Gás Natural

Superoferta se aproxima

Jornal do Commercio
23/11/2009 09:42
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O Brasil está prestes a viver um "tsunami" de gás natural, alertam especialistas, diante da perspectiva de aumento da oferta nos próximos anos, antes ainda da produção maciça que deverá vir dos campos do pré-sal. Entre janeiro e setembro de 2009, o País já acumula uma média de 33 milhões de metros cúbicos excedentes por dia, de acordo com dados do Ministério de Minas e Energia. Com os campos do pré-sal, a sobre-oferta pode subir para até 80 milhões de metros cúbicos por dia.



Já no ano que vem, o excedente deve ser ampliado em pelo menos 10 milhões de metros cúbicos por dia, com a entrada em operação da plataforma de Mexilhão, que deixou ontem o estaleiro Mauá, no Rio de Janeiro, rumo à Bacia de Santos. Maior estrutura de aço já construída no País, a plataforma de Mexilhão deve chegar à Bacia de Santos em duas semanas. A entrada em operação está prevista para meados de 2010.



A unidade tem capacidade para produzir 15 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, volume que será atingido gradualmente, de acordo com o desenvolvimento do mercado. A última grande reserva de gás a entrar em operação no Brasil, Camarupim, no Espírito Santo, está hoje sem produção por falta de consumidores.



MODELO. Para o diretor de Gás e Energia da Shell Cone Sul, Antonio Assumpção, a sobre-oferta é fruto do atual modelo do setor elétrico brasileiro, que não atrai investimentos em gás e energia. Para ele, o problema vai se agravar com o início da produção do pré-sal. "Teremos uma reserva excedente de pelo menos 50 TCFs (trilhões de pés cúbicos de gás natural, o equivalente a 1,8 trilhão de metros cúbicos) para destinar para a exportação a partir de 2020, quando as áreas do pré-sal começarem a produzir", calcula. Segundo ele, somente Tupi e Júpiter já teriam reservatórios suficientes para dobrar o volume total de reservas de gás no País, hoje, de 15 TCFs (420 bilhões de metros cúbicos).



Em contrapartida à oferta crescente, e ao contrário de poucos anos atrás, a demanda está deprimida. Aliado à crise econômica mundial, que reduziu as atividades da indústria, o consumo também foi reduzido porque as usinas térmicas não foram acionadas e nem tem perspectiva de serem no ano que vem.



O País passa pelo período mais úmido da sua história, com os reservatórios das usinas hidrelétricas quase vertendo água num período em que era para ser considerado de seca. O sistema elétrico nacional tem como base as usinas hídricas, que respondem por mais de 90% da energia gerada. Com isso, as termelétricas só são ativadas emergencialmente em momentos de seca, onde há equilíbrio entre a falta de energia e o seu custo mais elevado. "Se estamos assim no fim do chamado período seco, agora que entraremos no úmido não há perspectiva de as usinas serem acionadas", admite a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster.



Para ela, a demanda ao final de 2010 deverá ser a mesma de janeiro deste ano, na casa dos 40 milhões de metros cúbicos, volume menor do que todo excedente junto previsto após a entrada em produção de Mexilhão. "Na prática, apesar de estarmos registrando uma retomada do consumo industrial, vamos perder um ano em ritmo de crescimento da demanda em geral", comentou, frisando que em nenhum momento houve queima de gás excedente. Segundo ela, as queimas que chegaram a bater recorde este ano, na casa dos 13,3 milhões de metros cúbicos em junho, são "técnicas".

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