Inteligência Artificial
Mecanismo permanente criado pelas Nações Unidas vai balizar regras de conformidade e segurança tecnológica que afetam grandes corporações e o setor de energia.
Redação TN Petróleo/Assessoria
A regulamentação internacional da inteligência artificial ganhou um novo marco estratégico com forte impacto para o ambiente corporativo de alta regulação. O engenheiro de sistemas André Afonso Silva (foto) foi selecionado pelas Nações Unidas para compor a sessão inaugural do Global Dialogue on AI Governance. O fórum permanente realiza seu primeiro ciclo de reuniões nos dias 6 e 7 de julho em Genebra, na Suíça.
O avanço dos sistemas inteligentes deixou de ser uma pauta puramente tecnológica e passou a figurar como prioridade nas matrizes de conformidade, governança corporativa e responsabilidade socioambiental das grandes empresas. Setores de infraestrutura pesada, como a indústria de energia, óleo e gás, acompanham com atenção o desenho das novas regras globais, que devem ditar os padrões de auditoria algorítmica e conformidade para fornecedores e concessionárias.
Silva participa do encontro internacional credenciado pela Federação das Câmaras de Comércio Exterior (FCCE), entidade que integra o Sistema da Confederação Nacional do Comércio (CNC), onde ocupa o cargo de vice presidente do Conselho de Inovação, Transição Tecnológica e Deep Techs. Com formação básica pelo tradicional Colégio de São Bento e graduação em Engenharia de Sistemas e Computação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ele também compõe o conselho editorial científico do CPAH (Centro de Pesquisa e Análises Heráclito), com atuação direta na validação de periódicos científicos no Brasil e em Portugal.
O Novo Cenário Regulatório Global
Instituído oficialmente pela Resolução A/RES/79/325 da Assembleia Geral da ONU, o Global Dialogue on AI Governance faz parte do Pacto para o Futuro. A estrutura foi desenhada como um processo contínuo de ciclos sucessivos, reunindo representações diplomáticas e lideranças do setor produtivo de 193 países.
A sessão fundadora em solo suíço é copresidida pelas delegações da Estônia e de El Salvador, ocorrendo de forma integrada à Cúpula AI for Good. O objetivo do comitê é consolidar o arcabouço internacional que vai orientar o uso estatal e corporativo da tecnologia. Um segundo ciclo de encontros globais já está programado para Nova York no próximo ano.
Riscos Sistêmicos e Governança Nativa
Fundador da Essência A.I., consultoria de inteligência estratégica que integra o programa IBM Partner Plus, André Afonso Silva foca sua atuação no descompasso entre a velocidade da evolução dos algoritmos e a capacidade de resposta das estruturas de controle. Mestre pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o especialista defende o conceito de governança inscrita no próprio desenho dos sistemas, mitigando riscos antes que as ferramentas entrem em operação contínua.
"A inteligência artificial deixou de ser ferramenta e se tornou infraestrutura. A governança não pode mais ser um exame que se faz depois, ela precisa estar inscrita na arquitetura dos sistemas antes que entrem em operação."
A convocação oficial do engenheiro brasileiro para o comitê da ONU destaca o reconhecimento a sua experiência técnica na formulação de políticas públicas e análise de risco sistêmico em ambientes regulados.
A missão em Genebra inclui ainda agendas de relacionamento com lideranças do Fórum Econômico Mundial e da Organização Mundial do Comércio. Os relatórios de inteligência regulatória gerados a partir dos debates na Suíça serão consolidados e direcionados ao mercado brasileiro no segundo semestre, servindo de subsídio para estratégias de compliance e investimento das empresas nacionais em tecnologias emergentes.
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