Brasil

Produção industrial sobe 0,6% na passagem de junho para julho

Houve expansão no Pará, Mato Grosso, Santa Catarina e no Rio

Agência Brasil
09/09/2022 09:14
Produção industrial sobe 0,6% na passagem de junho para julho Imagem: Divulgação Visualizações: 2209

A produção industrial brasileira subiu 0,6% na passagem de junho para julho e avançou em quatro dos 15 locais analisados pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional, divulgada hoje (9), no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Houve elevações no Pará (4,7%), Mato Grosso (3,7%), Santa Catarina (1,9%) e Rio de Janeiro (0,7%). Todos esses percentuais estão acima da média nacional.

Segundo o analista da PIM Regional, Bernardo Almeida, medidas que impactam diretamente a cadeia produtiva e o consumo das famílias podem explicar as altas nessas localidades. “A redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis e o aumento de benefícios sociais modificam as tomadas de decisões por parte da produção, com tendência de antecipação, devido a essas medidas”, observou.

Minério de ferro

Para o analista, entre as principais indústrias responsáveis pelo crescimento em cada local nas altas de julho, está o avanço no Pará, provocado pelo desempenho da indústria extrativista de minério de ferro.

Outros estados também tiveram destaques. “No Rio de Janeiro, o setor extrativo também é o grande responsável pela alta, mas destacamos o petróleo e gás natural. Em Santa Catarina temos os setores de máquinas e equipamentos e produtos de borracha e material plástico. Já em Mato Grosso, o principal setor que influenciou de forma positiva foi o de alimentos”, informou.

Já os destaques negativos ficaram com o Espírito Santo (-7,8%), o que ampliou a queda de 1,3% em junho; a Bahia (-7,3%), que eliminou o ganho acumulado de 7,6% obtido entre fevereiro e junho; e a região Nordeste (-6%), que teve queda na produção de 6,8% em três meses consecutivos. Já Minas Gerais ficou estável.

“Ainda permanecem efeitos negativos que observamos em divulgações anteriores. Por parte da oferta, o abastecimento de insumos e o encarecimento das matérias-primas, e pelo lado da demanda, inflação alta e juros elevados, causando o encarecimento do crédito. Tudo isso impacta diretamente no consumo das famílias e na cadeia produtiva”, concluiu.

O maior parque industrial do país, que é o estado de São Paulo, caiu 0,6% em relação a junho. Conforme o IBGE, o percentual representou a segunda maior influência no resultado industrial nacional, atrás apenas da Bahia em julho. Para o analista, os setores que mais impactaram negativamente o resultado da indústria paulista foram os de veículos automotores e o  setor de máquinas e equipamentos.

Almeida acrescentou, ainda, que, apesar dos fatores positivos, com as medidas governamentais, ainda permanecem efeitos negativos, como inflação elevada, encarecimento do crédito e das matérias primas e desabastecimento de insumos. “Assim como na indústria nacional, esses fatores também podem ser observados na indústria de São Paulo. Com esse resultado, a indústria paulista está 1,5% abaixo de seu patamar pré-pandemia”, sinalizou.

Julho de 2021

Se comparado a julho do ano passado, o setor industrial registrou queda de 0,5%, com quatro dos 15 locais pesquisados apresentando taxa negativa. Naquele mês, o Espírito Santo teve redução de dois dígitos e a mais acentuada queda (-10,6%), mas Mato Grosso (25,6%) apresentou destaque positivo. “Vale citar que julho de 2022 (21 dias) teve um dia útil a menos que o mesmo mês em 2021”, ponderou o IBGE.

Pesquisa

Conforme o IBGE, desde a década de 1970, que a pesquisa PIM Regional produz indicadores de curto prazo, relacionados ao comportamento do produto real das indústrias extrativa e de transformação. “Traz [o estudo], mensalmente, índices para 14 unidades da federação cuja participação é de, no mínimo, 1% no total do valor da transformação industrial nacional e, também para o Nordeste como um todo: Amazonas, Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás e Região Nordeste”.

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