Portos

Porto de Santos perde embarques de álcool da Transpetro

<P>A alegação é que o complexo portuário não oferece condições naturais para exportar o combustível em grande escala. O problema envolve, entre outros fatores, o calado limitado do complexo, insuficiente para atender os grandes navios que transportam o produto.<BR><BR>A posição da subsidi?...

A Tribina (Santos)/Diogo Caixote)
10/08/2006 21:00
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A alegação é que o complexo portuário não oferece condições naturais para exportar o combustível em grande escala. O problema envolve, entre outros fatores, o calado limitado do complexo, insuficiente para atender os grandes navios que transportam o produto.

A posição da subsidiária da Petrobras foi explicada ontem pelo consultor e engenheiro de Terminais e Dutos da empresa Emanuel Nazareno Filho, durante visita ao Terminal Marítimo da Cargill, na Margem Esquerda (Guarujá) do porto. O técnico participou de um debate promovido na instalação pela Usinas e Destilarias do Oeste Paulista (UDOP).

Atualmente, a Transpetro planeja implantar uma rede de dutos para garantir a exportação do álcool das usinas de São Paulo, que respondem por mais de três quartos da produção nacional. Segundo o consultor, sua empresa prefere embarcar o combustível por seus terminais de Ilha D'Água, no Rio de Janeiro, e Almirante Barroso (Tebar), em São Sebastião, Litoral Norte do Estado, a construir dutos para a exportação do volume por Santos.

O Porto de Santos é o maior e mais importante do Brasil hoje e assim será por muito tempo, só que não é um boa opção para o álcool combustível, pela própria questão logística, argumentou Nazareno.

Dentre os obstáculos apontados, o consultor destacou a profundidade do canal de navegação do porto. Santos tem uma capacidade limitada para navios de grande porte, que são os empregados no movimento de álcool. A capacidade dos navios que conseguem entrar no porto são de 45 mil metros cúbicos de armazenagem, quando o mercado para o álcool já requer mais de 100 mil metros cúbicos, até mesmo de 300 mil metros cúbicos, justificou.

Atualmente, o estuário santista tem entre 12 e 14 metros de profundidade. Já os terminais fluminense e do Litoral Norte podem receber navios com calado de até 20 metros.

Para a Transpetro, o grande mercado do álcool é o Japão e não é viável trazer o produto para Santos e embarcar em vários navios menores, não é lógico. Ainda mais que o Porto de Santos tem muito congestionamento de navios e espera por atracação, disse Nazareno.

Potencial

Apesar da estatal exportar apenas 1,2 milhão de metros cúbicos de álcool por ano através do Rio de Janeiro e 400 mil metros cúbicos anuais pelo Nordeste, o potencial de crescimento deste negócio deverá superar 9 milhões de metros cúbicos por período, até o final da década. Grande parte deste volume será produzido pelas usinas do oeste paulista, o que não obrigaria a Transpetro a necessariamente utilizar o principal parque portuário do Estado, analisou o consultor.

Para isso, haveria necessidade de fazer um duto ligando a Santos, sendo que já existe para o Rio e a obra para São Sebastião é muito insignificante, revelou o engenheiro. Ao cais santista, resta uma fatia 'mais nobre' dos negócios da Petrobras, como a movimentação de produtos derivados de petróleo, por meio do terminal da empresa na região da Alemoa. Santos tem uma vocação de carga geral e de valor agregado. Por isso que a Petrobras mantém a movimentação dos derivados pela Cidade, contou.

Fonte: A Tribina (Santos)-Diogo Caixote

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