Gás Natural

Preço do gás deverá subir em toda a América Latina

O aumento dos impostos na Bolívia coincide com um cenário de aumento do consumo do gás, inclusive substituindo outras fontes de energia. A renegociação dos contratos é, portanto, a única solução de curto prazo para o mercado de gás, diz o diretor geral da Onip, Eloi Fernández.


12/08/2005 00:00
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O preço do gás natural deverá subir em toda América Latina, em função dos aumentos de impostos e royalties sobre a produção da Bolívia, o maior fornecedor regional. Para diretor geral da Organização Nacional da Indústria Petrolífera (Onip), Eloi Fernández y Fernández, "o cenário atual, no qual o uso do gás natural cresce entre 15% e 20% ao ano e substitui outras fontes de energia, a única solução de curto e médio prazo é a renegociação dos contratos com a Bolívia."
O diretor evita sugerir percentuais de aumento ou modelos de contrato, mas acredita que o aumento não será exclusividade do Brasil, mas também deverá ocorrer na Argentina, Uruguai e Chile. "Não tem saída, o governo boliviano impõe a taxa sobre a produção, portanto o gás já sai do campo mais caro", explica.
Fernández também critica o desperdício de gás natural nos campos produtores da Petrobras. Segundo o diretor, a companhia reduziu a queima de gás para cerca de 2,5 milhões de m³ por dia, em 2004, e voltou a queimar cerca de 7 milhões de m³ diariamente, em 2005. "E verdade que a queima aumentou porque novas unidades entraram em produção, como a P-43 e P-48, mas poderia ser desenvolvido um sistema de escoamento do gás excedente e de otimização do uso", ressalta. Fernández sugere o uso de navios de Gás Natural Comprimido (GNC) no escolamento do gás das plataformas.
Também presente ao seminário Rio 2022, realizado nesta quinta-feira (11/08) no Sesc-Flamengo, o ex-presidente da Eletrobras e professor da Coppe-UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, comentou que do ponto de vista da geração elétrica há problemas de gás, tanto que já se cogita a possibilidade de conversão de termelétricas em bicombustíveis para o uso de diesel, que é muito mais caro e contaminante.
Pinguelli contextualizou a situação do setor elétrico no Brasil desde o apagão 2001, a partir do qual houve uma queda de 20% no consumo de energia e 25% em relação ao que era previsto na época. "O consumo ainda não foi recuperado. Em 2001, sobrava gás e faltou eletricidade, hoje falta gás e sobra eletricidade", comentou. No entanto, Pinguelli ressalta que essa sobra de energia pode não ser suficiente para 2008-2010, se houver crescimento econômico no país. "É claro que todos querem que haja crescimento, portanto, é preciso preparar o futuro energético do país", resumiu.
Neste contexto de preparação, Pinguelli defende mudanças na estrutura da Eletrobrás de forma a fazer com que a empresa tenha mais mobilidade e independência e possa assumir o papel que a Petrobras assume no setor petrolífero, o de grande investidora. "A Eletrobrás ainda responde por 60% dos investimentos em energia elétrica no país, mas ainda é limitada", avalia. A outra opção, segundo Pinguelli, é privatizar, pulverizar as ações entre vários grupos. "Do jeito que está, realmente compromete os investimentos no setor", conclui
O objetivo do Rio 2022 é pensar o futuro do estado a partir da análise das grandes indústrias de base, como energia elétrica, petrolífera, indústria naval, construção civil etc. Durante o ano serão realizadas várias palestras com temas diversos.

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