EPE

Governo decide leiloar eólicas em 2009

Agência Reuters
15/01/2009 02:10
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O setor energético brasileiro pode ser considerado privilegiado neste momento de crise, mesmo com a restrição de crédito, avaliou o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, que além de manter os leilões de eletricidade já previstos para 2009, programa, pela primeira vez, ofertar energia eólica no País.

 

A despeito de a energia eólica ser considerada cara por especialistas, Tolmasquim disse à “Reuters” que a realização do leilão servirá para mostrar o seu real valor no Brasil.

 

O uso da energia eólica tem crescido no mundo inteiro e, assim como a hidrelétrica, é considerada uma fonte de geração não-poluente. “A vantagem de realizar o leilão é que o Brasil vai descobrir o valor real da energia eólica. Todos falam que é alto, mas qual é esse preço? Como o nosso País tem um potencial muito grande, eventualmente a gente pode ser surpreendido na hora da competição”, afirmou o presidente da EPE.

 

Até o final do mês Tolmasquim entrega ao Ministério de Minas e Energia os estudos para o primeiro leilão específico de energia a partir dos ventos e a proposta de um programa eólico mais amplo, a fim garantir ao investidor a continuidade dos certames. “Estamos pensando em fixar quantidade (de venda de energia nos leilões) para os próximos anos, para sinalizar continuidade, senão não vem fábrica, e tem fábrica de equipamentos de eólicas querendo se instalar aqui”, disse o executivo, lembrando que a falta de equipamentos produzidos no País foi um obstáculo para o Proinfa, programa do governo criado para incentivar fontes alternativas de energia e que possui exigência de conteúdo nacional.

 

Tolmasquim disse que ainda não estipulou o volume que será negociado no primeiro leilão de energia eólica no Brasil, que teria entre os interessados a espanhola Iberdrola, segundo o executivo. “Mas existem vários grupos espanhóis, portugueses e brasileiros interessados”, antecipou o especialista.
O leilão deverá ocorrer entre o final do primeiro semestre e começo do segundo, mesma época prevista para os demais leilões de eletricidade previstos pelo governo federal em 2009. “Todos os leilões devem ser no final do primeiro semestre e início do segundo”, disse, referindo-se também aos leilões para compra de energia visando 2012 (A-3) e 2014 (A-5).

 

Licitação de Belo Monte

 

Já o leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, que será instalada no rio Xingu, no Pará, será realizado entre outubro e novembro. “(A escolha da data) não tem a ver com crise, é mais com os prazos dos editais”, afirmou Tolmasquim, “mas eventualmente pode ser até conveniente para dar mais fôlego aos investidores.

 

 

Ele disse não temer que a restrição de crédito do mercado atrapalhe os leilões, argumentando que o setor elétrico brasileiro garante a contratação da energia por 15 anos, no caso das térmicas, e por 30 anos, nas hidrelétricas, o que dá estabilidade ao investidor e aos bancos que o financiam.

 

Tolmasquim estimou também que a queda do preço do petróleo vai reduzir os custos para as empresas explorarem a commodity no Brasil, refletindo a queda do preço dos equipamentos, o que garantirá a manutenção do interesse de investidores.

 

“A crise, por incrível que pareça, pode vir a ser positiva, porque tem a queda de demanda levando o preço do petróleo a cair, e o Brasil tem projetos muito robustos, que mesmo com petróleo em baixa se mantêm”, avaliou.

 

“É claro que pode ter um problema conjuntural de caixa, de alavancagem em um certo momento, mas olhando um pouco mais adiante para o Brasil, é uma grande oportunidade”, completou Tolmasquim.

 

Segundo o executivo, a perspectiva é de que o preço do petróleo se estabilize entre US$ 70 e US$ 75 no médio prazo, “e mesmo abaixo disso os projetos da Petrobras são viáveis”, ressaltou, sem saber informar se ocorre o mesmo nos projetos do pré-sal, região de maior custo de exploração, mas com grande potencial de volume de produção.

 

Tolmasquim afirmou que a vocação de o Brasil se tornar um exportador de petróleo não morreu com a crise e que reduções momentâneas na autossuficiência alardeada pelo governo são normais. “Nesse momento a gente está numa transição realmente, mas o Brasil vai ser um país exportador. Em algum momento importa mais ou exporta mais, isso não é relevante, o importante é que a tendência é crescente”, explicou.

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