E&P

Os 3 porquês de precisarmos de mais carbono, por Thiago Valejo

Redação TN Petróleo/Assessoria Firjan
08/09/2026 16:00
Os 3 porquês de precisarmos de mais carbono, por Thiago Valejo Imagem: Vinícius Magalhãe/Firjan Visualizações: 58

O carbono, por si só, nunca foi um problema. Precisamos de carbono para produzir boa parte da energia do mundo. O carbono faz parte da composição do corpo humano. Também está presente nos alimentos que consumimos, em muitos objetos do nosso dia a dia e no ar que respiramos. São diferentes suas formas, quantidades e usos. Em muitas ocasiões, não podemos simplesmente substituí-lo.

Quando falamos do carbono presente no ar, nos referimos principalmente a dois compostos – gás carbônico (dióxido de carbono ou CO2) e metano. São esses e alguns outros gases – alguém pode lembrar dos CFCs, motivo de alerta em todo o mundo há algumas décadas – que normalmente trazem potenciais impactos ambientais associados. 

Mas temos deixado de aproveitar parte desse carbono. Enquanto seguimos demandando mais carbono para o desenvolvimento da indústria e da sociedade, ainda precisamos avançar em projetos, especialmente aqueles relacionados à captura desse carbono. 

Quase dois anos se passaram desde a publicação da Lei 14.993, de outubro de 2024, que dispõe sobre a captura e estocagem de carbono. Somente em agosto de 2026 tivemos um detalhamento das regras para esta legislação, com o Decreto 13.095, que regulamenta as condições para o exercício das atividades de captura, de transporte por meio de dutos e de estocagem geológica de dióxido de carbono. Nesse aspecto, cabe destacar o conceito de CO2e: emissões dos gases de efeito estufa convertidas para uma base equivalente de gás carbônico.

A verdade é que ainda existe muito gás carbônico que não é aproveitado. A cada dia, parte do carbono que utilizamos acaba na atmosfera. Para fazermos uso desse carbono, é fundamental ampliar os investimentos nesse mercado, que além de contribuírem para os objetivos de retirar parte do carbono presente no ar, podem agregar valor na fabricação de produtos.  E aqui entram os projetos de CCUS, que envolvem etapas de captura e armazenamento, mas também contemplam a utilização desse carbono.

Fato é que não é uma tarefa simples retirar do ar ou mesmo de um processo industrial e separar esse carbono, mesmo com tecnologias já desenvolvidas e um enorme potencial volumétrico disponível para captura. Se olharmos apenas para o estado do Rio de Janeiro, no ano de 2024, nos polos de atividade de energia e em processos industriais – como produção de metais e indústria química – foram aproximadamente 35 milhões de toneladas de CO2e. O número foi obtido considerando a base de empresas da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e é referente ao Escopo 1 – emissões diretas e inerentes à atividade – e ao Escopo 2 – emissões indiretas associadas ao consumo de utilidades. 

Então, por que precisamos de mais carbono?

Primeiro porque a economia é uma combinação de atividades, que demandam carbono em algum elo de suas cadeias produtivas. Está claro que não vivemos sem o carbono. 

Especialmente em um país em desenvolvimento, com diversas oportunidades de construção de novos projetos e aproveitamento das infraestruturas existentes, a demanda por carbono será crescente.

Também em razão da origem da maior parte desse carbono. A atividade de geração de energia no estado do Rio responde por perto de 80% das emissões de CO2e mapeadas. Isso significa que, ao aumentarmos a necessidade de energia, principalmente aquela produzida a partir de fontes confiáveis como o petróleo e o gás natural, aumentamos também a necessidade de carbono. 

E, não menos importante, o último porquê vem da própria característica dos projetos de captura de CO2, que só se tornam viáveis a partir de um volume suficiente de emissões para armazenagem ou utilização. É por meio da constituição de novos hubs ou de polos de atividade já existentes que os projetos serão desenvolvidos.

São muitos os destinos que o CO2 capturado pode ter. As aplicações vão desde a produção de combustíveis sintéticos até a fabricação de polímeros e plásticos. Mesmo com alternativas como a eletrificação a partir de renováveis e o uso de hidrogênio, o carbono seguirá sendo demandado: 
• Para a produção de energia – seja para carregarmos nossos celulares, seja para fazermos uma pergunta à IA. 
• Como matéria-prima – estamos distantes de imaginar uma vida sem plásticos e sem combustíveis – ambos com carbono em sua composição, mesmo que seja um carbono de origem renovável.

Devemos tratar o carbono não como problema e sim como oportunidade. Precisaremos de mais carbono para seguir em uma esperada trajetória de crescimento econômico. Precisaremos de mais carbono para garantir que teremos mais energia firme. E precisaremos melhor aproveitar o carbono disponível para novos projetos industriais. Ao trabalharmos a temática de descarbonização, não podemos esquecer que o carbono seguirá sendo necessário. 

Os contratos assinados em maio para os projetos SEAP-I e SEAP-II representam não apenas a continuidade da nossa presença no Brasil, mas também a confiança na nossa capacidade de entregar projetos cada vez mais eficientes, seguros e preparados para os desafios futuros da indústria.

As unidades SEAP-I e SEAP-II foram desenvolvidas dentro de uma nova geração de FPSOs da SBM Offshore, com diretrizes alinhadas ao nosso plano de FPSOs de baixa emissão, que busca reduzir significativamente as emissões associadas às operações offshore.

Sobre o autor: Thiago Valejo é gerente de Projeto de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro - Firjan.
 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ANP
Produção de petróleo e gás em julho de 2026 foram de 5,8...
01/09/26
Etanol de milho
Levedura desenvolvida na Unicamp pode tornar a produção ...
01/09/26
Biometano
CGOB: ANP publica Informes Técnicos que permitem início ...
01/09/26
Financiamento
BNDES aprova financiamento de R$ 10,6 milhões para AutoM...
01/09/26
Firjan
Economia desacelera, com crescimento concentrada em comm...
01/09/26
Energia Elétrica
CCEE lança campanha nacional para apresentar o mercado l...
01/09/26
Premiação
Inscrições para Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2026 ...
31/08/26
Gás Natural
ABRACE questiona aumentos de até 52% na margem de distri...
31/08/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em alta e amplia ganhos no mercado...
31/08/26
Royalties
ANP publica resolução sobre distribuição a municípios af...
28/08/26
ANP
Gás natural: prorrogado até 14/9 o prazo da consulta púb...
28/08/26
Pessoas
Supergasbras anuncia mudanças na liderança executiva
28/08/26
Margem Equatorial
Margem Equatorial pode mudar receitas de municípios e ab...
27/08/26
Transição Energética
Conferência reúne especialistas da academia, do mercado ...
27/08/26
Pré-Sal
P-80 e P-82, que vão operar em Búzios, são batizadas em ...
27/08/26
Royalties
Valores referentes à produção de junho foram distribuído...
27/08/26
Pré-Sal
Campo de Búzios bate recordes mensal e diário de exporta...
26/08/26
ROG.e 2026
ROG.e 2026 reúne líderes globais para discutir o futuro ...
26/08/26
Gás Natural
Décio Oddone aponta concentração como entrave ao mercado...
26/08/26
Competição
Shell Eco-marathon Brasil: inspeção técnica define carro...
26/08/26
ROG.e 2026
Sindicom promove Arena de Lubrificantes na ROG.e 2026
25/08/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25