Indústria

Política industrial brasileira completa dez anos

A ABDI, também criada em 2004, debate o futuro da indústria em seminário internacional

Assessoria de Comunicação Social ABDI
14/11/2014 11:31
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Mais de 300 pessoas participaram, na última terça-feira (11), da abertura do Seminário Internacional – Indústria Para quê?, realizado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) nos dias 11 e 12 de novembro, em Brasília. O evento, que marca os dez anos de criação da agência e de retomada da política industrial no Brasil, reuniu empresários, acadêmicos, convidados estrangeiros e autoridades de governo. O anfitrião da abertura foi o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e presidente da ABDI, Mauro Borges Lemos, que discursou ao lado do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Clelio Campolina, e do ex-ministro do Desenvolvimento Luiz Fernando Furlan.

 

“Antes de tudo é preciso lembrar que uma política industrial não se constrói em dez anos. Sabemos que outros países que tiveram sucesso em sua política industrial, como Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, China e Alemanha, vivem esse processo desde o século passado. Com apenas dez anos de trabalho, ainda não é possível dar à indústria brasileira a competitividade necessária para superar com facilidade a forte concorrência internacional, mas acreditamos muito no sucesso desse caminho”, declarou Borges Lemos.

 

Ele lembrou que, por mais de 20 anos, durante os períodos de crise, o Brasil “desaprendeu” a fazer política industrial e investimentos estratégicos em grandes infraestruturas, como as de transporte e logística. “Estamos vivendo, desde 2004, um processo de reaprendizado. E a ABDI encara esse processo, junto com o setor produtivo e outras entidades envolvidas”, acrescentou o ministro.

 

Em sua participação, o ex-ministro Furlan lembrou a trajetória percorrida pelo governo federal, em 2004, para a retomada da política industrial e criação da ABDI. “A câmara de política econômica que atuava na época começou a pensar em setores produtivos que mereciam cuidado especial do governo. Hoje, vejo que vários deles foram bem sucedidos desde então, como o setor de medicamentos. Das discussões naquela instância também saíram, entre outras medidas, a Lei de Inovação e a MP do Bem”.

 

O ministro Campolina destacou que, para se pensar em um projeto de nação, é preciso apostar no planejamento. “Isso deve partir dos setores que tem liderança e capacidade de induzir mudanças e transformações. A indústria é um deles, porque nela ocorrem as transformações tecnológicas e de inovação. E a inovação nos demais setores da economia depende da inovação na indústria”, declarou. Ressaltou, ainda, que a competitividade não depende unicamente das fábricas, por isso a política industrial deve estar atrelada às políticas educacional, científica e tecnológica, num projeto de desenvolvimento integrado.

 

O evento da ABDI dá início à distribuição de publicações inéditas, como o Balanço Executivo do Plano Brasil Maior (2011-2014), que traz informações sobre as principais iniciativas do PBM e os resultados alcançados até o momento, e o Relatório de Ações 2011-2014 da ABDI, que apresenta as ações estratégicas promovidas pela agência nesse período, junto a diversos setores industriais.

 

Sobre o seminário

 

Os rumos da manufatura no século XXI, o papel do governo e do setor privado no desenvolvimento tecnológico industrial dos países e projeções para o futuro da indústria mundial são alguns dos temas abordados no Seminário Internacional Indústria Para Quê? – Temas, Perspectivas, Instituições e Políticas. O evento tem o apoio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Petrobras. As discussões contemplam temas relevantes para o Brasil, como os desafios para a economia do país, o papel das políticas públicas e o impacto das transformações econômicas e tecnológicas em curso na política industrial brasileira.

 

Entre os palestrantes estavam o ministro Mauro Borges Lemos; os presidentes do BNDES, Luciano Coutinho, da Finep, Glauco Arbix, do Ipea, Sergei Dillon, do CGEE, Mariano Laplane, e do Council on Competitiveness (CoC), Deborah Wince-Smith; o fundador do Movimento Brasil Competitivo (MBC), Jorge Gerdau; o reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Carlos Pacheco; especialistas das universidades de São Paulo (USP), Estadual de Campinas (Unicamp) e Federal de Minas Gerais (UFMG); representantes da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), do National Institute of Standards and Technology (Nist), da Agência Sueca de Inovação (Vinnova), entre outros.

 

 

 

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