Gás natural

Gás light de Manati exige soluções específicas

O gás do Campo de Manati tem menor poder calorífico do que determinam as especificações da ANP, por isso não pode entrar na rede de transporte e distribuição. A Bahiagás vai negociar fornecimentos diretos a indústrias e termelétricas.


24/08/2006 00:00
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O gás do Campo de Manati tem menor poder calorífico do que o especificado na portaria 104 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O gás "light" começará a ser produzido em setembro para o mercado baiano, mas sua distribuição exige soluções específicas, uma vez que essa molécula não pode se misturar nas redes de transporte ou de distribuição.

A produção inicial do Campo de Manati será de cerca de 2 milhões de m³ por dia, o que já representa mais de 30% do mercado baiano, que consome 5,5 milhões de m³ diariamente. A máxima vazão do campo, esperada para 2008, será de 6 milhões de m³ por dia e representará uma das maiores fontes de gás do estado, que hoje produz cerca de 3 milhões de m³ por dia e importa 1,5 milhão de m³ dos campos de Sergipe e Alagoas.

O gerente de operações da malha Sudeste e Sul da Petrobras, Eduardo Frederico Runte Junior, explica que as soluções possíveis para este tipo de gás são misturar o gás "light" com outro de maior poder calorífico na unidade de tratamento ou negociar sua distribuição a um consumidor específico. "O nitrogênio reduz o poder calorífico e talvez dê problemas para uso em GNV, mas as indústrias, que não precisam de tanta potência, podem usar", comenta. Segundo ele, também é possível retirar a substância, mas às vezes o preço não compensa e é melhor negociar o gás fora do padrão com um consumir específico.

O gás de Manati tem 7% de nitrogênio, enquanto as epecificações da ANP determinam que o normal é ter 0,5% deste elemento químico no gás natural. O gerente da Petrobras informa, no entanto, que este não é o único gás fora de especificação no país. O gás da Bacia do Amazonas tem 12% de nitrogênio em sua composição. "Mas está fechado em um sistema isolado", observa.

O gerente de projeto da Companhia de Gás da Bahia (Bahiagás), Francisco José Calmon Bacellar, explica que a distribuidora baiana vai fornecer o gás para os setores industrial e termelétricas e haverá uma compensação econômica. "Não vamos vender o volume de gás, mas vender a energia. Assim, haverá uma conta segundo a qual o consumidor paga pelo poder calorífico e adquire o volume necessário para atingir essa necessidade", resume.

Durante o seminário sobre gasodutos promovido pelo International Business Communications (IBC), foi levantada a possibilidade de a Petrobras solicitar alteração da especificação da ANP sobre o gás natural, ao que Runte não soube responder se há alguma conversa neste sentido. Ele lembra, ainda, que o nitrogênio é um gás sem nenhum efeito em termos de segurança ou contaminação. "Veja, 90% do que respiramos é nitrogênio", diz.

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