Mercado

G-8 pede maior produção da Opep; sauditas atendem

Os ministros das Finanças do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), reunidos em Nova York, pediram à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) que aumente sua produção como forma de reduzir os riscos ao crescimento global. A decisão unilateral saudita de

Valor Econômico/ag.
24/05/2004 00:00
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Os ministros das Finanças do G-8 (grupo dos sete países mais ricos do mundo e a Rússia), reunidos em Nova York, pediram à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) que aumente sua produção como forma de reduzir os riscos ao crescimento global. A decisão unilateral saudita de aumentar sua cota de produção no cartel, entretanto, causou descontentamento entre os outros membros, indicando que a proposta dos países ricos não terá uma tramitação tão fácil na organização.
Uma declaração conjunta do G-8 divulgada ontem advertiu que "os riscos à economia global sobrevivem. Preços menores para o petróleo beneficiariam a economia de todo o planeta, principalmente dos países mais pobres".
O secretário de Finanças do Reino Unido, Gordon Brown, disse que dava as "boas-vindas à iniciativa de alguns dos exportadores de petróleo em aumentar suas produções, numa ação que objetiva assegurar que os preços do petróleo voltem a níveis consistentes com com uma estabilidade e uma prosperidade duráveis da economia global".
Um aumento de 38% no preço do óleo cru durante o último ano vem prejudicando o que Brown chama de uma "economia global forte". O barril chegou a um recorde de US$ 41,85 na segunda passada, enquanto a demanda teve sua maior alta desde 1988.
A Arábia Saudita disse no sábado que vai aumentar a sua cota de produção de petróleo até chegar a 9,1 milhões de barris/dia . Embora sua cota esteja em torno de 7,6 milhões de barris/dia, estimativas do mercado indicam que o país produza atualmente 8,6 milhões de barris/dia. A medida aparentemente não agradou muito os outros membros do cartel internacional, que têm pouca margem de manobra para aumentar suas produções (leia texto abaixo).
A organização adiou para o dia 3 de junho, na reunião em Beirute, Líbano, a decisão sobre a proposta saudita de aumentar a produção total da Opep em 8,5%.
Os ministros da Opep que se encontraram em Amsterdã (Holanda), no final de semana, apenas concordaram com a preocupação quanto aos altos preços do petróleo, mas discordaram quanto à necessidade de aumentar as quotas de produção.
Alguns dos membros mostraram descontentamento com a decisão de Riad de aumentar unilateralmente sua produção para pouco mais de 9 milhões de barris/dia.
"Eles não podem fazer isso. É um erro. A Arábia Saudita não pode decidir sozinha o aumento da produção", disse o ministro do Petróleo da Líbia, Fethi bin Chetwane.
Um outro membro da organização, que pediu às agências internacionais de notícias para não ser identificado, disse esperar grande resistência contra a posição saudita na reunião do cartel em Beirute. "Eu temo que acho que, quando os preços começarem a cair, isso não se dará em 1% ou 2%, mas em 10%", disse.
Quanto ao G-8, esta foi a primeira vez desde setembro de 2000 que o grupo pressionou os exportadores a aumentar a produção. Segundo o secretário de Energia dos EUA, Spencer Abraham, o ministro da Energia saudita, Ali al-Naimi, garantiu que os pedidos americanos de aumento na produção serão atendidos, como forma de baixar o preço internacional.
Analistas disseram ontem que a iniciativa saudita deve, pelo menos temporariamente, acalmar os mercados e servir de breque para os preços. Esses mesmos especialistas, entretanto, advertiram ser pouco provável que haja uma margem de queda significativa no nível atual de preços, que está em aproximadamente US$ 40 o barril.
Al-Naimi disse que o preço de US$ 30 a US$ 40 por barril não vai colocar a economia mundial em perigo. "O mercado deve dar boas-vindas a um preço por volta de US$ 35, porque teme um preço de US$ 50. E nós também tememos esse valor", disse o ministro saudita.
O G-8, que é responsável por dois terços do PIB global, inclui EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. A Rússia participa como convidada, devido a seu peso estratégico.

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