Petrobras

Novo plano estratégico leva em conta a crise

Agência Estado
07/10/2008 04:24
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A revisão do plano estratégico da Petrobras já está considerando o cenário atual de crise mundial, disse nesta segunda-feira (6) o gerente executivo da área de engenharia da estatal, Pedro Barusco. "Nós estávamos já com tudo muito adiantado e prestes a divulgar os investimentos previstos no plano, quando fomos surpreendidos por estas turbulências", comentou hoje em entrevista coletiva à imprensa, realizada em função da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, amanhã em Angra dos Reis, a uma plataforma da companhia.

 

Segundo Barusco, "obviamente" os planos da companhia já estão sendo reavaliados sob a ótica da crise econômica mundial. Mas, segundo ele, ainda não há nenhuma informação formal sobre um possível adiamento na divulgação do plano estratégico, que compreende o período até 2020 e deverá incluir os investimentos na área do pré-sal. "As dificuldades vêm exatamente daí. Temos uma crise de crédito financeiro. E estes novos projetos precisarão de crédito, seja tomado por parte da Petrobras, seja do restante da cadeia produtiva", comentou.

 

Novo pólo

 

O parque das Baleias - área ao norte da Bacia de Campos, na costa capixaba - já está sendo considerado dentro da Petrobras como o novo pólo do pré-sal brasileiro, disse hoje o gerente executivo de Exploração e Produção da companhia, José Antonio Figueiredo. "Pensamos em até mudar o nome da área, diante das boas revelações que ela vêm nos trazendo", comentou. Hoje, o pólo do pré-sal no País está localizado na Bacia de Santos, na área em torno de Tupi e Iara, onde foram identificados até 12 bilhões de barris de óleo equivalente.

 

Na área do Parque das Baleias, a Petrobras já tinha encontrado nos últimos anos indícios de óleo pesado na parte sobre a camada de sal. Mas começou a perfurar também abaixo desta formação geológica, o que permitiu conectar o primeiro poço do pré-sal a uma plataforma em operação, a P-34, no campo de Jubarte, no início de setembro.

 

Segundo Figueiredo, já foram perfurados quatro poços nesta área, "todos com excelente resultados", e outros dois devem ser furados até o final do ano, para confirmar as descobertas na área. Além de Jubarte, o Parque das Baleias tem ainda por entrar em produção os campos de Cachalote, Baleia Azul, Baleia Franca e Baleia Anã.

 

Pré-sal

 

A Petrobras adotou a estratégia de estender seus poços perfuratórios para além da camada de sal em todas as regiões da costa brasileira por onde se estende esta formação geológica, informou Figueiredo. A camada de sal é uma formação que se estende ao longo de 900 quilômetros na costa do Brasil, por uma largura de 200 quilômetros.

 

Assim, disse o executivo, a companhia começou a perfurar poços no pré-sal de campos tradicionais na Bacia de Campos, como Roncador e Marlim, por exemplo. Para tentar comprovar a antiga tese dos geólogos nacionais de que há uma segunda bacia com o mesmo ou maior potencial, localizada abaixo da Bacia de Campos, hoje responsável pela produção de 80% do petróleo nacional. "O que estamos fazendo é um esforço exploratório conjunto para estender as perfurações que já estavam programadas acima da camada de sal, para baixo desta barreira", disse. Ele não soube dimensionar quantos poços especificamente estão sendo furados ou estão programados para o pré-sal em toda a extensão da costa brasileira.

 

A principal vantagem destas perfurações, tanto na Bacia de Campos, quanto na Bacia do Espírito Santo, é que a camada de sal nestas regiões é menos extensa dos que os dois quilômetros encontrados em Santos. No espírito Santo, por exemplo, ela chega a ter apenas 200 metros "A profundidade dos reservatórios, que na Bacia de Santos é de 6 mil a 7 mil metros, nas demais localizadas fica em torno de quatro mil metros", comentou.

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