Investimento

Petrolífera Sonangol mantém aposta no banco luso BCP

O investimento da petrolífera angolana Sonangol no BCP (maior banco luso privado) é de "muito longo prazo", disse o presidente da companhia, Manuel Vicente, acrescentando que a empresa pode ainda "reforçar" a sua participação na instituição financeira.

Agência Lusa
26/02/2009 09:10
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O investimento da petrolífera angolana Sonangol no BCP (maior banco luso privado) é de "muito longo prazo", disse o presidente da companhia, Manuel Vicente, acrescentando que a empresa pode ainda "reforçar" a sua participação na instituição financeira.

 

Durante uma entrevista coletiva em Luanda, em comemoração ao 33º aniversário da empresa, Vicente ressaltou que não está em discussão a possibilidade de retirar sua participação do BCP, apesar das elevadas perdas do banco em Bolsa.

 

"Em relação ao investimento no Millennium BCP, temos dito que esse investimento não foi feito com uma perspectiva especulativa. Não pensamos sair, é um investimento de muito longo prazo", disse.

 

O reforço substancial da Sonangol no BCP foi feito em pleno período da guerra entre acionistas. Negociado ainda em 2007, o princípio do acordo para a venda de uma participação no Millennium Angola aos angolanos foi um dos pontos do litígio entre os grupos do então presidente da administração, Paulo Teixeira Pinto e do ex-presidente Jardim Gonçalves.

 

Nos primeiros meses de 2008, a Sonangol reforçou a participação até atingir 5,16% do capital, quando cada ação era negociada em Bolsa a 1,83 euro, ou seja, três vezes mais do que o valor atual, de 0,66 euro.

 

O presidente da Sonangol declarou, na época, que queria "contribuir para a estabilidade acionista do banco" e continuaria reforçando. A empresa acabou não só acompanhando o aumento de capital feito em abril do ano passado, a 1,20 euro por ação, como aproveitou para quase duplicar a participação.

 

Projetos

 

Depois de concluído o aumento de capital, operação que o banco BPI, o maior acionista do BCP na época, aproveitou para reduzir vendendo os direitos que tinha na subscrição, a Sonangol comunicou ao mercado que detinha 9,96% do capital social, ou seja, passou a ser o maior acionista.

 

Na entrevista coletiva desta quarta-feira (25), Manuel Vicente disse que os investimentos da petrolífera angolana em Portugal "são conhecidos", citando a Galp, o BCP e, mais recentemente, a Caixa Geral de Depósitos (maior banco português), na reestruturação do Totta Angola.

 

Apesar disso, o presidente do conselho de administração da Sonangol abriu a porta para novos investimentos, adiantando que a empresa vai avançar caso se depare com projetos de boa rentabilidade.

 

Por enquanto, informou que está previsto um novo investimento no setor bancário, com uma instituição portuguesa com interesses em Angola, mas não quis citar nomes de empresas.

 

Manuel Vicente explicou que a "perspectiva da Sonangol" é a das "participações cruzadas". "Da mesma forma que os portugueses investem em Angola, é necessário que haja iniciativas empresariais angolanas com investimentos em Portugal, nos bancos, no imobiliário".

 

"Com a carteira de investimentos que temos, vamos também investir no imobiliário. Temos de ter uma sede em Portugal. E não é uma questão de custar dois ou três, nós não estamos a ver o hoje, estamos a olhar para o longo prazo", explicou.

 

Situação atual

 

O presidente da Sonangol disse ainda que não "prevê criar uma subsidiária" em Portugal, porque os investimentos que a petrolífera detém são participações financeiras.

 

"O único órgão de operação [em Portugal] é uma agência para gestão dos nossos interesses, concretamente na área de formação", disse.

 

Ainda na área dos investimentos, Manuel Vicente afirmou que a companhia tem capacidade para controlar os que estão em andamento. Apesar disso, em relação a novos eventuais investimentos, o dirigente foi mais cauteloso, admitindo que requerem "análise mais cuidada" devido à crise e ao baixo preço do petróleo nos mercados internacionais.

 

"Claro está que, devido aos tempos difíceis que estamos a atravessar, outros investimentos vão requerer uma análise mais cuidada, uma análise de risco mais apurada", declarou.

 

"Pelo menos no que toca à indústria petrolífera em Angola não temos nenhum abrandamento dos investimentos planificados. Esperemos que os preços possam evoluir para melhor, mas não há sobressaltos até aqui", disse.

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