Energia
Valor Econômico
Desde abril, os movimentos sindicais em Porto Velho têm se articulado para reivindicar melhores condições aos trabalhadores que estão construindo as usinas hidrelétricas do rio Madeira. E ontem, essa movimentação culminou com uma greve que paralisou completamente as obras nas hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. Essa já é a terceira paralisação das obras de Jirau neste ano, que teve problemas com a emissão da licença pelo Ibama, e a primeira da usina de Santo Antônio.
Além do prejuízo financeiro que naturalmente uma obra parada acarreta, é o fator tempo o que mais preocupa os empreendedores. Isso porque ambos os projetos têm por meta antecipar a geração de energia para potencializar o retorno dos investimentos aos sócios, e qualquer dia parado ameaça esse objetivo. Para tentar minimizar o impacto, as duas construtoras, Camargo Corrêa e Odebrecht, estão usando o sindicato da construção pesada de Rondônia para pôr fim ao movimento.
O presidente do Sinicon, Renato Lima, diz que hoje vai ingressar com uma ação na Justiça questionando a legalidade da greve. Isso porque, segundo ele, existe uma convenção coletiva em vigor que deveria ter sido renovada em maio deste ano mas não o foi porque o sindicato da categoria, o Sticcero, sofreu intervenção da Justiça. "Mesmo assim, as construtoras concederam reajustes de pelo menos 8% aos trabalhadores neste ano", diz Lima. Ele afirma ainda que, na semana passada, o sindicato recebeu uma pauta de reivindicações dos trabalhadores e se propôs a abrir negociações. Entre os pedidos está um aumento de 50% do piso salarial.
Mas segundo esclarecimentos da Central Única dos Trabalhadores (CUT-RO), a greve foi em frente porque o Sinicon se nega a negociar alegando a existência da convenção coletiva. Existe, entretanto, a pendência judicial em torno do sindicato. Além disso, a convenção é questionada já que quando foi assinada as empresas não haviam iniciado as obras.
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