Gás Natural

Estudo avalia expansão do uso de gás natural em São Paulo

Segundo professor do Departamento de Geografia da USP, no ambiente doméstico, ao menos 50% do consumo de eletricidade poderia ser convertido para gás natural.

Portal Maxpress
14/06/2016 16:09
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Pesquisadores do Centro de Pesquisa para Inovação em Gás Natural (“Research Centre for Gas Innovation” – RCGI na sigla em inglês) estão avaliando o potencial de expansão do uso do gás natural na cidade de São Paulo, de forma conjugada, complementar ou substitutiva à eletricidade. Um dos projetos do RCGI, coordenado por Luis Antônio Bittar Venturi, geógrafo e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, parte do pressuposto de que ao menos 50% do consumo doméstico de energia poderia ser convertido para gás natural, especialmente se for considerado que a cidade tem uma boa infraestrutura de distribuição de gás.

“Defendemos que a energia elétrica fique restrita à utilização onde ela é absolutamente necessária: nos eletroeletrônicos, nos sistemas de comunicação e no transporte sobre trilhos”, afirma Venturi. Em sua avaliação, toda energia elétrica usada para gerar calor é pouco racional, pois calor (e mesmo refrigeração) pode ser gerado por meio de outras fontes mais baratas, como o gás natural. Um exemplo seria o chuveiro elétrico que, embora eficiente (pois quase toda a eletricidade se converte em água quente) é pouco racional, na medida em que usa uma energia nobre para um trabalho simples. “Eficiência energética e racionalidade do uso de energia são conceitos diferentes ”, pondera.

O estudo, cujos primeiros resultados estarão prontos em dois anos, vai integrar dados censitários do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)e dos grids de gás natural e elétrico existentes em uma região “teste” (um setor censitário), por meio de um Sistema de Informação Geográfica. Nesta etapa, serão avaliadas as possibilidades de conversão de uma fonte para outra. “Vamos usar um setor censitário como base cartográfica porque nele temos dados padronizados, como número de ocupantes por imóvel, por exemplo, além de estarem georreferenciados. Escolhemos inicialmente uma área de cerca de seis quadras, adjacente à avenida Paulista, como área teste.”

Em um segundo momento, a equipe de pesquisadores (que inclui também dois alunos de pós-graduação e um de graduação)irá se debruçar sobre áreas teste mais específicas: industrial, hospitalar (considerada especial pelo IBGE) e assim por diante. “No final, teremos exemplos de áreas com diferentes usos. E quanto mais representativas do todo elas forem, mais facilmente poderemos generalizar os resultados para toda a cidade, transpondo-os para as áreas não estudadas, mas que guardem semelhanças com as áreas teste”, explica o geógrafo.

Mapa – O produto final será um grande mapa síntese da cidade, com legendas, mostrando tanto a gradação do potencial de expansão do uso do gás quanto o comportamento das áreas em cada uma das cinco variáveis analíticas: vulnerabilidade (relacionada principalmente a falhas no fornecimento de energia elétrica); resiliência (que se refere a quanto tempo uma área que sofreu corte restabelece o fornecimento de energia); viabilidade técnica e econômica da conversão; sustentabilidade ambiental e racionalidade do uso de energia.

De acordo com o geógrafo, além da dimensão doméstica, o transporte público também se beneficiaria do uso do gás, pois é menos poluente e mais barato que os outros combustíveis fósseis. O estudo também levará em consideração os ganhos ambientais relacionados à expansão do uso do gás natural em São Paulo.

 

 

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