Trabalhadores do estaleiro Atlântico Sul, em Suape, denunciaram nesta quarta-feira (9) que a empresa está fazendo demissões em massa. De acordo com eles, quase mil funcionários já perderam o emprego nos últimos quinze dias.
A quadra do Sesi do Cabo de Santo Agostinho foi alugada pelo estaleiro somente para receber os funcionários que estão sendo demitidos. Nesta quarta, eles levaram ao local os uniformes e peças de segurança que usavam no desempenho da função. O operador de empilhadeira Isais Gomes da Silva trabalhava no estaleiro há mais de três anos e se surpreendeu ao saber que estava fora dos planos da empresa.
A mesma reação teve Leandro da Conceição Silva. "Como primeiro emprego, eu achava que iria crescer, tinha uma oportunidade muito grande de crescer, mas infelizmente aconteceu isso", lamenta.
A operadora Marcilene de Melo não escondeu a decepção ao entregar o crachá e a carteira de trabalho para efetivar o desligamento. "A pessoa que vai lá, cumpre seu trabalho, seu horário, não tem falta... Realmente, eu não esperava", diz ela.
O estaleiro Atlântico Sul foi criado em novembro de 2005 e é considerado um marco no ressurgimento da indústria naval brasileira. Em maio de 2010, lançou seu primeiro navio, o petroleiro João Cândido, inaugurado antes de ficar pronto pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A empresa agora diz que o navio será entregue à Transpetro em dezembro.
A direção do estaleiro Atlântico Sul não aceitou receber a reportagem da TV Globo. Em nota, a assessoria de comunicação da empresa não informou o número de demitidos, mas disse que demissões e contratações fazem parte da rotina de uma empresa do setor naval. O estaleiro diz que tem encomendados 22 petroleiros, sete navios sondas e um casco de plataforma para campo de petróleo da Petrobras. As encomendas chegariam a R$ 14 bilhões de reais, o que garantiria a solidez ao empreendimento.