Petroquímica

Maior rentabilidade para a indústria

Jornal do Commercio
22/01/2007 00:00
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Analistas prevêem cenário positivo para este trimestre

O setor petroquímico tem este ano o desafio de aumentar sua rentabilidade, depois de encerrar o ano passado com forte pressão de custos, liderada pela trajetória de alta da nafta petroquímica e por mudanças provocadas no mercado após a entrada em operação da Rio Polímeros (Riopol), fabricante de polietilenos em Duque de Caxias (RJ).

O cenário para o primeiro trimestre deste ano, quando comparado a igual período do ano passado, é positivo para as empresas do setor, garantem analistas. Eles afirmam existir menor volatilidade nas cotações do barril do petróleo (depois de queda a partir do final de 2006) e manutenção do patamar elevado do preço das resinas termoplásticas.

Os analistas acreditam ainda que o mercado já se adequou à entrada da Riopol, redirecionando parte das vendas para o mercado externo, e também completou o ciclo de reajuste de preços dos produtos. Segundo Gilberto Pereira de Souza, chefe de análise da BES Securities, espera-se agora rentabilidade maior no primeiro semestre.

Riopol.

"O mercado subestimou, no ano passado, a entrada da Riopol. Por isso, a rentabilidade do setor foi reduzida. Não se espera, contudo, que isso ocorra novamente no primeiro semestre deste ano. A queda de rentabilidade não foi causada apenas pela nafta. Empresas estrangeiras tiveram uma operação muito rentável lá fora", afirma o analista.

No ano passado, a nafta registrou alta de 7% nos 12 meses, encerrando setembro cotada a R$ 1.120, em média, por tonelada. O eteno e o propeno, derivados do gás que também são utilizados como matéria-prima do setor, apresentaram elevação de 4% e 6% ao longo de 2006, segundo levantamento da consultoria Maxiqui.

As resinas (polietileno e polipropileno) registraram, por outro lado, preços 20% e 15% maiores, respectivamente, na média do ano passado, em comparação a 2005. Nas duas últimas semanas do ano passado, as cotações do polietileno e do polipropileno tiveram leves valorizações no mercado asiático e ficaram estáveis no americano.

A especialista da Maxiquim, Solange Stumpf, conta que o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado internacional deverá manter estável o preço dos produtos petroquímicos e que o barril do petróleo, se mantiver a tendência das últimas semanas, irá colaborar para reduzir a pressão de custos do setor, melhorando as margens.

"O gás e a nafta acompanham as mudanças no preço do barril. Desta forma, toda a cadeia petroquímica poderá ser beneficiada. É difícil, contudo, fazer uma previsão do preço do barril do petróleo. As projeções dos governos costumam ser mais conservadoras", acrescenta Solange.

Um bom desempenho neste primeiro semestre poderá ajudar o setor a recuperar-se de um ano abaixo das expectativas. A indústria química e petroquímica foi a única entre as principais da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) a terminar 2006 com variação média negativa das ações (6,83%), segundo a Economática.

Nenhum projeto de grande impacto no setor também foi anunciado, segundo Gilberto Pereira de Souza, ainda que projetos antigos tenham avançado. Ele cita empreendimentos como a planta de polietilenos em Paulínia (SP), parceria da Braskem com Petrobras, e a expansão da Petroquímica União.

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que será instalado no município de Itaboraí, foi o que mais chamou atenção do mercado. Segundo o analista de Investimentos do Banco do Brasil, Nelson Rodrigues de Matos, a escolha dos novos acionistas em 2007 marcará o futuro do mercado.

Matéria-prima.

"O setor precisa de muita matéria-prima para ser competititvo, por isso esse movimento da Braskem para a Venezuela, por exemplo. A empresa que entrar de sócia no Comperj terá acesso a essa matéria-prima, com rentabilidade, e crescerá em patamares muito acima das competidoras", explica Matos.

Ingressar no Comperj, projeto de US$ 8,4 bilhões da Petrobras e do Grupo Ultra, provavelmente exigirá do sócio participação também na primeira etapa da cadeia petroquímica, já que as empresas querem integração. "A grande questão é: qual será a empresa que entrará neste projeto? Negociações estão em curso", acrescenta.

Matos diz ainda que o mercado petroquímico deverá crescer entre 6% a 9% neste ano, dependendo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O setor costuma registrar aumento superior de duas a três vezes o PIB, cujo crescimento projetado pelo mercado fica em cerca de 3% para este ano.

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