Balanço

Petrobras informa que a auto-suficiência pode ficar para o ano que vem

Produção deve atingir 1,850 milhão de barris diários em dezembro, mas parque de refino ainda não deve ter capacidade de processar 100% de óleo nacional. Importação de óleo mais leve também representa vantagens comerciais em relação a derivados.

Balanço
28/02/2005 00:00
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A produção da Petrobras deve atingir em dezembro deste ano o patamar de 1,850 milhão de barris diários de óleo e gás liqüefeito, contra 1,511 milhão de barris atingidos no final de 2004, mas a tão esperada auto-suficiência brasileira pode esperar até o ano que vem. Isso porque a capaciadade do parque de refino ainda não terá este ano capacidade de processar 100% do óleo produzido no Brasil, predominantemente do tipo pesado.

Nesse cenário, com as margens de refino elevadas no mercado internacional, a importação de óleo mais leve continuará oferecendo mais vantagem comercial em relação à compra de derivados.

A explicação foi dada nesta segunda-feira (28/02) pelo diretor Financeiro e de Relações com Investidores, José Sergio Gabrielli, durante a apresentação dos resultados no exercício de 2004, no qual foi registrado o lucro histórico de R$ 17,9 bilhões, com aumento de 0,37% em relação a 2003. "Partimos do princípio de que o nosso parque de refino ainda não estará preparado neste ano para processar 100% de petróleo nacional. Por isso vamos continuar com esse sistema de trocas. Há interesses também comerciais e financeiros. Se a margem de refino estiver muito alta lá fora, é melhor importamos mais o óleo mais leve do que importamos derivados", justificou Gabrielli.
O nível de importação de óleo e derivados fechou 2004 com um aumento de 172 mil barris diários, somando 559 mil barris. Contribuíram para o resultado a maximização da produção de diesel e minimização da produção de óleo combustível, a manutenção dos níveis de exportação de derivados e a pequena queda nas exportações de petróleo para uso próprio nas refinarias.
O diretor de Exploração e Produção (E&P) da estatal, Guilherme Estrella, informou que até o final deste ano a capacidade nominal será ampliada em 580 mil barris diários produzidos, com a entrada em operação das plataformas P-43, P-48 e P-50, para os campos de Barracuda, Caratinga e Albacora Leste, respectivamente. A entrega das três unidades foi atrasada em por motivos operacionais, o que impactou no desempenho da produção em 2004, quando alcançou em dezembro patamar praticamente estável em relação ao mesmo mês de 2003.
O resultado também foi comprometido pelas paradas das plataformas P-25 (Albacora), P-26 e P-35 (Marlim) e FPSO-MLS (Marlim Sul). Segundo Estrella, com a entrada da P-48 ocorrida nesta segunda-feira, a unidade deverá estar produzindo 150 mil barris diários em meados de março. Um mês depois, a P-43 estará produzindo o mesmo volume. Em julho deverá estar normalizada a produção da FPSO Marlim Sul, que tem capacidade de 100 mil barris por dia. Para dezembro, está prevista a entrada em operação da P-34 (Jubarte Fase 1), com capacidade de 60 mil barris diários. "Isso não quer dizer que vamos para 2 milhões, porque há as paradas programadas, além de outros fatores, como o declínio natural dos campos, por exemplo", destacou o diretor de E&P.
As vendas líquidas da Petrobras em 2004 totalizaram R$ 108,2 bilhões, indicando um aumento de R$ 12,5 bilhões sobre 2003, o que contribuiu para o resultado recorde do exercício. Além da elevação dos volumes vendidos, a expansão foi influenciada pelos preços dos derivados no mercado interno, balizado pelos preços internacionais.
O resultado também foi favorecido pela redução da conta de outras despesas operacionais, no valor de R$ 2,7 bilhões, devido principalmente à não repetição do provisionamento para perdas com exposição financeiras em negócios de energia (R$ 2,1 bilhões provisionados em 2003) e ao reconhecimento de uma provisão de R$ 330 milhões, para ajuste ao valor de mercado, de turbogeradores a gás. As despesas financeiras líquidas, no valor de R$ 2,4 bilhões, aumentaram como conseqüência de perdas com operações com derivativos, que somaram R$ 654 milhões, e do pagamento de juros sobre diversos empréstimos da Petrobras Energia Particiopaciones S.A. (Pepsa), no total de R$ 495 milhões.

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