Gás Natural

Governo americano dobra estimativa das reservas de gás do país

Valor Econômico
17/12/2010 10:09
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As reservas de gás natural dos EUA são muito maiores do que previamente estimado, disse a Administração de Informação de Energia americana, sugerindo que uma produção maior pode sustentar preços mais baixos do que esperados um ano atrás.
 

Em seu Panorama Anual de Energia 2011, a AIE mais do que dobrou sua estimativa das reservas técnicas de gás de xisto com capacidade de extração. Dos 353 trilhões de pés cúbicos para 827 trilhões de pés cúbicos. Essa estimativa pode ser o suficiente para cobrir todo o consumo de gás dos EUA por 36 anos.
 

O gás de xisto está preso em rochas e até há pouco tempo sua extração não era economicamente viável. Mas o caminho para isso foi aberto pela queda dos custos de produção, usando técnicas como a perfuração horizontal de longa distância e a "fraturação hidráulica": a injeção de água e aditivos em grande pressão, provocando a quebra da rocha e o escape do gás.
 
 
O rápido desenvolvimento da produção de gás de xisto já teve efeitos profundos sobre os sistema de energia dos EUA, provocando a queda dos preços e levando empresas a investir em fábricas para produzir gás natural liquefeito superfrio, que pode ser exportado para a Europa ou para a Ásia em navios.
 

A previsão da AIE é de que o preço médio do gás na boca do poço fique abaixo de US$ 5 por 1 mil pés cúbicos até 2022.
 

Isso representa um aumento muito pequeno em relação aos preços dos mercados futuros de hoje, que são de US$ 4,2 por 1 mil pés cúbicos, em contratos de entrega para o mês que vem.
 
 
Os preços mais baixos do gás vêm sendo usados como argumento para a postergação de investimentos em energia nuclear ou eólica, pois fazem da geração de energia pelo gás mais competitiva.
 

A AIE prevê que o preço da eletricidade vá cair de US$ 0,098 por kilowatt/hora em 2009 para US$ 0,0 89 em 2016 e que se mantenha em US$ 0,092 (usando os preços do dólar em 2009) em 2035.
 

Como resultado, energia renovável, como a hidrelétrica, deve aumentar para apenas 14% da geração de eletricidade em 2035, contra 11% em 2009.
 

Entretanto, esse ritmo fraco de crescimento leva em conta que os subsídios do governo para geração de energia de fontes renováveis realmente expirem, em vez de serem estendidos. A AIE nota que "a extensão pode ter um grande impacto sobre a geração de energia de fonte renovável".
 

O pacote com os cortes de impostos sendo discutido agora no Congresso americano inclui a extensão de um incentivo para investimentos que cobre 30% dos custos dos projetos de energia renovável. Mas, se aprovada, a extensão será de apenas mais um ano.
 

As indústrias de energia solar e eólica já advertiram que poderia enfrentar um colapso de investimentos se os incentivos expirassem no final do ano.
 
 
A AIE também prevê um aumento moderado em termos reais no preço do petróleo, dos atuais US$ 88 por barril (preço de ontem) para US$ 125 (em dólares de 2009), ou cerca de US$ 200 (em termos nominais), até 2035.
 

A agência prevê um aumento na produção de petróleo em países como Rússia, Cazaquistão, Brasil e Canadá, assim como nos membros da Opep, o cartel internacional de países produtores.
 

O consumo de petróleo nos Estados Unidos deve permanecer praticamente inalterado até 2035, em cerca de 20 milhões de barris por dia.
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