Petroquímica

Suzano prioriza pequeno investidor em oferta

Valor Econômico
25/11/2004 00:00
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A oferta de ações da Suzano Petroquímica, cujas reservas irão de 1º a 15 de dezembro, vai inovar com um tipo de distribuição que privilegia o pequeno investidor e evita ofertas infladas. Se a demanda for maior que o total de ações ofertado, a divisão das ações entre os compradores será igualitária e sucessiva, limitada ao pedido de cada um, até chegar nos 20% das 28 milhões de ações preferenciais (PNs) que foram reservados ao varejo. Será a primeira vez que uma oferta no Brasil usará essa forma de rateio. O modelo também é novo no exterior. Segundo o vice-presidente da Suzano Holding, João Nogueira Baptista, a empresa de busca na internet Google foi a primeira a usar o modelo em sua operação de estréia no mercado de ações americano.
Na prática, a nova fórmula significa que, caso haja rateio, ele será proporcional ao pedido de compra feito pelo investidor. Numa oferta de 100 mil ações, por exemplo, com três investidores pedindo um total de 130 mil ações - o investidor "A" reservando 10 mil ações, o "B" 50 mil ações e o "C" 70 mil ações -, no modelo atual, usado em todas as ofertas de ações feitas até agora, os três levariam 77% do que pediram. Isso, para o investidor "A" representam menos de 8 mil ações, enquanto para "C" são quase 54 mil ações.
Segundo Baptista, essa forma de rateio privilegia os grandes investidores que, mesmo participando de igual percentual de corte, acabam levando muito mais ações que o investidor pessoa física.
Já no novo modelo, o investidor "A" levaria 100% das 10 mil ações que pediu, enquanto que os investidores "B" e "C" levariam 45 mil papéis cada um, o que representa 90% do pedido feito pelo investidor "B" e 65% do que foi reservado pelo "C". Os investidores são copos e as ações o líquido, ilustra Baptista. Os três copos são preenchidos com ações de forma igual até encher integralmente o menor copo. O que sobrar de ações irá preencher sucessivamente conforme o tamanho dos outros dois copos. "Nesse modelo, é muito provável que os pequenos investidores sejam atendidos integralmente."
O modelo usado até agora estava inflando artificialmente os pedidos de reserva. Prevendo que haveria um rateio, o investidor reservava uma quantidade muito maior de ações para, no fim, conseguir levar o quanto queria ou muito próximo. Isso acabava aumentando as reservas e, conseqüentemente, o percentual do rateio.
Segundo Baptista, o novo modelo foi sugerido pela Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), que também estava preocupada com os efeitos que essa demanda inflada pudesse provocar. O investidor reserva uma quantidade de ações maior do que realmente quer e, no caso de um rateio menor ou de nem haver rateio, teria de honrar a reserva inflada. "Em última instância, isso pode criar um risco sistêmico no mercado", diz Baptista. A oferta da empresa inova em outros aspectos. Um deles é que nenhum investidor poderá ter mais de 8% das ações PNs que estão no mercado. O objetivo é garantir liquidez aos papéis.
A Suzano Petroquímica está vendendo 28 milhões de ações preferenciais, o que pelo fechamento do papel no pregão de ontem - R$ 7,45, com queda de 0,66% - representa R$ 208,6 milhões. Se houver demanda adicional, serão vendidas mais 4,2 milhões de ações. Considerando apenas a operação inicial, a quantidade de ações PNs da Suzano em circulação no mercado ("free float") aumenta de 19% para 40%. Com o lote adicional, o "free float" chegará a 43% do total de PNs.
A empresa adere hoje ao Nível 2 da bolsa, com uma profunda reforma do estatuto. Entre as mudanças estão: dividendos de 30% sobre o lucro e o direito dos preferencialistas receberem 80% do valor oferecido ao controlador ("tag along") em caso de venda, enquanto que o exigido no Nível 2 é de 70%.

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