Navegação

Hidrovias tentam atrair a atenção do setor privado

A intenção é melhorar as formas de gestão administrativa e de logística para colocar as hidrovias em condições ideais de operação. O Ministério dos Transportes identificou a necessidade de 46 eclusas para serem

Valor Econômico
28/05/2012 12:32
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Aumentar os investimentos, inclusive com maior participação do setor privado, e melhorar as formas de gestão administrativa e de logística são exigências inadiáveis para colocar as hidrovias em condições ideais de operação, avaliam empresários e dirigentes governamentais que participaram do painel sobre Transporte Marítimo e Fluvial, durante o 7º Encontro de Logística e Transportes, realizado na Fiesp, em São Paulo.

O governo federal já faz investimentos significativos para que as hidrovias elevem sua participação na matriz de transporte do país, contribuindo com a expansão do comércio exterior, indica Adão Magnus Marcondes Proença, diretor de infraestrutura aquaviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

"O Dnit tem 148 ações em curso no setor de hidrovias, visando melhorar a navegação e a construção de novos terminais, com recursos beirando os R$ 2 bilhões. Só na bacia do Paraná-Tietê, os investimentos programados estão em torno de R$ 1 bilhão, dinheiro dos governos federal e estadual. É um começo bastante promissor, mexe com a infraestrutura de transporte do Brasil", diz ele.

Mas é preciso fazer mais, sustenta Tiago Pereira Lima, diretor da Agência Nacional de Transporte Aquaviário (Antaq). "O transporte hidroviário pode ser uma boa oportunidade de negócios para o setor privado. É preciso atrair o empresariado para empreendimentos estratégicos no setor hidroviário", afirma. Um dos grandes desafios do setor, analisa Lima, está na construção de eclusas para melhor o aproveitamento dos rios para navegação.

O Ministério dos Transportes, observa o diretor da Antaq, identificou a necessidade de 46 eclusas para serem construídas nos rios brasileiros. E estabeleceu como prioridade a construção de 27 delas. O custo total desse empreendimento está estimado em R$ 11,6 bilhões, uma média de R$ 500 milhões por eclusa.

"Nosso maior esforço agora é conquistar a adesão do setor privado para construir pelo menos dez das 27 eclusas projetadas. Isso é plenamente factível. O BNDES, que já financia a iniciativa privada em obras de construção de hidrelétricas, tem recursos para financiar o empresariado interessado em participar da construção das eclusas", destaca.

O crescimento do transporte hidroviário não é um mito, dizem os agentes governamentais. Em 2011, ele foi responsável pelo envio de quase 80 milhões de toneladas. Um crescimento de 7,3% comparado em 2010, que chegou a 74,4 milhões de toneladas. O minério de ferro é a principal mercadoria transportada na navegação interior, com 5,3 milhões de toneladas, 38% a mais que em 2010.

Na visão dos armadores e do empresariado, é preciso muita luta ainda para que o modal hidroviário alcance a participação de 30% (atualmente é de 13%) na matriz brasileira de transportes. "É necessário um cronograma físico forte para execução dos projetos do PAC e uma revisão tributária no setor", sugere Luís Lopes Siqueira, da Federação Nacional das Empresas de Navegação Marítima, Fluvial, Lacustre e de Tráfego Portuário (Fenavega).
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