Petroquímica

Pólo do Rio exige aporte de US$ 10 bilhões

Valor Econômico
17/01/2005 00:00
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A nova refinaria da Petrobras, formalmente denominada unidade petroquímica básica e que deve ser construída até 2009 no Rio de Janeiro, terá em torno dela uma rede de indústrias de segunda geração (processadoras das matérias-primas básicas da unidade central) que deve demandar investimentos de US$ 3,5 bilhões, elevando os investimentos no projeto para US$ 6,5 bilhões. O número faz parte de estudos já realizados pela estatal, que pretende atrair parceiros para o projeto. A unidade básica exigirá investimentos de US$ 3 bilhões.
O diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, disse que os técnicos da estatal estão detalhando a segunda geração do pólo para que a empresa possa definir em seguida onde será do seu interesse participar e procurar os parceiros. Costa disse que pelo menos três unidades de segunda geração é certo que serão construídas: uma de polietileno, uma de polipropileno e uma de fenol. Os dois primeiros são insumos básicos para a fabricação de plásticos e o fenol é a base para a fabricação de náilon e outros produtos.
De acordo com o diretor da Petrobras, o projeto está sendo concebido para ser um pólo completo, com a central de matérias-primas, a segunda e a terceira geração, esta última representada pelos produtos finais da cadeia, como as matérias plásticas. Costa avalia que com a terceira geração, na qual a Petrobras não participará, o pólo pode alcançar investimentos totais próximos a US$ 10 bilhões. "Ele vai representar uma mudança drástica na economia do Estado do Rio de Janeiro", disse.
A unidade básica terá capacidade para processar diariamente 150 mil toneladas de petróleo pesado produzido na bacia de Campos (RJ). O projeto está em fase de definição de de parceiros e da localização. Em relação às parcerias, já estão certas as participações do grupo Ultra e do BNDESPar, subsidiária do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Petrobras busca pelo menos mais um parceiro de grande porte e até agora o nome mais cotado é a estatal chinesa Sinopec, a maior produtora de resinas plásticas do mundo.
Costa disse recentemente ao Valor que as negociações com os chineses ainda estão em fase embrionária. No âmbito nacional, um dos candidatos a participar da nova central petroquímica é o grupo Suzano, sócio da Petrobras em outro empreendimento petroquímico no Rio, a Rio Polímeros (Suzano, Unipar, Petrobras e BNDESPar), central do pólo gás-químico do Rio que tem inauguração prevista para abril.
O diretor-superintendente da Suzano Petroquímica, Armando Guedes Coelho, disse que o grupo tem interesse em participar do projeto e já foi convidado a fazê-lo, mas ainda está analisando as possibilidades, dado o elevado valor do investimento. "Queremos conhecer um pouco mais", explicou.
Quanto à localização, a Petrobras não esconde que sua área favorita é a retaguarda do porto de Sepetiba, localizado no município de Itaguaí, limítrofe, ao Sul, com a capital do Estado. Mas o governo do Rio de Janeiro quer levar o projeto para o Norte do Estado, na região do município de Campos, área onde se localiza a principal bacia petrolífera do Brasil, responsável por mais de 80% da produção de óleo do país.
A região é também base política da governadora, Rosinha Matheus (PMDB), e do seu marido, o ex-governador Anthony Garotinho, postulante à vaga de candidato do PMDB à Presidência da República em 2006. Segundo o Secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado, Wagner Victer, a justificativa para a escolha é técnica.
Seria uma forma de criar na região uma alternativa de atividade econômica antes que os campos de produção de óleo entrem em fase de declínio, como ocorreu com o pólo da Bahia, instalado no começo dos anos 70. A Petrobras já recebeu a proposta do Estado e está avaliando os prós e contras das duas localizações.

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