Estaleiros

PJMR nega outras propostas

 A PJMR, empresa que venceu a licitação da Transpetro para a construção de oito navios gaseiros, aguarda solução rápida para o impasse sobre o terreno do estaleiro Promar Ceará, já que tem sido procurada, mas ainda se nega a receber

Diário do Nordeste
10/05/2010 03:07
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 A PJMR, empresa que venceu a licitação da Transpetro para a construção de oito navios gaseiros, aguarda solução rápida para o impasse sobre o terreno do estaleiro Promar Ceará, já que tem sido procurada, mas ainda se nega a receber propostas de estados interessados no empreendimento. Ela admite a possibilidade de construir o equipamento na área da Inace ou até no Pecém, caso o terreno no Titanzinho não seja disponibilizado.

  Para isso, o governo do Estado e a prefeitura (de Fortaleza ou de São Gonçalo do Amarante) devem apresentar a área já preparada e abrigada, com aterramento e enrocamento. Na próxima quinta-feira, a prefeita Luizianne Lins receberá, no palácio do Bispo, o sócio da empresa, Paulo Haddad, para dar continuidade à negociação. O governador Cid Gomes deve se encontrar com o empresário posteriormente, em data a ser definida.

 

Haddad avalia como natural a cobrança da Transpetro em relação ao terreno para construção do empreendimento. Ele reconhece que o prazo está correndo e acredita que no próximo encontro com a prefeita as negociações avancem e que é possível que já saia uma definição quanto à localização.

 

Ontem, ele participou do lançamento ao mar do navio João Cândido, a primeira embarcação fabricada por encomenda do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro, no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Ipojuca, Pernambuco. Haddad foi o primeiro presidente do EAS e disse que espera sentir a mesma emoção de ontem daqui há alguns anos, em terras cearenses. "Tinha muita falta de informação na última reunião com a equipe da Prefeitura de Fortaleza. Clareamos tudo e acho que não há mais duvida", disse. Acredito que o Estado não queira perder o Estaleiro", emenda. "Assim, tenho certeza que na próxima reunião com a prefeita nós aprofundaremos as negociações e vamos chegar a uma definição sobre o local", acrescenta.

 

Sobre o terreno em discussão, o empresário explica: "Eu não bato o pé para que seja no Titanzinho, eu digo que o Ceará não tem vocação natural para ter estaleiro, pelo planejamento da costa, e um dos lugares que têm esta possibilidade é o Titanzinho. Não descobri outra área. Mas eu não conheço o Ceará a fundo, o pessoal que conhece, que vive lá é que tem que dizer. Eu só digo as necessidades que tenho de área de calado e frente e as autoridades localizam essa área para mim. Ele aproveitou para afirmar que o estaleiro no Titanzinho quase não terá impacto em transporte rodoviário. "O modal não será empecilho. Exatamente o contrário. O estaleiro busca ficar próximo a áreas portuárias, pois nosso material chega todo por portos. Ali, seria excelente porque chegaria por dentro do Porto do Mucuripe".

 

No Atlântico Sul

 

"Construir o estaleiro aqui em Pernambuco foi um sonho. Muitos disseram que seria impossível, mas buscamos parceiros mais fortes que a PJMR, como Queiroz Galvão e Camargo Correia, além de um parceiro tecnológico importante como a Samsung, inicialmente era estrutura de médio porte e depois a demanda cresceu e ampliamos o estaleiro", comemora Haddad.

 

O sócio da PJMR lembra que quando iniciou a construção do EAS, também surgiram empecilhos. "A gente veio fazer aqui e teve o problema de terreno com o pessoal da área. Isso é natural. Mas a questão foi contornada. Queremos fazer igual no Ceará. Lá será de pequeno porte, mas depois surgirão mais demandas e o Promar vai crescer também. Aqui em Pernambuco foi a realização de um sonho e cumprimento de uma missão. Estaleiro completo, geração de empregos e o impacto na área social, que é o mais importante. A próxima missão é no Ceará", declarou Haddad.

 

CUSTO ELEVADO

Instalação na Inace e Pecém possíveis

O executivo da PJMR, Paulo Haddad, admite a possibilidade de instalar o estaleiro em outras áreas. "É possível na Inace (terreno da Indústria Naval do Ceará, na Praia de Iracema), fazendo obras de investimento lá, aumentando a área porque é pequena. Teria que ser severamente ampliada e vai causar impactos de aterramento e enrocamento. É lógico que é possível. Qualquer área é possível desde que seja abrigada. O problema da costa do Ceará é por ser muito aberta. Qualquer intervenção, coisa que proteja a área, resolve a questão. Porém, essa intervenção inviabiliza financeiramente qualquer projeto. Por isso tem que ser um lugar natural, como o Titanzinho", avalia. "Mas, o fornecimento da área já pronta para instalação do estaleiro é responsabilidade do governo e da Prefeitura e isso é o que define", salienta o executivo. Outra hipótese já sugerida é o Promar Ceará sendo integrado ao Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). "Loucura"

 

"No Pecém é loucura, mas pode ser. Se acharem que deve ser lá, nós iremos. Mas é uma área muito nobre, com calado de 22 metros, que vai precisar disso para os investimentos que ainda serão feitos, como a Transnordestina. Eu preciso apenas de 10 ou 12, então, eles vão fazer uma ilha para eu habitar? Fazer aterramento e enrocamento num calado de 22 metros?", questiona Haddad.

 

Outros estados

 

Sobre as especulações quanto ao estaleiro não vir a ser construído em território cearense, o executivo assegura que elas não procedem. "Eu não afirmei e nem tenho dito que o Promar não será no Ceará. O que acontece é que os outros estados interessados, por conta dessa pendência, ficam acirrando a disputa, incitando. Mas a PJMR já definiu o investimento no Brasil e como sendo no Ceará. Ele só não será lá se o poder público não quiser", declara.

 

Até o momento, segundo Haddad, a PJMR, por conta disso, descarta propostas de outros estados que se mostram interessados em receber o estaleiro para a construção dos gaseiros.

 

"Praticamente todos os estados costeiros nos procuraram, mas não queremos receber propostas enquanto não finalizarmos o projeto no Ceará", afirma o sócio da empresa, que, entretanto, adverte: "Mas sempre temos plano B, plano C, D e E", salienta. (GCN)

 

Fonte: Diário do Nordeste (CE)/GUTO CASTRO NETO  

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