Meio ambiente

Centro de pesquisa brasileiro ajudará o País no combate às mudanças climáticas

Shell e FAPESP investem R$ 63 milhões para o desenvolvimento de inovações que possibilitem mitigar as emissões de GEEs, capturar e estocar carbono e transformar CO2 em produtos de alto valor agregado.

Redação TN Petróleo/Assessoria
08/10/2021 09:04
Centro de pesquisa brasileiro ajudará o País no combate às mudanças climáticas Imagem: Divulgação Visualizações: 2372

A Shell e a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) irão investir R$ 63 milhões (R$ 51 milhões pela empresa e R$ 12 milhões pela fundação) para alavancar um plano ambicioso de tornar a ciência brasileira uma referência internacional no apoio às estratégias dos setores público e privado de combate às mudanças climáticas. O beneficiário deste aporte de recursos será o FAPESP Shell Research Centre for Gas Innovation – um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) com sede na Universidade de São Paulo (USP) que até então investigava o uso sustentável de gás natural biogás, hidrogênio; gestão, transporte, armazenamento e uso de CO2. 

A partir de agora, as pesquisas do RCGI passam a ser focadas em inovações que possibilitem ao Brasil atingir os compromissos assumidos no Acordo de Paris, no âmbito das NDCs – Nationally Determined Contributions. "Para este desafio, sabemos que não bastam soluções que reduzam as emissões de gases de efeito estufa (GEEs). É preciso ir além: capturar e armazenar carbono; transformar CO2 em matéria-prima para a indústria química; e superar gargalos de mercado, de regulação e de percepção pública", destaca o diretor geral e científico do RCGI, Julio Meneghini (foto). "É neste cenário que iremos atuar com nossos projetos", resume. 

Para Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, a ampliação do escopo de pesquisa direciona o RCGI para investigações relacionadas não apenas ao uso sustentável de energia, mas também às mudanças climáticas. "O combate às causas das mudanças climáticas globais é um importante desafio da humanidade, assumindo a posição de principal meta de todos os países, à medida que a ameaça da pandemia de COVID-19 se reduz", sublinha. 

O vice-diretor geral do RCGI, Alexandre Breda, executivo da Shell, também destaca que parte dos novos desafios do RCGI vai ao encontro das estratégias globais da empresa, que pretende ser neutra em carbono até 2050. "Além de um time excelente de cerca de 400 pesquisadores, hoje o centro tem um grau de maturidade e de organização que o habilita enfrentar desafios complexos", afirma. 

Inovações disruptivas – Com a mudança de foco, o nome do RCGI passa a ser Research Centre for Greenhouse Gas Innovation, mantendo a mesma sigla. O centro também passará a ter cinco novos programas: NBS (Nature Based Solutions); CCU (Carbon Capture and Utilization); BECCS (Bioenergy with Carbon Capture and Storage); GHG (Greenhouse Gases) e Advocacy. Os cinco programas articulam 19 projetos de pesquisa, vários deles com potencial para serem disruptivos. 

O programa NBS, por exemplo, buscará soluções para promover o sequestro de carbono na vegetação e no solo com projetos de reflorestamento de espécies nativas, de restauração de pastagens degradadas, de sistemas integrados lavoura-floresta-pecuária. Também apoiará a prestação de serviços ecossistêmicos, além de dar suporte para a elaboração de políticas públicas e incentivar o bem-estar social.   

Trilhar novas rotas químicas, biológicas ou eletroquímicas, transformando CO2 em matéria-prima para a indústria química, está no escopo do programa CCU. Outra proposta inovadora é a aplicação da tecnologia de captura e armazenamento de carbono para a indústria de bioenergia, o que está previsto no programa BEECS. Nesse caso, o desafio será obter uma pegada negativa de carbono na cadeia de bioenergia, o que colocaria o Brasil na liderança mundial desse combustível.  

Já o programa GHG trabalhará para encontrar meios de trazer maior confiabilidade no inventário de emissão de gases de efeito estufa do Brasil, além de desenvolver novas tecnologias para contê-las. "De nada adianta termos produtos e processos economicamente viáveis, com pegada zero de emissão, se não tivermos créditos de carbono de qualidade para comercializá-los", ressalta Meneghini. "Além disso, será necessário avaliar a viabilidade de cada um dos projetos em termos econômicos, jurídicos e sociais, a fim de desenvolver estratégias e apresentá-los aos grupos de interesse, o que caberá ao programa Advocacy." 

Para Meneghini, o Brasil está em posição estratégica e de vantagem no cenário mundial: possui uma matriz energética relativamente limpa; setores industriais que permitem a captura de CO2 com alta eficiência; e uma agricultura de larga escala, podendo se firmar como um grande sorvedouro de CO2. "O País também possui reservatórios geológicos propícios para estocagem de carbono, e já estamos desenvolvendo tecnologia para fazê-lo", finaliza. 

Sobre o RCGI – Sediado na USP, o Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI) foi criado em 2015 como um Centro de Pesquisas em Engenharia financiado pela FAPESP e pelo BG Group. Em 2016, após a venda do BG Group, a Shell tornou-se parceira oficial do centro. Em 2020, contava com cerca de 400 pesquisadores atuando em 46 projetos de pesquisa focados em estudos avançados no uso sustentável do gás natural, biogás, hidrogénio, gestão, transporte, armazenamento e uso de CO2. Saiba mais em: https://www.rcgi.poli.usp.br/pt-br/ 

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ANP
Combustível do Futuro: ANP aprova duas resoluções para r...
27/02/26
Evento
ONIP formaliza Comitê de Empresas em evento na Casa Firjan
27/02/26
Pessoas
Abegás elege nova composição do Conselho de Administraçã...
27/02/26
Firjan
Mesmo com tarifaço, petróleo faz corrente de comércio do...
26/02/26
Exportações
Vast bate recorde de embarques de óleo cru para exportaç...
26/02/26
Resultado
ENGIE Brasil Energia cresce 14,6% em receita e investe R...
26/02/26
Royalties
Valores referentes à produção de dezembro para contratos...
25/02/26
Premiação
BRAVA Energia recebe prêmio máximo na OTC Houston pelo p...
25/02/26
Documento
ABPIP apresenta Agenda Estratégica 2026 ao presidente da...
25/02/26
Câmara dos Deputados
Comissão especial debate papel dos biocombustíveis na tr...
25/02/26
FEPE
O desafio de formar e atrair talentos para a indústria d...
24/02/26
Royalties
Valores referentes à produção de dezembro para contratos...
24/02/26
Energia Solar
Conjunto Fotovoltaico Assú Sol, maior projeto solar da E...
23/02/26
Internacional
UNICA e entidade indiana firmam acordo para ampliar coop...
23/02/26
Onshore
Possível descoberta de petróleo no sertão cearense mobil...
23/02/26
Oferta Permanente
ANP realizará audiência pública sobre inclusão de 15 nov...
23/02/26
Internacional
Brasil e Índia: aliança no setor de bioenergia em pauta ...
23/02/26
Biometano
MAT bate recorde de instalações de sistemas de compressã...
23/02/26
Combustíveis
Etanol amplia perdas e encerra semana com nova queda nos...
23/02/26
Macaé Energy
Macaé recebe feira estratégica de energia voltada à gera...
20/02/26
PPSA
Produção de petróleo e de gás natural da União dobra em ...
20/02/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

23