Opinião

Refinaria em Itaguaí

Jornal do Brasil
12/12/2005 00:00
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Estamos cumprindo nosso papel

Muitos desconhecem que, bem antes de Campos entrar na briga para sediar esse empreendimento, Itaguaí foi escolhida como o local do Pólo Petroquímico, há quase 20 anos


 Lindberg Farias, prefeito de Nova Iguaçu


É curiosa a reação furiosa de parte de meus colegas prefeitos da Baixada Fluminense, não por acaso todos ligados umbilicalmente à governadora Rosângela Matheus, diante do legítimo movimento em defesa da instalação da nova Refinaria Petroquímica da Petrobrás em Itaguaí.

Legítimo porque se trata de um movimento que visa aos interesses da população da Baixada e, se nos omitirmos nesse assunto, não estaremos cumprindo o papel que esperam de nós, que é atuar politicamente em defesa da nossa região, que tem um índice de desemprego da ordem de 40%.

A nova refinaria da Petrobrás, em parceria com o grupo Ultra, é um investimento de R$ 9 bilhões que, só na sua fase de construção (prevista para durar de 2007 a 2011) vai gerar 50 mil postos de trabalho. Empregos que interessam não só à Baixada, mas também à Zona Oeste da capital e à Costa Verde, limítrofes a Itaguaí.

Itaguaí é um município estrategicamente localizado. Fica entre os dois principais centros consumidores do Brasil (Rio e São Paulo), abriga o Porto de Sepetiba, hoje rebatizado de Porto de Itaguaí, e possui uma malha ferroviária sem igual no Estado.

Muitos desconhecem que, bem antes de Campos entrar na briga para sediar esse empreendimento, Itaguaí foi escolhida como o local do Pólo Petroquímico, há quase 20 anos. Em 1986, um decreto do então presidente Sarney estabeleceu Itaguaí como sede do projeto. A pedra fundamental da obra chegou a ser lançada, com licença do Ibama e todos os estudos de impacto necessários a uma obra desse porte. Uma área de 10 milhões de metros quadrados foi desapropriada e uma estatal criada para este fim: a PetroRio, que existe até hoje.

Mas as prioridades do governo mudaram e só agora, quase duas décadas depois, a Petrobras, prestes a alcançar a autonomia em produção de petróleo e com a fundamental parceria do grupo Ultra, dona de 50% do projeto, resolveu retomar o empreendimento.

É quando Itaguaí, que esperou durante tantos anos pela sua sonhada refinaria, de repente percebe que pode ficar sem ela por conta de uma bem articulada campanha liderada pessoalmente pela governadora do estado - repito, do estado - em defesa da instalação da refinaria em Campos - coincidentemente, cidade natal de Rosângela Matheus.

Os argumentos técnicos que ouvi a favor de Itaguaí me convencem de que não há razão técnica para que Itaguaí não fique com a refinaria. O respeitado economista Rodrigo Lopes, ex-presidente do Pólo Petroquímico do Rio de Janeiro e estudioso do assunto desde os seus primórdios, diz que as águas do Norte Fluminense são rasas e a construção de um porto na região representará não só um custo adicional de US$ 540 milhões ao projeto, mas também a necessidade de um píer de 15 quilômetros

mar adentro, o que causaria grande impacto ambiental à região, que tem ainda problemas crônicos em sua bacia hidrográfica. Eu não só técnico, sou político. É evidente que a construção de uma refinaria, seja lá onde for, afeta o meio ambiente, mas a tecnologia e os técnicos existem para dar as soluções necessárias. A nós políticos cabe a defesa de nossas regiões e, no caso da Baixada, Zona Oeste e Costa Verde, estamos falando do interesse de cinco milhões de pessoas. E é a elas, somente a elas, a quem devemos total e servil obediência.

Lindberg Farias é presidente da Associação dos Prefeitos da Baixada.

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