Petroquímica

Petrobras terá projetos fora da "Nova Braskem"

Valor Econômico
29/01/2010 09:31
Visualizações: 1132

Os investimentos da Petrobras no setor petroquímico não vão se restringir à companhia que nascerá da união da Braskem e da Quattor. A estatal vai manter os projetos que já vinha tocando e não entram em conflito com as áreas de atuação da "Nova Braskem", além da refinaria de petróleo que servirá de unidade básica para o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que será de propriedade exclusiva da Petrobras. Nesse pacote de projetos estão um polo de ácido acrílico em Minas Gerais e a produção de estireno na fábrica já existente no Rio Grande do Sul.

 

As informações foram prestadas ao Valor pelo diretor de Abastecimento e da área petroquímica da Petrobras, Paulo Roberto Costa. Ele explicou que a permanência da refinaria com a Petrobras está inteiramente de acordo com os termos da associação comunicados ao mercado por meio de Fato Relevante.

 

O documento diz que "a Braskem assumirá as sociedades que desenvolvem a 1ª e a 2ª gerações petroquímicas do Comperj". Costa disse que a refinaria, que deverá ser o investimento mais caro dos mais de R$ 20 bilhões que deverão ser aplicados no Comperj, é uma etapa anterior, ainda que vá gerar insumos básicos para a cadeia petroquímica, como eteno e propeno. Em uma petroquímica convencional, a unidade de primeira geração, chamada central de matérias-primas, fabrica eteno, propeno e outros produtos a partir de insumos recebidos de uma refinaria, geralmente, nafta.

 

No caso do Comperj, Costa explicou que o projeto da refinaria mantém o arranjo tecnológico com uma unidade de craqueamento catalítico fluido (FCC, na sigla em inglês), que já produz diretamente o eteno e as demais correntes petroquímicas. No caso, a primeira geração passa a ser a unidade de craqueamento a vapor, "steamcrack" no jargão setorial, que vai depurar as matérias-primas para transformação em resinas pela segunda geração petroquímica. É a partir do "steamcrack" que o complexo vai passar para as mãos da "Nova Braskem". Procurada, a Braskem confirmou as informações.

 

O diretor da Petrobras foi veemente ao afirmar que não haverá nenhuma mudança no andamento do projeto do Comperj. "Sem o Comperj, o Brasil vai tornar-se, em quatro anos, um gigantesco importador de resinas termoplásticas", afirmou. Costa disse que antes do carnaval será assinado o primeiro contrato para a compra de equipamento para o complexo, a unidade de destilação a vácuo da refinaria, responsável pela separação do petróleo bruto em frações de hidrocarbonetos. A vencedora da licitação foi a sueca Skanska, com o preço de R$ 1,1 bilhão.

 

As licitações para as unidades de coque e de hidrotratamento da refinaria estão em fase de tomada de preço. Os equipamentos estão sendo contratados levando em conta o projeto inicial de fazer uma refinaria para processar 150 mil barris diários de óleo pesado. A área de abastecimento da Petrobras já tem pronto um projeto de duplicação da capacidade da refinaria que deve ser apreciado pela diretoria da estatal na próxima semana. Caso aprovada, a segunda etapa terá outro arranjo, priorizando a produção de combustíveis, especialmente óleo diesel, em detrimento dos petroquímicos.

 

O acordo entre a Petrobras e a Braskem prevê 120 dias de prazo para que sejam feitos os estudos das incorporações do Comperj e também do polo petroquímico de Suape, Pernambuco, à "Nova Braskem". No caso de Suape (produção de fios de poliéster, PTA e resina PET), Costa disse que a previsão é de incorporação total pela nova empresa. O polo de Suape deverá começar a produzir fios têxteis e PTA (matéria-prima para o PET) ainda este ano. Os investimentos já feitos pela Petrobras nos dois complexos serão, segundo o dirigente, compensados no acordo de acionistas.

 

Sobre o projeto de um polo de ácido acrílico em Minas Gerais, há muito pendente por falta de uma solução tecnológica, Costa disse que seguirá sendo tocado à parte, bem como a produção de estireno (tipo de resina termoplástica) da Innova, subsidiária da Petrobras Energia (filial argentina da Petrobras), no Rio Grande do Sul. Mas o diretor da Petrobras admitiu que qualquer novo projeto nessa área é passível de fazer parte da nova gigante petroquímica.

 

O diretor da Petrobras disse que haverá uma efetiva co-gestão entre Petrobras e Odebrecht na "Nova Braskem", apesar de o grupo baiano ter ficado com a presidência e a diretoria financeira da empresa e que a Petrobras está pagando o preço justo pela associação, mesmo sendo minoritária (46,21% contra 53,79%). Segundo ele, se a petroquímica brasileira seguisse fracionada as empresas seriam esmagadas em pouco tempo pela concorrência internacional e chamou de "saudosistas" os que pensam de forma diferente.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Cana Summit
Juros elevados e crédito mais restrito colocam fluxo de ...
07/04/26
PPSA
União recebe R$ 917,32 milhões por redeterminação de Tupi
07/04/26
Combustíveis
ETANOL/CEPEA: Preço médio da safra 25/26 supera o da tem...
07/04/26
Estudo
Brasil amplia dependência de térmicas, mas falta de esto...
06/04/26
Oferta Permanente
Oferta Permanente de Partilha (OPP): ANP publica novo edital
06/04/26
Tributação
Infis Consultoria promove 4º Seminário Tributação em Óle...
06/04/26
Hidrogênio Verde
Estudo no RCGI mapeia regiões com maior potencial para p...
06/04/26
BRANDED CONTENT
Intercabos® lança novo site e concretiza presença no mer...
03/04/26
Diesel
Subvenção ao diesel: ANP inicia consulta pública de cinc...
02/04/26
GLP
Supergasbras realiza a primeira importação de BioGL do B...
02/04/26
Cana Summit
Setor sucroenergético avalia efeitos da Reforma Tributár...
02/04/26
Rio de Janeiro
Para Firjan juros em dois dígitos e rigidez fiscal barra...
02/04/26
Resultado
Com 5,304 milhões de boe/d, produções de petróleo e de g...
02/04/26
Logística
Vast realiza primeira operação de transbordo de petróleo...
01/04/26
ANP
Audiência pública debate revisão de resolução sobre aqui...
01/04/26
Biocombustíveis
RenovaBio: ANP divulga metas definitivas para as distrib...
31/03/26
Drilling
Norbe IX, da Foresea, conclui parada programada de manut...
31/03/26
Etanol
Produtor de cana avança com novas estratégias para reduz...
31/03/26
Firjan
Estado do Rio pode receber mais de R$ 526 bilhões em inv...
31/03/26
Combustíveis
Preço médio do diesel S-10 sobe 14% em março e atinge o ...
31/03/26
iBEM26
No iBEM 2026, Pason destaca apostas da empresa em digita...
31/03/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23