Pré-sal

Setor químico quer política industrial para o pré-sal

Valor Econômico
05/08/2009 04:52
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O setor químico vai apresentar ao governo em outubro um programa de política industrial de forma a aproveitar as oportunidades a serem geradas pelo petróleo descoberto na camada do pré-sal. A intenção das empresas do setor é estabelecer diretrizes para que a indústria química no Brasil consiga crescer utilizando as novas fontes de matérias-primas a um custo competitivo.

"Encontramos-nos no momento para um novo salto", disse Bernardo Gradin, presidente do conselho-diretor da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) e também presidente da Braskem, maior empresa química do país. Uma das metas é fazer com que a indústria química brasileira fique entre as cinco maiores do mundo em 2020, subindo da nona posição que ocupa hoje. O objetivo é chegar à criação de 1,5 milhão de novos empregos, diretos e indiretos. Em 2008, o setor teve faturamento de US$ 122 bilhões e empregou 350 mil trabalhadores.

Com o programa a Abiquim pretende, diz Gradin, participar das discussões sobre o novo modelo de exploração do petróleo, tentando convencer o governo das vantagens de elaboração de uma política voltada ao desenvolvimento do setor químico. "Há poucas alternativas para o crescimento da oferta de matérias-primas. A maior delas está no pré-sal."

As empresas brasileiras vão conviver sob forte pressão das novas fábricas que começam a ser abertas neste momento no Oriente Médio em razão do baixo custo de produção das matérias-primas derivadas do petróleo e do gás natural. Embora vários dos projetos estejam sendo canalizados para atender a futura demanda da China, espera-se que haja uma queda nos preços e margens do setor no mundo inteiro.

Com as regras do pré-sal sendo estabelecidas neste momento, a indústria química quer participar do jogo ao garantir o suprimento futuro de matérias-primas e insumos - a preços competitivos. "Sou cético em pensar que o óleo do pré-sal venha com o mesmo custo do Oriente Médio, mas virá a um custo muito mais baixo do que é hoje", afirmou Gradin, lembrando que 30% da nafta, a principal matéria-prima da indústria petroquímica, é importada.

Bernardo Gradin avalia que a Petrobras terá uma participação decisiva para ajudar a construir a política industrial, mas entende que caberá ao governo o papel de mediador e moderador. "Não se pode confundir uma política industrial com uma política comercial da Petrobras."

Fonte: Valor Econômico

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