Mercado

Petrobras eleva total de captações a R$ 238 bi

Com 13 novas ofertas em análise pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o mercado de capitais voltou a viver um momento positivo. No ano passado, as empresas captaram R$ 283,2 bilhões em operações de renda fixa e variável. Os dados foram impuls

DCI
10/01/2011 07:43
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Com 13 novas ofertas em análise pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o mercado de capitais voltou a viver um momento positivo. No ano passado, as empresas captaram R$ 283,2 bilhões em operações de renda fixa e variável. Os dados foram impulsionados pelas operações da Petrobras, que movimentaram R$ 120,2 bilhões, o que gerou crescimento de 115,2% nas ofertas em comparação com 2009. Além da petrolífera, outras empresas desempenharam um bom papel no mercado de capitais. O Banco do Brasil arrecadou R$ 9,761 bilhões, a OSX Brasil, R$ 2,818 bilhões, e a JBS, R$ 1,840 bilhão. A menor captação do ano ficou com a IdeiasNet, com uma operação de R$ 15 milhões.
 
 
 
Para este ano, estão em análise na CVM ofertas das empresas Sonae Sierra, Autometal, Desenvix Energias Renováveis, QGEP Participações, Arezzo Ind. e Comércio, Companhia de Águas do Brasil, Rede Energia, Inepar, Vulcabras, Tecnisa, Brasil Brokers, Direcional Engenharia e Magnesita Refratários. Algumas destas empresas estavam com oferta prevista para o ano passado, mas a alta volatilidade das bolsas mundiais e a pressão dos investidores para baixar os preços das ações acabaram adiando os planos para 2011.
 
 
 
No total, as operações de renda variável atingiram R$ 150,3 bilhões, alta de 218,9%, com R$ 11,9 bilhões em ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) e R$ 138,4 bilhões em captações de empresas já listadas em bolsa (follow on). Os dados foram apresentados na sexta-feira pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).
 
 
 
 
Outro setor que merece atenção é o da construção civil, que respondeu por 29,1% das ofertas de ações no ano anterior.
 
 
 
Alberto Kiraly, vice-presidente da Anbima, também ressaltou a contribuição do setor de energia elétrica, que representou 20% do volume, e das participações no mercado externo feitas por empresas e instituições financeiras nacionais. O único segmento que se mostrou negativo em 2010 foi o de notas promissórias, mas segundo Kiraly isso deve ser visto de forma positiva. "Mesmo com a pequena variação negativa, isso mostra um interesse maior por investimentos de longo prazo."
 
 
 
A instituição também informou que o número de operações de renda fixa se apoia no bom desempenho, e no ano passado atingiu o montante de R$ 87,9 bilhões, total de que 56% se referem a emissões de debêntures. Do valor acima, R$ 33,1 bilhões são de ofertas sob o regime de esforços restritos - direcionadas a um ou mais investidores predeterminados.
 
 
 
De acordo com o vice-presidente da Anbima, os resultados obtidos no final de 2010 podem ser considerados recordes, uma vez que o mercado conseguiu respirar após o período da crise mundial, ocorrida entre 2008 e 2009. "Esse resultado é importante para o mercado, pois as operações de renda fixa atingiram números bem próximos ao recorde de 2007, quando as operações chegaram a R$ 88 milhões", explicou Kiraly, em entrevista coletiva.
 
 
 
O vice-presidente não acredita que o mercado venha bater o recorde de 2007, que registrou 76 operações, mas pode, sim, superar os números de 2009 e de 2010, que ficaram em 24 operações registradas pela CVM.
 
 
 
No boletim divulgado pela instituição ficou destacada a participação das empresas brasileiras no exterior, que captaram U$S 53,7 bilhões em recursos, 75% dos quais via títulos de renda fixa.
 
 
 
Já a participação dos investidores estrangeiros nas ofertas brasileiras ficou em 16,9% - sendo 63,9% dos Estados Unidos, 29,1% da União Europeia e 7,0% de demais países. A maior parte, 78,7%, ficou por conta de investidores institucionais brasileiros.
 
 
 
As recentes medidas do governo que facilitaram a emissão de debêntures e tentam atrair os investidores de longo prazo impulsionarão o mercado nos próximos meses, e já tiveram reflexo positivo. Em dezembro, a distribuição desses ativos correspondeu a R$ 7,7 bilhões, que corresponderam a 58,8% do total de emissões de renda fixa pelas empresas. No ano, dos R$ 87,9 bilhões emitidos neste segmento, as debêntures contribuíram com um volume de R$ 49,3 bilhões.
 
 
 
"Acredito que essas medidas do governo atrairão mais o investidor estrangeiro de longo prazo ao mercado brasileiro. Isso terá impacto positivo, como vimos nos títulos públicos, que trouxeram um volume adicional ao mercado", enfatiza Alberto Kiraly.
 
 
O executivo não faz projeções para os próximos meses: "Vamos ver como os estrangeiros vão se comportar com essas ofertas", diz, e completa ao afirmar que a Anbima e a CVM estão em fase de análise dos efeitos para, mais para a frente, discutir a necessidade de mais medidas que estimulem o crédito de longo prazo. Outro setor que será estimulado no próximo ano é o mercado secundário de debêntures, que está um pouco esquecido. Para Kiraly, as medidas do Banco Central (BC) serão impulsionadoras e podem gerar liquidez desses papéis em 2011. "Esse debate tem sido travado com o governo, e pretendemos quebrar os entraves sobre o assunto. Acreditamos na possibilidade de um fundo de liquidez para esses papéis, mas precisamos ver como os investidores vão reagir a essas ofertas." O especialista volta a elogiar de certa forma as medidas tomadas pelo Banco Central ao afirmar que "as medidas estão na direção certa e temos expectativa de um mercado secundário mais ativo".
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