Negócios

Transnordestina fecha primeiros acordos de cargas

Responsável pelo projeto da ferrovia Transnordestina, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) começou a fechar os primeiros contratos de transporte de cargas para a estrada de ferro de 1.728 quilômetros de extensão. Apesar de o início parcial das operaç

Valor Econômico
05/08/2011 06:55
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Responsável pelo projeto da ferrovia Transnordestina, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) começou a fechar os primeiros contratos de transporte de cargas para a estrada de ferro de 1.728 quilômetros de extensão. Apesar de o início parcial das operações estar previsto somente para o fim do ano que vem, a empresa já assinou memorandos de entendimento para a movimentação de até 16 milhões de toneladas anuais de granéis líquidos, especialmente minério de ferro e gipsita.
 
 
 

Segundo apurou o Valor, o principal acordo foi fechado com o grupo Bemisa, braço minerador do Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas. A empresa detém os direitos de exploração de uma vasta área no sudeste do Piauí, no entorno do município de Paulistana. A exploração da reserva, estimada em 1 bilhão de toneladas, só se tornou economicamente viável com a chegada da ferrovia, que passará pela região.
 
 
 

Trata-se do principal acordo firmado até agora pela Transnordestina Logística (TLSA), empresa controlada pela CSN. Contudo, já há também entendimentos com fabricantes de gesso da região de Araripina, em Pernambuco. Segundo Edison Pinto Coelho, diretor-executivo da TLSA, os memorandos, somados, preveem uma movimentação inicial de 2 milhões de toneladas por ano, podendo chegar a 16 milhões de toneladas anuais quando a ferrovia estiver operando a plena capacidade.
 
 
 

Ele explicou que o preço elevado do minério de ferro no mercado internacional tem encorajado a exploração do solo piauiense, que ainda não começou. "O cenário positivo incentivou e o mercado está se movimentando para ter essa opção logística. A surpresa positiva é que esse movimento está bem maior do que o estimado inicialmente", afirmou o executivo, que se disse impedido de revelar os nomes dos clientes.
 
 
 

Por meio de nota, a Bemisa informou apenas que sua produção no Piauí será iniciada em 2015, com 5 milhões de toneladas, atingindo o dobro deste volume dois anos mais tarde. Fundada em 2007, a empresa tem seus principais projetos em Mato Grosso (fosfato), Goiás (níquel), Bahia (minério de ferro) e Minas Gerais (minério de ferro).
 
 
 

Segundo Coelho, as perspectivas favoráveis de mercado acabaram promovendo o minério ao posto de carga mais significativa no portfólio da Transnordestina, superando a produção de grãos no cerrado do Piauí e do Maranhão, que cresce ano após ano. Além desses dois produtos, a estrada de ferro irá movimentar frutas, derivados de petróleo, fertilizante e álcool. A Transnordestina será capaz de movimentar até 30 milhões de toneladas por ano, volume que poderá ser dobrado com a instalação de pátios intermediários e novas locomotivas.
 
 
 

A projeção atual da TLSA aponta para novembro de 2012 o início das operações do trecho que ligará o município de Eliseu Martins (PI) ao porto de Suape (PE). Segundo o diretor da TLSA, o ramal está com 37% das obras concluídas, bem a frente da ligação entre Missão Velha (CE) e o porto de Pecém (CE), com apenas 2% de conclusão e obras praticamente paralisadas. A previsão de inauguração desse ramal varia entre abril e junho de 2013.
 
 
 
 
Além dos atrasos causados pela morosidade do processo de desapropriação, o trecho cearense sofre com a escassez de recursos. Segundo Coelho, a demora do governo federal em liberar os financiamentos adicionais, referentes ao reajuste no custo final da ferrovia, está atravancando as obras. Orçada em R$ 5,4 bilhões em 2008, a Transnordestina teve o custo atualizado para R$ 6,5 bilhões, especialmente em razão do custo maior de mão de obra e material.
 
 
 

Ocorre que o novo valor ainda não foi referendado pelo Ministério da Integração Nacional, o que impede que o repasse do montante correspondente ao reajuste. "Está em análise o aumento proporcional dos financiamentos, o que está impondo algumas dificuldades", diz o executivo.
 
 
 

Pela engenharia financeira definida, a CSN arcaria diretamente com 25% do custo total. O governo federal entraria com 18,2% em forma de participação direta no capital da TLSA. Os 56,8% restantes seriam financiados por BNDES (4,2%), Banco do Nordeste (3,3%) e Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (49,3%).
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