Petrobras

Importações crescem 9% no trimestre

Valor Econômico
16/11/2004 00:00
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O aumento das vendas no mercado interno, de 6%, ajudou a Petrobras a lucrar mais no mercado interno no terceiro trimestre de 2004, mas, por outro lado, levou a estatal a elevar em 9% suas importações de óleo, gás e de derivados para atender à demanda. O lucro líquido de R$ 5,488 bilhões apurado no terceiro trimestre é 43% maior do que o valor verificado no segundo trimestre, mas, em relação ao terceiro trimestre de 2003, o aumento é de apenas 2%. No ano, a estatal acumula ganho de R$ 13,29 bilhões, 9% acima do mesmo período de 2003.
Os valores estão em linha com o que os analistas esperavam, mas, para alguns o resultado operacional veio abaixo do previsto. A reclamação, mais uma vez recai sobre a redução da margem em função da política de não repassar para o mercado interno as altas de preço do petróleo no mercado internacional. "Houve uma queda na margem lajida de 32,4% para 30,7%. A produção está estabilizada e a demanda aumentou muito, o que ocasionou um nível muito alto de importação de derivados", aponta Mônica Araújo, da BES Securities. "Se o repasse tivesse ocorrido, ela poderia ter minimizado essa perda de margem."
O diretor financeiro da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, reafirmou, no entanto, que a empresa continua com a política de "não repassar para o mercado interno a volatilidade do mercado internacional". O diretor afirmou que, também no mercado externo, onde há competição entre as empresas, elas não estão conseguindo fazer os repasses. "As perdas no setor de abastecimento ocorrem lá fora também, a diferença é que aqui nós ganhamos sobre o todo e, assim, isso é compensado, não há defasagem", disse ele.
Para os que defendem os repasses, ele diz que não há garantia de que isso traria um aumento das margens, pois o impacto na inflação poderia levar a um crescimento menor da economia, com conseqüentes impactos sobre a demanda.
"O fato de estarmos crescendo, de os preços estarem estáveis no mercado brasileiro, da variação cambial estar do jeito que está, depende do mercado brasileiro. É bom que ele cresça sem inflação e com ganhos para a Petrobras."
De acordo com a consultoria Economática, o lucro da Petrobras foi o segundo maior do histórico das companhias abertas brasileiras no período.
No acumulado do ano, no entanto, o lucro líquido da companhia, de R$ 13,295 bilhões, é cerca de 9% menor do que o acumulado nos três primeiros trimestres de 2003, que somou R$ 14,477 bilhões. A queda foi atribuída às perdas com o câmbio.
"O lucro operacional foi igual, mas, no ano passado a valorização do real foi muito maior do que neste ano", lembrou Gabrielli. Segundo ele, nos primeiros nove meses de 2003, a Petrobras ganhou R$ 1,456 bilhão com variações monetárias e cambiais, sendo que, este ano, no mesmo período, esse ganho foi de apenas R$ 324 milhões. "É uma perda de R$ 1 bilhão", completou.
A produção média do terceiro trimestre ficou em 1,523 mil barris por dia, o que representa um acréscimo de 4,2% em relação ao trimestre anterior, mas ainda é mais baixa do que os níveis apresentados no ano passado.

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