Política

MME prevê necessidade de novas usinas nucleares

Porém, segundo o ministério, projetos são para 'longo prazo'.

Valor Econômico
11/02/2014 11:02
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O Brasil certamente vai necessitar de novas usinas nucleares a partir da próxima década. A avaliação é de Altino Ventura, secretário de planejamento e desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia. Entretanto, mesmo com o prognóstico, o governo não planeja incluir projetos nucleares no próximo plano decenal 2013-2023, previsto para meados do ano.
Gigantes nucleares, ouvidas pelo 'Valor', aguardam oportunidades no país. Mas apesar do momento crítico vivido pelo setor elétrico, não acreditam que 2014 seja oportuno para o governo, devido às eleições presidenciais.
Uma usina nuclear precisa de dez anos entre a tomada de decisão e sua operação, na avaliação de Ventura. No entanto, até 2023, com toda incerteza do setor elétrico, Ventura defende que há "uma certa segurança" com a entrada de projetos hídricos, além de novas usinas eólicas e a biomassa.
Já no longo prazo, na avaliação de Ventura, o país não deve fechar a porta para nenhuma fonte energética. "Uma coisa é certa: na próxima década, o Brasil certamente vai necessitar de operações de usinas nucleares, o ano preciso é difícil estimar nesse momento", afirmou ao 'Valor'.
Como prova desse cenário, Ventura destacou que o Plano Nacional de Energia (PNE) no horizonte até 2050 - também previsto para meados do ano - apresentará a necessidade de nucleares, assim como apresentou o PNE 2030, que prevê de quatro a oito usinas. Diferentemente do plano decenal, que lista projetos que deverão ser colocados em prática, o PNE apresenta um direcionamento estratégico.
Apostando nisso, Bernard Bastide, diretor da francesa Areva para o Brasil e América do Sul, afirmou que a expectativa era que o governo tomasse uma decisão sobre seu programa nuclear neste ano. "[Entretanto], provavelmente por causa das eleições, pode atrasar um pouco, mas tem que ser em 2015", afirmou Bastide, ao 'Valor'. Há 20 anos no Brasil, a Areva fechou em novembro contrato de € 1,25 bilhão com a Eletronuclear para a conclusão do reator da usina de Angra 3 e aguarda com ansiedade novos projetos.
Leonam Guimarães, ex-assessor da presidência da Eletronuclear, concorda que o assunto é polêmico para um ano de eleição. Segundo o especialista, um novo programa nuclear brasileiro demandará debates no Congresso Nacional, no Conselho de Nacional Política Energética (CNPE) e em ministérios.
A demora para a entrada de novos projetos fez a russa Rosatom adiar a abertura de um escritório no país, que estava prevista para o ano passado. Mas segundo Nikolay Drozdov, diretor do departamento internacional de negócios da Rosatom, os planos de vinda para o país estão mantidos. "[O adiamento] se deveu ao fato de que, no ano passado, nossos projetos estavam se desenvolvendo de forma mais intensa em outras regiões do mundo", disse.
Segundo Drozdov, o escritório brasileiro, que também será responsável pelo desenvolvimento de negócios da Rosatom na América Latina, ficará no Rio, pela proximidade com parceiros.
Carlos Leipner, vice-presidente da americana Westinghouse para a America Latina, disse que a empresa considera o Brasil como um dos melhores mercados do mundo para a expansão de energia nuclear. "A Westinghouse está pronta a trabalhar com nossos parceiros brasileiros uma vez que o governo brasileiro decidir avançar", disse Leipner.
Para as empresas, há ainda a expectativa de que haja uma mudança legal que permita que outras, além da Eletronuclear, operem mais de 50% de nucleares, o que hoje é proibido. Isso poderia facilitar a obtenção de financiamentos. Para o secretário, está cedo para essa discussão.
Ainda não há decisões definitivas de onde deverão ficar as novas usinas do próximo século. Apenas uma sinalização de que há uma vocação maior nas regiões Sudeste e Nordeste. Ventura disse ao 'Valor' que serão procurados sítios que poderão receber novos complexos, como o que existe hoje em Angra (RJ), mas com cerca de seis usinas. As decisões ainda dependem de questões técnicas, energéticas, ambientais e políticas.
As nucleares serão necessárias, segundo o secretário do MME, porque em meados da década de 20, o Brasil sofrerá com o esgotamento de novas ofertas de geração hídrica. Por isso, precisará buscar o crescimento de geração térmica a carvão, gás e nuclear.
Leonam Guimarães destacou que esta transição já está ocorrendo de forma lenta desde os anos 2000, com taxa de crescimento das térmicas superior a das hídricas. A explicação, segundo Guimarães, é que a taxa de crescimento do volume de água nos reservatórios passou a ser inferior à taxa de crescimento de potência hídrica instalada a partir do fim da década de 1980.
"O Brasil percebeu isso em 2001, com uma crise de abastecimento devido à redução do nível dos reservatórios, sem haver disponibilidade de energia térmica complementar" afirmou Guimarães, que hoje é diretor-técnico comercial da estatal Amazul, estatal ligada à Marinha do Brasil. Segundo Guimarães, a contribuição da geração térmica ao Sistema Interligado Nacional (SIN) passou de 6,26%, em 2000, para 15,74% em 2012.
O governo, que sempre destacou como positivo o fato do país ter mais de 80% da matriz energética de fontes renováveis, não vê mais o cenário como o ideal. "O Brasil busca uma política de diversificação da matriz energética", explicou Ventura.

