Meio ambiente

A bioeconomia ganha espaço no agronegócio brasileiro

InfoMoney, 04/06/2020
04/06/2020 18:19
Visualizações: 1423

Diversas agendas que se aproximavam lentamente do agronegócio brasileiro serão quase obrigatórias neste mundo pós-pandemia: certificação, rastreabilidade, venda de alimentos por e-commerce, bioeconomia, sanidade e sustentabilidade. De certa forma, em alguns setores as agendas citadas eram mais presentes, em outros incipientes.

Segundo a ONU, até 2050 a população mundial se aproximará de 10 bilhões de pessoas. E isso ampliará a pressão sobre a agricultura e os recursos naturais.

A transformação do atual modelo econômico de desenvolvimento — baseado tanto na utilização de fontes fósseis (petróleo, gás e carvão), quanto na degradação do meio ambiente é um dos principais desafios globais.

Publicidade

A bioeconomia dá uma saída para este desafio e cria um novo paradigma de desenvolvimento. Seu conceito é amplo: uma atividade econômica que reúne setores que produzem e utilizam recursos biológicos.

A necessidade dessa agenda se dá sobre dois pilares: pressão da sociedade, em especial dos consumidores mais atentos e que transformam tendência em realidade, além do próprio esgotamento dos recursos não-renováveis.

O setor tem potencial de atrair US$ 400 milhões para o Brasil em investimentos nos próximos 20 anos e gerar mais de 200 mil empregos, de acordo com a Associação Brasileira de Bioinovação.

Segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), a bioeconomia movimenta no mercado mundial cerca de 2 trilhões de euros e gera cerca de 22 milhões de empregos.

O segmento de floresta plantada no Brasil está totalmente conectado com a bioeconomia e irá assumir o protagonismo no Brasil.

"O setor tem a sua matéria prima (madeira) utilizada na produção de produtos que são renováveis, recicláveis e muita vezes biodegradáveis", registra Patricia Machado, coordenadora de bioeconomia do IBA -- Indústria Brasileira da Árvore.

E existe uma infinidade de pesquisas e produtos em desenvolvimento: resinas, óleos, bio-óleos, nanofibra, nanocelulose e nanocristais que podem ser utilizados na indústria de alimentos, automobilística, cosméticos, medicamentos e produtos têxteis.

Os nanocristais, por exemplo, têm potencial de aplicação em sensores da indústria de petróleo e gás, cosméticos, tintas, na indústria de eletrônicos.

A Suzano, referência no setor de floresta plantada, projeta o futuro de olho em cinco plataformas principais, além dos produtos do portfólio atual (papel e celulose), segundo Fernando Bertolucci, diretor de inovação da empresa: bio-óleo, lignina (resinas), nanoceluloses, biocompositos (substituto para os plásticos atuais) e celulose solúvel.

Olhando para a indústria têxtil hoje, alguns números surpreendem: 500 bilhões de dólares/ano em valor perdido devido a subutilização de roupas e falta de reciclagem e responsabilidade por 8 a 10% das emissões de gases de efeito estufa.

Mas, em 2023, segundo a United Nations Alliance for Sustainable Fashion, 7,5% da produção de têxteis virão de fibras de madeira.

Divulgação

A startup finlandesa Spinnova, que tem a Suzano como sócia, detém a tecnologia para transformar a nanocelulose em fios têxteis, processo que economiza 90% da água e 90% dos químicos utilizados hoje na indústria têxtil tradicional. "É uma revolução", comemora Bertolucci.

Em dois anos, a primeira planta industrial pré-comercial da Spinnova deve entrar em operação -- e, em cinco anos, o produto deverá ser completamente comercial.

O fortalecimento da bioeconomia deve ser comemorado, mas não podemos nos esquecer da vida que leva o setor de etanol, primeira experiência brasileira em bioeconomia, que desde o início, na década de 1970, parece ser o setor do futuro.

No entanto, ele caminha aos trancos e barrancos, nunca se firmando totalmente no Brasil, mesmo com o gigantesco potencial. Mas alguns fatores explicam as crises sucessivas do setor sucroalcooleiro (etanol, açúcar e energia).

A relação direta entre o preço do etanol e o preço do petróleo é um enorme desafio. Ao final do dia, o cliente vai escolher o produto mais barato na bomba. Toda vez que o petróleo caiu muito ao longo destes 40/45 anos, o álcool ficou com margens negativas.

Quando o governo federal resolve fazer política e segura o preço artificialmente da gasolina, gera quebradeira no setor. E isso aconteceu nos últimos 10 anos: foram mais de 80 usinas fechadas e 70 pediram recuperação judicial.

Na última década, também tivemos outro problema: um excesso de oferta de açúcar no mercado internacional.

O RenovaBio (política que cria créditos de descarbonização), aprovado pelo Congresso Nacional, pode ser a salvação do setor. Os primeiros passos já foram dados no mercado

O portfólio de produtos da bioeconomia cresceu muito. Muito além do etanol e do açúcar. Há mais de 3 mil produtos desenvolvidos ou em desenvolvimento.

Por tudo isso, o setor ganha espaço no agronegócio brasileiro. E tem tudo pra se firmar em definitivo ao lado da soja e da proteína animal, nossos campeões nacionais.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Pré-Sal
PPSA realiza segunda etapa do 5º Leilão Spot da União do...
04/03/26
Apoio Offshore
OceanPact e CBO anunciam combinação de negócios
04/03/26
Dia Internacional da Mulher
Em indústria dominada por homens, Foresea avança e ating...
04/03/26
Biometano
Revisão de regras de especificação e controle da qualida...
04/03/26
FEPE
INOVAR É SEMPRE PRECISO - Entrevista com Orlando Ribeir...
04/03/26
Etanol
Nos 50 anos de ORPLANA, Cana Summit debate o futuro da p...
04/03/26
Petrobras
Caracterização geológica do Pré-Sal com projeto Libra Ro...
03/03/26
Resultado
Espírito Santo retoma patamar de produção e ABPIP aponta...
03/03/26
Parceria
Wiise e Petrobras firmam parceria para aplicar IA na seg...
03/03/26
Posicionamento IBP
Conflito no Oriente Médio
03/03/26
Economia
Firjan defende fortalecimento da credibilidade fiscal pa...
03/03/26
Dia Internacional da Mulher
Cladtek lança programas para ampliar oportunidades para ...
03/03/26
Etanol
Quedas nos preços dos etanóis ficam acima de 3% na semana
03/03/26
Pessoas
José Guilherme Nogueira assume coordenação da Comissão d...
02/03/26
Evento
ABPIP realiza 1º Workshop ABPIP + ANP 2026 sobre especif...
02/03/26
Combustível
Etanol amplia perdas e encerra semana com nova queda nos...
02/03/26
Gasodutos
ANP fará consulta pública sobre valoração da Base Regula...
27/02/26
ANP
Combustível do Futuro: ANP aprova duas resoluções para r...
27/02/26
Evento
ONIP formaliza Comitê de Empresas em evento na Casa Firjan
27/02/26
Pessoas
Abegás elege nova composição do Conselho de Administraçã...
27/02/26
Firjan
Mesmo com tarifaço, petróleo faz corrente de comércio do...
26/02/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23