Mercado

Opep enfrenta desafio dos preços

Jornal do Brasil / A
13/09/2004 00:00
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A retomada do controle dos altos preços internacionais do petróleo é o principal desafio que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo enfrenta nesta semana em Viena, onde não apenas acontecerá uma reunião de seus ministros, mas também um seminário internacional. Assim, embora céticos, os olhos dos mercados vão se voltar para a capital austríaca para ver o que vai sair da conferência ministerial convocada pela Opep para quarta-feira e os planos de outros importantes personagens do setor mundial, que se reunirão na quinta e na sexta-feira.
Espera-se que hoje comecem a chegar a Viena os ministros de Energia e Petróleo dos 11 países membros do cartel com o objetivo de iniciar suas freqüentes consultas para aproximar posições antes da conferência oficial. Observadores do setor consideram que desta vez a Opep tem pouca margem de manobra para influenciar os altos e voláteis preços atuais do petróleo, que se mantêm acima dos US$ 40, embora tenham caído desde meados do mês passado, quando nos EUA o barril chegou a custar quase US$ 50.
Os contratos para a entrega em outubro do petróleo leve, referência nos EUA, fecharam na sexta-feira passada a US$ 42,81 o barril no mercado nova-iorquino, enquanto em Londres, o barril do tipo Brent, referência global, terminou a semana a US$ 40,35. Da mesma forma, a chamada cesta-Opep (barril cujo preço é calculado com base em sete tipos de petróleo produzidos pelo cartel) é vendida em torno de US$ 38, após ter chegado à máxima histórica de US$ 43,16, em 22 de agosto.
Segundo analistas, as cotações do petróleo escaparam do controle dos produtores porque todos já estão extraindo ao máximo e não lhes resta mais capacidade para aumentar a oferta a curto prazo, com exceção da Arábia Saudita, o maior exportador mundial. Logo após o último aumento de sua produção entrar em vigor, a Opep, com um controle de cerca de 40% da produção mundial de petróleo e mais da metade das exportações do produto no planeta, viu-se impotente, com os preços batendo recordes quase que diariamente em agosto.
A cota oficial da extração conjunta de 10 países da Opep - todos menos o Iraque - foi fixada, em primeiro de agosto, em 26 milhões de barris diários (mb/d), e a oferta real supera esse limite em quase 2 mb/d. Segundo fontes do cartel, com a extração iraquiana, a produção total já chega a 30 mb/d, o maior nível de oferta da organização desde 1979. Mas o problema não está na insuficiência em cobrir o atual consumo, e sim na muito limitada capacidade de extração adicional que existe no mundo para atender o crescimento da demanda previsto para o inverno do Hemisfério Norte.
O dilema da Opep é que um aumento da cota oficial não teria efeito sobre o mercado por já estar superada pela oferta real, enquanto que um aumento desta última é um faca de dois gumes: quanto mais abrir suas torneiras, mais se aproximará do limite de produção e reduzirá o já escasso colchão de reservas. Segundo diversas estimativas, a capacidade ociosa da Opep (e do mundo) está entre 0,5 e 1,5 mb/d, muito pouco para tranqüilizar os mercados, e o aumento da produção requer tempo e importantes investimentos em infra-estrutura.
Essa falta de capacidade ociosa é um dos motivos do atual nervosismo nos mercados, onde alimenta a febril atividade especulativa ao oferecer a percepção de que ninguém está em condições de compensar eventuais cortes do abastecimento. Por isso, o preço dispara com qualquer notícia que possa afetar diretamente a indústria petrolífera, como a violência no Iraque, os conflitos sociais e étnicos na Nigéria, a crise da gigante russa Yukos ou os seguidos furacões no Golfo do México.
Segundo o ministro venezuelano de Energia e Minas, Rafael Ramírez, a organização poderia ``revisar`` nesta quarta-feira sua capacidade ociosa, além de discutir a possibilidade de elevar os limites da atual faixa ideal de preços de US$ 22 a US$ 28, estabelecida pelo grupo em 2000 para estabilizar a cotação da cesta-OPEP. Embora a proposta da Venezuela de subir essa faixa para deixá-la entre US$ 28 e US$ 35 conte com um amplo apoio de seus sócios, fontes da organização consultadas pela EFE descartaram que isso seja aprovado nesta reunião.
Os especialistas concordam em prognosticar que do encontro do grupo não surgirá nenhuma decisão que surpreenda o mercado, sobre cujos problemas e perspectivas estará centrado o seminário O petróleo em um mundo interdependente. O fórum, organizado pela Opep, reunirá na quinta e sexta-feira em Viena representantes da organização e de outros importantes países produtores, como México, Rússia e Noruega, além de altos executivos de multinacionais petrolíferas e representantes de vários institutos especializados, como a Agência Internacional da Energia.

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