Portugal

País acordou tarde para o petróleo, diz magnata luso

A relação entre política, preço e investimentos no mundo do petróleo é "irreversível e prioritária", defende Pedro Almeida, um dos poucos empresários portugueses que fez fortuna na área. Ele também considera que Portugal acordou tarde e "perdeu tempo".

Agência Lusa
31/08/2009 09:30
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A relação entre política, preço e investimentos no mundo do petróleo é "irreversível e prioritária", defende Pedro Almeida, um dos poucos empresários portugueses que fez fortuna na área. Ele também considera que Portugal acordou tarde e "perdeu tempo".


"A relação é direta, irreversível e sempre prioritária", afirmou o português que ajudou a fundar a petrolífera Addax e a transformá-la num grande player do setor.


Para sustentar a afirmação, Almdeida dá exemplos como o embargo árabe, por razões políticas, que levou à primeira grande crise petrolífera, a entrada do Kuwait pelo Iraque. Ele também citou a invasão dos Estados Unidos no Iraque e os efeitos nos mercados.


Em relação à Galp Energia, Almeida considera que a petrolífera portuguesa está a fazer "um esforço louvável", principalmente nas explorações em mercados como Angola e Brasil, mas que é "tardio".


"Portugal não pode deixar de fazer um esforço para estar" nesses mercados, defende, mas já é crítico em relação à ideia de mais refinarias no país.


A experiência de 35 anos no setor permite-lhe afirmar que "Portugal não tem a posição geoestratégica" necessária para que um projeto desses seja econômica e financeiramente justificável.


Política


Formado em Ciências Políticas, e confessando-se de direita, considera "preocupante" o panorama político português, onde não vê diferenças entre socialistas ou social-democratas.


Ambos, afirma Almeida, "construíram uma inter-relação com o sistema financeiro que é pouco sã" e jogam "um jogo permanente de compensação de favores".


"A política em Portugal é muito pobre", diz, com alguma tristeza, e queixa-se também da burocracia e de uma "administração pública pesada", que não acredita que mude com uma eventual mudança de governo.


Entre outras faturas, Portugal sofre pela aposta na Espanha, "um parceiro, mas também um concorrente", cuja crise, uma das mais graves da Europa, "terá um impacto enorme", e por ter "uma classe média débil, que quase desapareceu".


"Não são os ricos que fazem o crescimento", afirmou o empresário.
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