Pesquisa

Equilíbrio no mercado fará barril atingir US$ 50 em até dois meses

Gazeta Mercantil
10/03/2009 03:57
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As reduções recorde de produção adotadas pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) estão enxugando o excedente dos mercados petrolíferos mundiais, o que leva as operadoras a apostar que o petróleo bruto estará a US$ 50 dentro de dois meses.

 

Desde que o petróleo iniciou sua queda vertical de 69% em relação ao seu preço recorde, de US$ 147,27 o barril, registrado em julho do ano passado, as operadoras procuram sua possível cotação mínima. Agora que a Opep reduziu a oferta do produto em 13% desde setembro, os estoques estão caindo à razão de 1,4 milhão de barris/dia, segundo a PVM Oil Associates, a maior corretora de transações no setor de energia entre bancos. A Opep vai limitar novamente as exportações na próxima reunião do grupo, a 15 de março, segundo pesquisa da “Bloomberg News”.

 

Os países-membros do grupo têm mais estímulo do que nunca para restringir a produção, devido à combinação de queda dos preços e recessão mundial, que reduzirá seus lucros em 59% este ano, para US$ 402 bilhões, segundo o Departamento de Energia dos Estados Unidos. A demanda por petróleo bruto vai cair pelo segundo ano consecutivo, sua maior retração consecutiva desde 1983, disse a Agência Internacional de Energia (AIE).

 

Os cortes da Opep são “suficientes para enfrentar o excedente”, disse Harry Tchilinguirian, analista-sênior de petróleo do BNP Paribas de Londres. “Se eles fizerem mais que isso e tentarem de forma muito agressiva obter uma meta de preços, há o risco de gerar um mercado super-restritivo numa época de enfraquecimento da economia, o que paralisará a recuperação.”

 

Opções dobram

 

O número de contratos que concedem às operadoras a opção de comprar petróleo bruto a US$ 50 antes de 14 de maio mais que dobrou na semana passada, para 16.952 na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex). O preço dos contratos subiu 8%. O petróleo deverá alcançar US$ 60 o barril se a Opep reduzir a produção, disse Pierre Andurand, diretor de investimento da BlueGold Capital Management LLP, o fundo de hedge, sediado em Londres, que rendeu 31% este ano.

 

Os ministros de Venezuela, Argélia e Catar, filiados à Opep, disseram que pode ser necessária a adoção de limites mais rígidos na reunião de cúpula agendada para o próximo dia 15 em Viena. Embora a Arábia Saudita, o maior exportador do mundo, ainda não tenha se manifestado, o rei Abdullah e o ministro do Petróleo do país, Ali al-Naimi, disseram no ano passado que US$ 75 é um preço justo para os países produtores e para os países consumidores.

 

“O mais provável é um corte da parte dos países produtores”, disse o ministro do Petróleo da Argélia, Chakib Khelil, em entrevista concedida a 2 de março em Madri. “Isso está muito vinculado à crise da economia, que é muito mais profunda do que todos pensavam.”

 

Pesquisa da Bloomberg apurou que 31 dos 41 analistas consultados previram que a Opep vai restringir a produção pela quarta vez na reunião. A sondagem se realizou nos dias 3 e 4 de março.

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