Refino

REF planeja quatro minirefinarias ao custo de até R$ 1 bi

Projeto mais avançado é em Sergipe.

Valor Econômico
10/01/2014 10:25
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REF planeja quatro minirefinarias ao custo de até R$ 1 bi
Sexta, 10 Janeiro 2014 09:08
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A empresa REF Brasil, criada pelo ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, dá a largada no projeto de construção de quatro minirefinarias no Brasil. O projeto mais avançado é de construção de uma unidade em Sergipe, que será detalhado em Aracaju, na segunda-feira.
Costa explicou ao Valor que planeja unidades "simples e baratas", inclusive em termos de operação e manutenção. A capacidade inicial de processamento planejado é de até dois módulos de 5 mil barris diários capazes de produzir apenas quatro combustíveis: gasolina, diesel, óleo combustíveis e bunker, como é chamado o combustível para navios. O investimento em cada unidade de 5 mil barris é de R$ 120 milhões, e o valor dobra se a capacidade for de 10 mil barris diários.
O plano é construir minirefinarias em Alagoas, Ceará e no Espírito Santo, além de Sergipe. Considerando o valor estimado para cada módulo de 5 mil barris e que podem dobrar, a REF pode investir até R$ 960 milhões no Brasil se as quatro minirefinarias forem construídas a plena capacidade, como antecipou ontem o ValorPRO, serviço de notícias de tempo real do Valor.
A REF, que é presidida por Costa, já criou três subsidiárias - Refinaria Sergipana, Refinaria Alagoana e Refinaria Cearense - e está em fase de criação da Refinaria Capixaba. Segundo o executivo, sua participação na REF é por meio da consultoria Costa Global, empresa que criou depois de sua demissão da Petrobras, em abril de 2012.
Segundo ele, sua empresa não tem mais negócios com o grupo Brasilinvest, com quem se uniu para atrair investidores para financiar a exploração de óleo no Paraguai. Costa preferiu não informar nomes dos sócios financeiros da REF, adiantando apenas que os demais sócios são investidores financeiros nacionais e estrangeiros. "Eu entro com o projeto, o conceito e experiência na área", explicou.
Pelo modelo de negócio planejado, a REF não vai disputar mercado com a Petrobras, ao contrário. Isso porque, diz ele, os volumes de produção não permitirão competição (a estatal produz 2,1 milhões de barris), mas sim ajudarão a companhia a importar menos combustíveis, reduzindo seu prejuízo com importações de derivados vendidos abaixo do custo de aquisição.
"Para a Petrobras é bom ter esses investidores e essas refinarias, primeiro porque estamos trazendo investimento de fora para o Brasil", diz Costa. "Segundo porque cada barril processado aqui é um barril a menos que a Petrobras vai ter de importar. Se produzirmos 40 mil barris por dia, no final o valor é muito grande, é um bom negócio", garante.
Ele explica que para serem rentáveis mesmo competindo com os preços subsidiados da estatal, as minirefinarias vão ganhar economicidade devido à logística dos projetos. O plano é construir as unidades perto de áreas de produção da Petrobras (em Sergipe ficará perto do campo de Carmópolis), comprar petróleo a preços de mercado (ainda é preciso assinar contratos com a Petrobras) e economizar com a redução de custos de distribuição.
"O ganho será na logística. Hoje para entregar combustíveis em Sergipe a Petrobras leva de caminhão ou navio de pequeno porte. E se eu faço uma unidade lá para entrega naquele mercado tenho condições de absorver esse delta preço de logística. Vamos poder vender com preço muito parecido com o da Petrobras economizando nesse transporte", diz Costa. "E quando, um dia, for possível vender a preços internacionais, o projeto melhora demais, vou estar nadando de braçada", complementa, se referindo à possibilidade de obter margens de lucro ainda maiores quando puder vender a preços internacionais tendo uma logística tão favorável.
Apesar do modelo de negócio bem desenhado, existem desafios de produção. Além do acesso ao petróleo da Petrobras - hoje a produção de Sergipe é processada na refinaria Rlam, na Bahia - essas unidades precisarão de óleos específicos, alguns mais leves. E o processo de produção de diesel e gasolina para atender as novas especificações para reduzir emissões de enxofre não é barato. Existe a possibilidade de utilizar hidrogênio, que é caro, e por isso uma unidade mais barata terá que tratar o petróleo utilizando soda cáustica. A partir de janeiro a gasolina produzida no Brasil precisa ter 50 ppm (partes por milhão) de enxofre e o diesel utilizado no interior poderá ter no máximo 500 ppm, ante os 1.800 permitidos até o ano passado. E qualquer nova refinaria terá que obedecer as especificações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de 2009.
Bom conhecedor da má reação da Petrobras à concorrência quando se trata do mercado doméstico - a empresa já baixou preços dos seus combustíveis em mercados que receberam combustível importado - o executivo diz que seu projeto não traz riscos para a estatal. "Não vou perturbar a Petrobras, vou estar em um pequeno nicho de mercado. Obviamente ela está fazendo suas [novas] refinarias, mas hoje o mercado é maior que a capacidade de refino, mesmo contando com a Rnest e o Comperj", observa, em referência às duas refinarias que começaram a ser erguidas quando era diretor.
Para a refinaria de Sergipe, a REF tem terreno, já iniciou o processo de licenciamento ambiental e encaminhou para a ANP o pedido de concessão. Segundo Costa, depois de concluído o processo de licenciamento ambiental, o prazo para início da operação é de 16 meses.

