A colheita da safra de cana-de-açúcar 2010/2011 do estado de São Paulo, que deverá ser a mais longa da história, começou ontem, na Usina Lins. Hoje, será a vez da Usina Batatais, do mesmo grupo, começar a sua colheita. Ambas antecipam suas safras, enquanto a maioria deverá começar no dia 15. Juntas, as duas deverão moer 5,660 milhões de toneladas de cana. Normalmente, a safra de cana em São Paulo começa em abril.
"Os canaviais estão muito bons e tem muita cana para cortar", diz o presidente das usinas Batatais e Lins, Bernardo Biagi. Segundo ele, as duas usinas deverão fechar a safra em 20 de dezembro.
Com preços melhores tanto para álcool quanto para açúcar, os usineiros esperam uma boa safra, enquanto os consumidores, proprietários de veículos, ficam na expectativa de que os preços do etanol (álcool hidratado) diminua nas bombas dos postos.
"Tudo indica que deverá cair, como ocorreram nos últimos anos", diz o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), regional de Ribeirão Preto, Oswaldo Manaia. O preço chegou a R$ 1,89/l no início deste ano e atualmente os preços variam entre R$ 1,60/l e R$ 1,70/l.
"Agora, os preços de nossos produtos melhoraram, depois de um prejuízo durante 26 meses seguidos, até a metade de 2009", comenta Biagi, acreditando que o reflexo de queda de preços aos consumidores de etanol será progressivo, à medida que a nova colheita seja processada.
A Usina Lins, com 25 mil hectares de cana, que só produz álcool hidratado, irá moer 1,910 milhão de t, 16% a mais que a safra anterior (1,652 mi de t). A produção de álcool deverá atingir 162 milhões de litros, ou seja, 24% a mais que no ano passado (foram 131 mi/l). Essa unidade terá 1 mil funcionários na safra iniciada, superando os 880 da anterior.
A Usina Batatais, com 50 mil hectares de cana, irá moer 3,750 milhões de t de cana a partir de amanhã (02), 6% a mais que as 3,550 mi/t de 2009. A unidade, que manterá os 2.100 funcionários da safra passada, terá aumento de 10% na produção de açúcar (passando de 5,040 milhões de sacos de 50 quilos para 5,555 mi/sacos) e 8% na de álcool anidro (141 milhões de litros, contra 130 mi/l da anterior). Biagi cita ainda que a mecanização da colheita passa de 99% para 100% em Lins e de 84% para 87% em Batatais.