Rio de Janeiro
Para a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o cenário é agravado pela instabilidade no Oriente Médio, que pressiona os custos globais, eleva as expectativas inflacionárias e limita o espaço para cortes mais expressivos nos juros.
Redação TN Petróleo/Assessoria Firjan
O crescimento da indústria nacional pelo segundo mês consecutivo não altera o quadro de baixa confiança dos empresários do setor: são 15 meses de pessimismo, influenciado, sobretudo, pela percepção desfavorável das condições atuais da economia brasileira. Apesar da recente redução na taxa básica de juros, o patamar da Selic ainda está muito distante do necessário para destravar competitividade, investimentos e inovação, aponta a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).
Esse cenário é agravado pela instabilidade no Oriente Médio, que pressiona os custos globais, eleva as expectativas inflacionárias e limita o espaço para cortes mais expressivos nos juros. "Como resultado, o Brasil caminha para o quinto ano consecutivo com a taxa básica em dois dígitos, mantendo o crédito caro como um fator limitante para setores mais sensíveis, como o de transformação, que acumula recuo de 0,9% nos últimos 12 meses", diz o economista-chefe da Firjan, Jonathas Goulart.
Para a federação, a superação desse ciclo de incertezas exige mudanças internas. O principal foco de preocupação continua sendo a trajetória da dívida pública — que em dez anos saltou de 67% para 79% do PIB — e a falta de espaço no orçamento para investimentos em infraestrutura, ciência e tecnologia.
Para os candidatos ao próximo governo, impõe-se a tarefa de apresentar um plano fiscal crível, com mudanças estruturais que permitam uma alocação mais eficiente do gasto público, reduzam o risco-país e abram espaço para juros sustentavelmente menores. Somente assim será possível transformar a indústria em um setor de alto valor agregado, apto a ocupar posição estratégica nas cadeias globais, mesmo diante de tensões geopolíticas.
Fale Conosco
23