O Brasil certamente vai necessitar de novas usinas nucleares a partir da próxima década. A avaliação é de Altino Ventura, secretário de planejamento e desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia. Entretanto, mesmo com o prognóstico, o governo não planeja incluir projetos nucleares no próximo plano decenal 2013-2023, previsto para meados do ano.

Gigantes nucleares, ouvidas pelo 'Valor', aguardam oportunidades no país. Mas apesar do momento crítico vivido pelo setor elétrico, não acreditam que 2014 seja oportuno para o governo, devido às eleições presidenciais.

Uma usina nuclear precisa de dez anos entre a tomada de decisão e sua operação, na avaliação de Ventura. No entanto, até 2023, com toda incerteza do setor elétrico, Ventura defende que há "uma certa segurança" com a entrada de projetos hídricos, além de novas usinas eólicas e a biomassa.

Já no longo prazo, na avaliação de Ventura, o país não deve fechar a porta para nenhuma fonte energética. "Uma coisa é certa: na próxima década, o Brasil certamente vai necessitar de operações de usinas nucleares, o ano preciso é difícil estimar nesse momento", afirmou ao 'Valor'.

Como prova desse cenário, Ventura destacou que o Plano Nacional de Energia (PNE) no horizonte até 2050 - também previsto para meados do ano - apresentará a necessidade de nucleares, assim como apresentou o PNE 2030, que prevê de quatro a oito usinas. Diferentemente do plano decenal, que lista projetos que deverão ser colocados em prática, o PNE apresenta um direcionamento estratégico.

Apostando nisso, Bernard Bastide, diretor da francesa Areva para o Brasil e América do Sul, afirmou que a expectativa era que o governo tomasse uma decisão sobre seu programa nuclear neste ano. "[Entretanto], provavelmente por causa das eleições, pode atrasar um pouco, mas tem que ser em 2015", afirmou Bastide, ao 'Valor'. Há 20 anos no Brasil, a Areva fechou em novembro contrato de € 1,25 bilhão com a Eletronuclear para a conclusão do reator da usina de Angra 3 e aguarda com ansiedade novos projetos.

Leonam Guimarães, ex-assessor da presidência da Eletronuclear, concorda que o assunto é polêmico para um ano de eleição. Segundo o especialista, um novo programa nuclear brasileiro demandará debates no Congresso Nacional, no Conselho de Nacional Política Energética (CNPE) e em ministérios.

A demora para a entrada de novos projetos fez a russa Rosatom adiar a abertura de um escritório no país, que estava prevista para o ano passado. Mas segundo Nikolay Drozdov, diretor do departamento internacional de negócios da Rosatom, os planos de vinda para o país estão mantidos. "[O adiamento] se deveu ao fato de que, no ano passado, nossos projetos estavam se desenvolvendo de forma mais intensa em outras regiões do mundo", disse.

Segundo Drozdov, o escritório brasileiro, que também será responsável pelo desenvolvimento de negócios da Rosatom na América Latina, ficará no Rio, pela proximidade com parceiros.

Carlos Leipner, vice-presidente da americana Westinghouse para a America Latina, disse que a empresa considera o Brasil como um dos melhores mercados do mundo para a expansão de energia nuclear. "A Westinghouse está pronta a trabalhar com nossos parceiros brasileiros uma vez que o governo brasileiro decidir avançar", disse Leipner.

Para as empresas, há ainda a expectativa de que haja uma mudança legal que permita que outras, além da Eletronuclear, operem mais de 50% de nucleares, o que hoje é proibido. Isso poderia facilitar a obtenção de financiamentos. Para o secretário, está cedo para essa discussão.

Ainda não há decisões definitivas de onde deverão ficar as novas usinas do próximo século. Apenas uma sinalização de que há uma vocação maior nas regiões Sudeste e Nordeste. Ventura disse ao 'Valor' que serão procurados sítios que poderão receber novos complexos, como o que existe hoje em Angra (RJ), mas com cerca de seis usinas. As decisões ainda dependem de questões técnicas, energéticas, ambientais e políticas.

As nucleares serão necessárias, segundo o secretário do MME, porque em meados da década de 20, o Brasil sofrerá com o esgotamento de novas ofertas de geração hídrica. Por isso, precisará buscar o crescimento de geração térmica a carvão, gás e nuclear.

Leonam Guimarães destacou que esta transição já está ocorrendo de forma lenta desde os anos 2000, com taxa de crescimento das térmicas superior a das hídricas. A explicação, segundo Guimarães, é que a taxa de crescimento do volume de água nos reservatórios passou a ser inferior à taxa de crescimento de potência hídrica instalada a partir do fim da década de 1980.

"O Brasil percebeu isso em 2001, com uma crise de abastecimento devido à redução do nível dos reservatórios, sem haver disponibilidade de energia térmica complementar" afirmou Guimarães, que hoje é diretor-técnico comercial da estatal Amazul, estatal ligada à Marinha do Brasil. Segundo Guimarães, a contribuição da geração térmica ao Sistema Interligado Nacional (SIN) passou de 6,26%, em 2000, para 15,74% em 2012.

O governo, que sempre destacou como positivo o fato do país ter mais de 80% da matriz energética de fontes renováveis, não vê mais o cenário como o ideal. "O Brasil busca uma política de diversificação da matriz energética", explicou Ventura.

 

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