A empresa REF Brasil, criada pelo ex-diretor de refino e abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, dá a largada no projeto de construção de quatro minirefinarias no Brasil. O projeto mais avançado é de construção de uma unidade em Sergipe, que será detalhado em Aracaju, na segunda-feira.


Costa explicou ao Valor que planeja unidades "simples e baratas", inclusive em termos de operação e manutenção. A capacidade inicial de processamento planejado é de até dois módulos de 5 mil barris diários capazes de produzir apenas quatro combustíveis: gasolina, diesel, óleo combustíveis e bunker, como é chamado o combustível para navios. O investimento em cada unidade de 5 mil barris é de R$ 120 milhões, e o valor dobra se a capacidade for de 10 mil barris diários.


O plano é construir minirefinarias em Alagoas, Ceará e no Espírito Santo, além de Sergipe. Considerando o valor estimado para cada módulo de 5 mil barris e que podem dobrar, a REF pode investir até R$ 960 milhões no Brasil se as quatro minirefinarias forem construídas a plena capacidade, como antecipou ontem o ValorPRO, serviço de notícias de tempo real do Valor.


A REF, que é presidida por Costa, já criou três subsidiárias - Refinaria Sergipana, Refinaria Alagoana e Refinaria Cearense - e está em fase de criação da Refinaria Capixaba. Segundo o executivo, sua participação na REF é por meio da consultoria Costa Global, empresa que criou depois de sua demissão da Petrobras, em abril de 2012.


Segundo ele, sua empresa não tem mais negócios com o grupo Brasilinvest, com quem se uniu para atrair investidores para financiar a exploração de óleo no Paraguai. Costa preferiu não informar nomes dos sócios financeiros da REF, adiantando apenas que os demais sócios são investidores financeiros nacionais e estrangeiros. "Eu entro com o projeto, o conceito e experiência na área", explicou.


Pelo modelo de negócio planejado, a REF não vai disputar mercado com a Petrobras, ao contrário. Isso porque, diz ele, os volumes de produção não permitirão competição (a estatal produz 2,1 milhões de barris), mas sim ajudarão a companhia a importar menos combustíveis, reduzindo seu prejuízo com importações de derivados vendidos abaixo do custo de aquisição.


"Para a Petrobras é bom ter esses investidores e essas refinarias, primeiro porque estamos trazendo investimento de fora para o Brasil", diz Costa. "Segundo porque cada barril processado aqui é um barril a menos que a Petrobras vai ter de importar. Se produzirmos 40 mil barris por dia, no final o valor é muito grande, é um bom negócio", garante.


Ele explica que para serem rentáveis mesmo competindo com os preços subsidiados da estatal, as minirefinarias vão ganhar economicidade devido à logística dos projetos. O plano é construir as unidades perto de áreas de produção da Petrobras (em Sergipe ficará perto do campo de Carmópolis), comprar petróleo a preços de mercado (ainda é preciso assinar contratos com a Petrobras) e economizar com a redução de custos de distribuição.


"O ganho será na logística. Hoje para entregar combustíveis em Sergipe a Petrobras leva de caminhão ou navio de pequeno porte. E se eu faço uma unidade lá para entrega naquele mercado tenho condições de absorver esse delta preço de logística. Vamos poder vender com preço muito parecido com o da Petrobras economizando nesse transporte", diz Costa. "E quando, um dia, for possível vender a preços internacionais, o projeto melhora demais, vou estar nadando de braçada", complementa, se referindo à possibilidade de obter margens de lucro ainda maiores quando puder vender a preços internacionais tendo uma logística tão favorável.

 

Apesar do modelo de negócio bem desenhado, existem desafios de produção. Além do acesso ao petróleo da Petrobras - hoje a produção de Sergipe é processada na refinaria Rlam, na Bahia - essas unidades precisarão de óleos específicos, alguns mais leves. E o processo de produção de diesel e gasolina para atender as novas especificações para reduzir emissões de enxofre não é barato. Existe a possibilidade de utilizar hidrogênio, que é caro, e por isso uma unidade mais barata terá que tratar o petróleo utilizando soda cáustica. A partir de janeiro a gasolina produzida no Brasil precisa ter 50 ppm (partes por milhão) de enxofre e o diesel utilizado no interior poderá ter no máximo 500 ppm, ante os 1.800 permitidos até o ano passado. E qualquer nova refinaria terá que obedecer as especificações da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de 2009.


Bom conhecedor da má reação da Petrobras à concorrência quando se trata do mercado doméstico - a empresa já baixou preços dos seus combustíveis em mercados que receberam combustível importado - o executivo diz que seu projeto não traz riscos para a estatal. "Não vou perturbar a Petrobras, vou estar em um pequeno nicho de mercado. Obviamente ela está fazendo suas [novas] refinarias, mas hoje o mercado é maior que a capacidade de refino, mesmo contando com a Rnest e o Comperj", observa, em referência às duas refinarias que começaram a ser erguidas quando era diretor.


Para a refinaria de Sergipe, a REF tem terreno, já iniciou o processo de licenciamento ambiental e encaminhou para a ANP o pedido de concessão. Segundo Costa, depois de concluído o processo de licenciamento ambiental, o prazo para início da operação é de 16 meses.

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