de estruturas de grandes dimensões, os chamados megablocos. Nele, foram 11 desse tipo e 28 blocos menores. Para o quarto navio, ainda sem nome, o patamar buscado são 11 e 26, respectivamente.
As duas operações foram autorizadas pela Transpetro. No entanto, terminam por arranhar a imagem do Promef. Alardeado pelo seu mentor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como propulsor da retomada da indústria naval brasileira a partir do momento que obriga os estaleiros que recebem as encomendas a adotar o chamado índice de nacionalização de, no mínimo, 65%, o programa enfrenta diversos desafios, com atrasos de até 20 meses em entregas, como foi o caso do primeiro navio do EAS.
O estaleiro pernambucano é o maior exemplo do quanto a jornada de ressurreição da indústria naval do País é recheada de problemas (confira na arte ao lado). Por meio de nota, o EAS comentou que, “no sentido de aprimorar cada vez mais sua produção (...) foi importado um megabloco de navio, operação que faz parte do dia a dia da indústria naval”.
“A importação da peça é uma escolha da organização e vem reforçar o processo de maturidade e consolidação do EAS, marcado pelo início da construção simultânea de embarcações em sua planta naval. Além disso, são poucos os portos no Brasil que têm condições de receber uma peça dessa magnitude, e Suape está entre eles”, amenizou a nota. A empresa garantiu que, apesar da importação, foi respeitado o índice de 65%.
A mesma garantia foi dada pela Transpetro, que, também em nota, informou apenas que “mantendo a premissa do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef) e o compromisso contratual de conteúdo nacional mínimo de 65% por navio, o EAS importou uma parte do casco para a construção do 4º Suezmax”.
A origem do casco importado não foi informada, porém, o navio que traz o carregamento é de bandeira chinesa e saiu do porto de Dalian, também na China.